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Círculo de Construção de Paz sobre AVC reúne profissionais da saúde no Fórum de Chapada

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O Fórum de Chapada dos Guimarães realizou, na sexta-feira (25 de julho), mais uma edição do projeto “Círculos Coloridos na Saúde”, sobre Acidente Vascular Cerebral (AVC). A roda de diálogo teve como objetivo conscientizar sobre os riscos, sintomas e formas de prevenção da doença que mata uma pessoa a cada cinco minutos no Brasil.

O encontro reuniu profissionais da saúde, lideranças comunitárias e usuários do sistema público em um círculo de construção de paz. O juiz de Leonísio Salles de Abreu Júnior, idealizador da iniciativa, destacou que o projeto aposta na escuta ativa e na integração entre os serviços como caminho para salvar vidas.

“Quando falamos de AVC, cada segundo importa. Trazer esse tema para o centro do círculo é reconhecer que prevenir é um ato de justiça social”, afirmou o magistrado. Ele acrescentou ainda que “não se trata apenas de informar, mas de construir vínculos de cuidado que permitam uma resposta rápida e humanizada, tanto na UBS quanto no atendimento de urgência. O conhecimento compartilhado pode ser decisivo entre a vida e a morte”, destacou.

Durante a atividade, os participantes foram convidados a refletir a partir de perguntas norteadoras cuidadosamente elaboradas para estimular a empatia, o pensamento crítico e o senso de responsabilidade coletiva diante do tema. Dentre as questões debatidas estiveram: “Que sentimentos surgem ao saber que uma pessoa morre a cada cinco minutos por AVC?”; “Na sua opinião, quais são os maiores desafios para prevenir o AVC na comunidade?”; “Como você acha que a UBS pode atuar melhor na prevenção do AVC?”; “Como os profissionais da rede podem se apoiar mutuamente para garantir um atendimento ágil e humanizado?”; e “Qual mensagem sobre o AVC você levaria para sua casa, seu bairro ou seu local de trabalho?”.

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Participantes sentados em círculo, atentos à fala de um dos presentes. O ambiente é uma sala ampla, com ar-condicionado, projetor, cadeiras e estrutura de plenário ao fundo.Essas perguntas foram fundamentais não apenas para sensibilizar os participantes sobre a gravidade do tema, mas também para reconhecer as limitações enfrentadas no dia a dia dos serviços de saúde e, principalmente, para colher contribuições práticas para o aperfeiçoamento do pronto atendimento da população. A escuta coletiva permitiu identificar gargalos na comunicação entre os serviços, dificuldades logísticas, necessidade de capacitação contínua e de campanhas permanentes de orientação à comunidade sobre os sinais de alerta e a importância do tempo no atendimento.

Foi amplamente discutida a necessidade de reconhecer de forma rápida os sintomas de um AVC, como sorriso torto, dificuldade para levantar os braços e fala enrolada, e, diante de qualquer um desses sinais, ligar imediatamente para o SAMU (192). O atendimento urgente pode fazer a diferença entre a vida e a morte. No caso do AVC isquêmico, que representa quase 85% dos casos, o tratamento com trombólise (medicação que dissolve o coágulo) deve ser iniciado em até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas. Para alguns pacientes, a trombectomia mecânica pode ser indicada em até 6 a 24 horas. Já no AVC hemorrágico, o socorro rápido também é essencial para o controle da pressão arterial e a avaliação de necessidade cirúrgica. Cada minuto sem atendimento adequado pode resultar na perda de 1,9 milhão de neurônios. Por isso, a informação sobre o último momento em que a pessoa foi vista bem é considerada crítica para a condução médica.

Também foi abordada a distinção entre os tipos de AVC, a importância dos exames de imagem (como a tomografia computadorizada) para guiar o tratamento correto e a adoção de práticas de reabilitação precoce ainda no ambiente hospitalar, promovendo uma recuperação funcional mais efetiva. Os profissionais de saúde foram incentivados a manter o cuidado integral e coordenado, com ações que vão desde o atendimento de urgência até a prevenção de complicações e a reabilitação contínua.

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Círculo de diálogo com participantes sentados em roda, trocando experiências. Ao fundo, painel institucional com logomarca e bandeiras; clima de escuta e acolhimento é evidente.O destaque foi também para a prevenção secundária, enfatizando o controle rigoroso de fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, fibrilação atrial, além da cessação do tabagismo e do uso abusivo de álcool. O uso regular de medicamentos e a adesão à reabilitação contínua foram apontados como fundamentais para evitar novos eventos. A roda de conversa reforçou ainda o papel estratégico dos profissionais da atenção básica na orientação da população e na construção de uma cultura comunitária voltada ao cuidado permanente.

O projeto também reforçou a importância da justiça restaurativa como ferramenta de transformação da ambiência entre usuários da saúde e o sistema público.

Por meio do diálogo respeitoso e da escuta qualificada, os círculos promovem a reconstrução de vínculos entre a comunidade e a Secretaria Municipal de Saúde, abrindo espaço para trocas genuínas, fortalecimento da confiança mútua e criação de soluções colaborativas para os desafios enfrentados no cotidiano dos serviços de saúde. Essa abordagem restaurativa reconhece as dores e limitações do sistema, mas, ao mesmo tempo, aposta na corresponsabilidade e na construção conjunta de caminhos que priorizem a vida e a dignidade no cuidado em saúde.

Autor: Assessoria

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Plano de saúde deve custear laserterapia indicada após início de home care

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A imagem apresenta uma balança dourada, símbolo da justiça, centralizada em um fundo branco. À direita da base da balança, as letras "TJMT" em dourado. No lado direito, a frase "2ª INSTÂNCIA" em azul e "DECISÃO DO DIA" em azul escuro e negrito. No lado esquerdo, três linhas horizontais azul-marinho.Resumo:

  • Plano de saúde foi obrigado a custear laserterapia incluída posteriormente no tratamento domiciliar de paciente idoso com quadro grave.

  • A decisão considerou que o atendimento deve acompanhar a evolução clínica e seguir a prescrição médica.

Um paciente idoso com Alzheimer, demência e disfagia grave conseguiu na Justiça a manutenção do tratamento de laserterapia em casa, mesmo após o procedimento ter sido prescrito somente depois do fim do processo. A operadora de plano de saúde tentou suspender a obrigação, mas teve o recurso negado.

O impasse surgiu após a inclusão da laserterapia no plano terapêutico do paciente, que já recebia atendimento domiciliar integral (home care) por determinação judicial. Com a evolução do quadro clínico, médicos indicaram o novo procedimento como complemento ao tratamento fonoaudiológico. A operadora contestou, alegando que a técnica não estava prevista na decisão original nem no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Ao analisar o recurso, o relator, juiz convocado Marcio Aparecido Guedes entendeu que a obrigação de fornecer tratamento “conforme prescrição médica” não se limita ao que foi indicado no momento da decisão inicial. Segundo ele, o atendimento domiciliar deve acompanhar as necessidades do paciente ao longo do tempo, inclusive com a inclusão de novas terapias relacionadas à doença.

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O magistrado destacou que uma interpretação restritiva esvaziaria a própria finalidade do home care, que é justamente garantir assistência contínua e adaptável à evolução do quadro de saúde. Também afastou a alegação de violação à coisa julgada, explicando que a medida está dentro dos limites do que já havia sido determinado.

Outro ponto considerado foi a aplicação do Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, o que impõe interpretação mais favorável ao paciente. A decisão ainda reforçou que cabe ao médico definir o tratamento adequado, não podendo a operadora limitar a terapêutica indicada.

Processo nº 1037918-67.2025.8.11.0000

Autor: Flávia Borges

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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