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YouTube mostra vídeos de armas e ataques em escolas a crianças gamers

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YouTube recomenda vídeos violentos a crianças, aponta pesquisa
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YouTube recomenda vídeos violentos a crianças, aponta pesquisa

O YouTube recomenda vídeos de armas de fogo e massacres em escolas a crianças que demonstram interesse por jogos, de acordo com pesquisa do Tech Transparency Project divulgada nesta terça-feira (16).

Os pesquisadores criaram quatro contas no YouTube simulando que se tratavam de crianças e perceberam que a plataforma passou a recomendar vídeos violentos e com instruções para modificar armas de fogo. Os testes foram feitos nos Estados Unidos.

Duas das contas criadas pelos pesquisadores diziam ser de crianças de 9 anos, e duas de adolescentes de 14 anos. Inicialmente, vídeos de jogos foram assistidos nas quatro contas, a fim de que o algoritmo do YouTube entendesse que esse era o interesse dos usuários.

Enquanto as contas de 9 anos assistiram a vídeos de jogos como Roblox, Lego Star Wars e Five Nights at Freddy’s, as contas de supostos usuários de 14 anos assistiram a vídeos de games de tiros, como Grand Theft Auto, Halo e Red Dead Redemption.

Depois dessa primeira etapa, todas as quatro contas passaram a receber vídeos de violência real nas recomendações. Em uma das contas de 9 anos e em uma das de 14 anos, os pesquisadores começaram a assistir a essas recomendações, e a pesquisa mostra que o algoritmo, então, passou a enviar mais e mais vídeos violentos.

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Durante os testes, que duraram 30 dias, a conta de 9 anos que não interagiu com as recomendações recebeu 34 vídeos de armas como sugestões, enquanto a que interagiu recebeu 382, mais de 12 por dia. Já nas contas de 14 anos, esses números foram de 172 vídeos de armas recomendados para a conta que não engajou e 1.325 vídeos para a conta que engajou com as recomendações, mais de 44 por dia.

Dentre os vídeos recomendados pelo algoritmo do YouTube a crianças gamers, estavam cenas retratando tiroteios em escolas e outros eventos de tiroteio em massa; demonstrações gráficas de quanto dano as armas podem infligir a um corpo humano; e guias de instruções para converter uma arma em uma arma totalmente automática. O documentário sobre o serial killer Jeffrey Dahmer também foi sugerido diversas vezes.

Os pesquisadores identificaram que alguns dos vídeos recomendados ferem as próprias diretrizes do YouTube contra violência e, portanto, deveriam ter sido excluídos ao invés de estarem sendo recomendados a menores de idade. Além disso, muitos dos vídeos eram monetizados, o que significa que tanto os criadores do conteúdo quanto o YouTube lucram com a disseminação desses clipes.

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Questionado pela reportagem, o YouTube questionou a metodologia da pesquisa.

“Oferecemos várias opções para espectadores mais jovens, incluindo o aplicativo YouTube Kids e nossas ferramentas de experiência supervisionada, projetadas para criar uma experiência mais segura para pré-adolescentes e adolescentes cujos pais decidiram que estão prontos para usar o aplicativo principal do YouTube. Vemos de maneira positiva pesquisas sobre nosso sistema de recomendações e estamos explorando mais maneiras de trazer pesquisadores acadêmicos para estudar nossos sistemas. Mas, ao revisar a metodologia do relatório mencionado pela reportagem, tivemos dificuldade para tirar conclusões sólidas. O estudo não fornece, por exemplo, o contexto de quantos vídeos gerais foram recomendados para as contas de teste e também não fornece informações sobre como as contas de teste foram configuradas, incluindo se as ferramentas de experiências supervisionadas do YouTube foram aplicadas”, disse a empresa, em nota enviada ao portal iG.

Fonte: Tecnologia

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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