Saúde

Pesquisa reunirá dados sobre saúde mental de 3,5 mil pessoas LGBTI+

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Estudo piloto da pesquisa Smile, liderada pela Universidade Duke, dos Estados Unidos, que investiga a saúde mental de pessoas identificadas como minorias raciais e de gênero, gerou fundamentos para a segunda etapa de um trabalho que está em andamento. A coordenadora do estudo no Brasil é a professora Jaqueline Gomes de Jesus, vinculada ao Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O projeto piloto, realizado em 2017 em seis países (Brasil, Quênia, Vietnã, Índia, Camboja e El Salvador), atingiu 2 mil pessoas. A nova etapa, mais aprofundada, tem foco no Brasil, Quênia e Vietnã, em função de financiamento aprovado pelo governo norte-americano para apenas essas nações. A meta é obter a participação de 3,5 mil pessoas da população LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais/travestis e intersexo) em cada um dos três países. No Brasil, elas poderão responder a um questionário online disponível neste endereço.

A segunda etapa do estudo aprofunda o que foi pesquisado na primeira fase, disse nesta quinta-feira (27) Jaqueline Gomes de Jesus à Agência Brasil. Para a professora, a nova pesquisa dará “precisão gigantesca” às demandas em saúde e à intervenção em nível de políticas públicas.

O questionário, que inclui questões sobre saúde mental, focadas em ansiedade, depressão, estresse pós-traumático, autoestima, ‘suicidalidade’ e apoio social, demora cerca de 15 minutos para ser respondido. “Esse tempo é necessário para termos uma avaliação aprofundada, não só um relatório sobre bem-estar da população LGBTI+.” O questionário, não  busca apenas dados, mas presta vários serviços, disse Jaqueline.

Há, por exemplo, uma lista de entidades que a pessoa pode procurar se achar necessário. ”Se ela tiver alguma indicação de risco de suicídio, pode responder a um documento que a gente chama planejamento de segurança, autoinstrucional. A pessoa vai avaliar a sua rede de apoio, contatos, com quem ela pode contar, para diminuir os riscos ligados ao suicídio.” Essa orientação não faz parte do questionário. É uma prestação de serviço, acrescentou a professora.

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Aplicabilidade

Dados globais de diferentes estudos mostram que cerca de 52% dos jovens LGBTI+ já se automutilaram, contra 35% de jovens cis héteros; pessoas trans apresentam taxas mais altas de problemas de saúde mental do que pessoas cisgêneras LGB; 44% das pessoas LGBTI+ pensaram em suicídio, contra 26% de cis héteros; 92% dos jovens trans tiveram pensamentos suicidas e 84% se automutilaram.

Quanto às tentativas de suicídio, os números revelam que o percentual é de 5% entre lésbicas; mulheres bissexuais (7%); mulheres lésbicas ou bissexuais com deficiência (10%); gays (11%); homens bissexuais (16%); pessoas não binárias (36 a 38%); mulheres trans e travestis (42%); homens trans e pessoas trans masculinas (46%) e população em geral (1,2%).

Com base nos dados globais, Jaqueline de Jesus disse que será possível verificar a aplicabilidade de tais informações que já vieram de outros estudos no Brasil. “A gente vai ter dados que não existem ainda, com foco no Brasil. Um estudo desse tipo nunca foi feito no país”. As informações serão coletadas em 2024 e os resultados devem ser obtidos a partir de 2025. De acordo com a professora, as conclusões poderão ser usadas na elaboração de políticas públicas que atendam a essa parcela da população, que sejam baseadas em dados oriundos de pesquisas. A pesquisa científica é necessária para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para tratamentos em saúde mental baseados em evidências, acrescentou.

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Segundo Jaqueline, além da coleta de dados, haverá abordagens de grupos focais. “Com isso, a gente consegue precisar, em cada país, no caso, o Brasil, que tipo de cuidado é mais importante em termos de foco em ansiedade ou depressão para cada grupo, por exemplo”. Essa abordagem permitirá determinar cientificamente o tipo de intervenção necessária, tornará possível definir o tratamento que funciona melhor para cada pessoa, de acordo com seu grupo, ou região, por exemplo, porque tem uma questão cultural envolvida. Isso significa que o que pode funcionar no Brasil pode não funcionar em outro país: “depende de questões culturais também”.

Violência

O Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+ revela que, no ano passado, o Brasil registrou 273 mortes violentas de pessoas desse grupo. A Rede Nacional de Pessoas Trans (Rede Trans) registrou 100 assassinatos de indivíduos desse grupo em 2022, em todo o país, além de 15 suicídios e d três vítimas letais da aplicação clandestina de silicone industrial.

De acordo com a Rede Trans, 97,3% das vítimas eram mulheres trans ou travestis; 77,8% eram pessoas negras; 43,7% tinham entre 26 e 35 anos; 43% residiam na Região Nordeste e metade das vítimas eram profissionais do sexo.

No período de 2017 a 2022, levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) informa que 912 pessoas trans foram mortas no Brasil, violência acaba afetando a saúde mental das pessoas LGBTI+.

Fonte: EBC SAÚDE

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Saúde

Ministério da Saúde e fãs da banda BTS se unem para incentivar a doação de sangue

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Uma rede de fãs do grupo sul-coreano BTS está transformando admiração pela banda em solidariedade. Neste sábado (13), a organização Army Help The Planet promove a quarta edição da campanha Blood To Save, iniciativa que incentiva a doação de sangue em diferentes regiões do Brasil em alusão ao aniversário do grupo coreano, celebrado em 13 de junho, e ao Dia Mundial do Doador de Sangue, comemorado em 14 de junho.

A mobilização conta com apoio do Ministério da Saúde e terá sua principal ativação no Posto Clínicas da Fundação Pró-Sangue, localizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. Fãs da banda também organizam ações locais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Amazonas e Santa Catarina.

“Ficamos muito felizes em apoiar uma iniciativa que mobiliza tantas pessoas em torno da doação de sangue. Parcerias como essa nos ajudam a levar informações de saúde para novos públicos e a reforçar a importância de um gesto simples que pode salvar vidas. Quanto mais pessoas forem alcançadas por essa mensagem, maior será o impacto para quem depende das doações”, afirma a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad.

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“Queríamos que a Blood To Save chegasse ao maior número de pessoas possível. A campanha nasceu para unir a mensagem positiva do BTS a um gesto de solidariedade que salva vidas. Com o apoio do Ministério da Saúde, acreditamos que essa mobilização pode alcançar ainda mais pessoas e incentivar novos doadores em todo o país”, afirma Mariana Faciroli, codiretora da Army Help The Planet. A parceria entre o Ministério da Saúde e a Army Help The Planet começou após a repercussão de uma publicação nas redes sociais do órgão, divulgada em abril deste ano. O conteúdo relacionava músicas do BTS a ações do programa Agora Tem Especialistas e alcançou mais de 1,3 milhão de visualizações e 116 mil curtidas, ampliando o diálogo com a comunidade de fãs no ambiente digital.

Mobilização do fã clube

A partir dessa aproximação, surgiu a proposta de somar esforços à campanha Blood To Save, criada em 2023 pela Army Help The Planet para incentivar a doação regular de sangue. A iniciativa busca mobilizar doadores frequentes e estimular pessoas que nunca doaram a procurar um hemocentro pela primeira vez.

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A Army Help The Planet é uma organização criada em 2019 por fãs brasileiros do BTS. Ao longo dos anos, o grupo consolidou-se como uma das principais iniciativas de impacto social lideradas por admiradores da banda sul-coreana no Brasil, com projetos ambientais, campanhas de arrecadação de recursos, ações de combate à fome, iniciativas de cidadania e atividades voltadas à promoção da saúde.

Quem pode doar

A doação de sangue é fundamental para manter os estoques em níveis seguros e garantir o atendimento de pacientes que necessitam de transfusões em tratamentos, cirurgias, emergências e outras condições de saúde.

Para ser um doador de sangue é preciso:

  • Ter entre 16 e 69 anos (menores de 18 anos devem ter autorização dos responsáveis)
  • Apresentar documento de identificação com foto;
  • Pesar no mínimo 50 kg;
  • Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas;
  • Estar alimentado (é necessário evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação de sangue).

Acesse a página de doação de sangue

Camila Marques
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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