Saúde

Ministério da Saúde lança Guia para qualificar atendimento de emergências no SUS

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O Ministério da Saúde lançou, no dia 05/02, o Guia de Boas Práticas do Projeto Lean nas Emergências, durante qualificação nacional voltada à gestão e aos fluxos assistenciais nos serviços de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS). O encontro foi realizado entre os dias 3 e 6 de fevereiro e reuniu profissionais de hospitais públicos e filantrópicos de todas as regiões do país.

A atividade integrou o Projeto Lean nas Emergências, iniciativa do Ministério da Saúde desenvolvida no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS), em parceria com as Entidades de Saúde de Reconhecida Excelência (ESRE), como Hospital Alemão Oswaldo Cruz, HCor Hospital do Coração, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês e Beneficência Portuguesa de São Paulo. Na tradução livre, em português, Lean quer dizer enxuto. Trata-se de uma metodologia que visa melhorar a gestão de hospitais públicos e filantrópicos, racionalizando recursos e otimizando espaços e insumos. 

Durante o evento, os participantes passaram por treinamento em Gestão de Alta Performance em Emergências (GAPE). A formação prepara profissionais indicados pelas gestões hospitalares para atuar como multiplicadores da metodologia Lean nos serviços de urgência e emergência.

Para o coordenador-geral de Urgência do Ministério da Saúde, Felipe Reque, o lançamento do Guia marca um momento estratégico para a gestão pública da saúde. Segundo ele, o material consolida experiências aplicadas em hospitais de todo o país e oferece apoio prático aos gestores. De acordo com Reque, o projeto atua a partir da seleção de portas de urgência em hospitais do SUS, que recebem, ao longo de um ano, o apoio de equipes especializadas, com diagnóstico de demanda e capacidade do setor de emergência hospitalar baseado em indicadores assistenciais e tempos de espera. A partir desse diagnóstico, são desenvolvidas intervenções direcionadas para enfrentar os principais gargalos que impactam o atendimento nas emergências.

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Atuação conjunta fortalece resultados

Gestores destacaram o caráter colaborativo da iniciativa. Para o gerente médico da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Rodrigo Almeida, a experiência reforça o papel da gestão como elemento central para qualificar o cuidado. “A aplicação da metodologia Lean nas emergências mostra que a gestão eficiente salva vidas, ao melhorar fluxos, aumentar a segurança e tornar o atendimento mais ágil e centrado no paciente”, avaliou.

Na mesma linha, a gerente de projetos do Hospital Sírio-Libanês, Carina Pires, responsável pelo Projeto Lean nas Emergências na instituição, ressaltou a evolução da iniciativa. “O projeto começou a partir de uma demanda do Ministério da Saúde e ganhou escala com a atuação conjunta dos hospitais. Neste ciclo, são 137 portas de urgência beneficiadas e mais de 600 gestores capacitados”, afirmou.

A vivência prática também foi enfatizada por participantes da qualificação. Para Graciele Sampaio, enfermeira da Santa Casa de São Lourenço do Sul (RS), o projeto promoveu mudanças concretas na rotina do serviço. “Houve uma mudança de cultura, com otimização de processos e redução do tempo de espera, o que impacta diretamente a qualidade do atendimento ao usuário do SUS”, relatou.

Já Bruniele Vieira, enfermeira do município de Tianguá (CE), destacou a integração entre gestão e assistência proporcionada pela formação. “A qualificação mostrou que gestão de leitos e fluxo da emergência caminham juntos. Passamos a trabalhar com indicadores que fortalecem o planejamento e dão sustentabilidade às melhorias”, afirmou.

Para a coordenadora-geral de Projetos da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (CGPROJ/SAES/MS), Amanda Cavalcati, a qualificação e o lançamento do Guia evidenciam o esforço do Ministério da Saúde em alinhar os projetos desenvolvidos no âmbito do PROADI-SUS às necessidades reais da saúde pública no Brasil. Segundo ela, a iniciativa reflete uma diretriz estratégica do Governo Federal de aproximar os objetivos dos projetos institucionais às demandas concretas do SUS. “A iniciativa expressa um movimento de transformação de paradigma, com mudanças nas práticas e nas culturas institucionais dentro dos serviços do SUS. Como consequência, observamos a redução do tempo de espera, do tempo de permanência e do tempo de acesso nas emergências beneficiadas pelo projeto, com resultados concretos já evidenciados”, afirmou.

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O Guia de Boas Práticas do Lean nas Emergências tem como objetivo apoiar a implementação da metodologia Lean e fortalecer a melhoria contínua nos serviços de urgência e emergência. O Projeto Lean nas Emergências integra o Ciclo 10 (2025–2026) e contribui para o fortalecimento da Política Nacional de Atenção às Urgências, ampliando a eficiência da gestão hospitalar, a segurança do paciente e a qualidade do cuidado prestado à população.

PROADI-SUS

Programa do Ministério da Saúde que viabiliza projetos estratégicos para o SUS por meio de parcerias com hospitais de excelência. É o mecanismo institucional e financeiro que sustenta iniciativas voltadas à gestão, à assistência e à inovação no sistema público de saúde.

Projeto Lean nas Emergências

Iniciativa nacional desenvolvida no âmbito do PROADI-SUS. O foco é reduzir a superlotação e o tempo de espera nas emergências de hospitais públicos e filantrópicos, por meio da aplicação da metodologia Lean na organização dos processos assistenciais.

GAPE – Gestão de Alta Performance em Emergências

Estratégia de qualificação do Projeto Lean nas Emergências. Forma multiplicadores, estimula a melhoria contínua e apoia os hospitais no uso de indicadores e práticas de gestão, garantindo a sustentabilidade dos resultados.

Kathlen Amado
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Em ação inédita, Ministério da Saúde leva prontuário eletrônico à Saúde Indígena do Ceará

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O Ministério da Saúde disponibilizou, nesta sexta-feira (12), o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC e-SUS APS) para uso nas unidades básicas de saúde indígenas contempladas no Polo Base Maracanaú, no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Ceará. Segundo território-piloto beneficiado com a iniciativa, o Ceará passa a contar com a ferramenta em mais uma etapa da ação inédita do Governo do Brasil para fortalecer a saúde digital nos territórios indígenas, qualificar o cuidado ofertado à população indígena e ampliar a integração das informações com as bases nacionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé, a medida representa a informatização dos registros e qualificação do cuidado na saúde indígena. “Com o PEC e-SUS APS, os profissionais passam a contar com informações organizadas em um único ambiente digital, incluindo histórico de atendimentos, evolução clínica, exames e demais registros de saúde. Além de reduzir retrabalho, a iniciativa garante continuidade da assistência e o acompanhamento individual dos usuários indígenas”, pontuou. 

Para o secretário-adjunto de Atenção Primária à Saúde, Ilano Barreto, a implantação do prontuário eletrônico qualifica a organização da Atenção Primária nos territórios indígenas. “O prontuário eletrônico fortalece a gestão do cuidado ao integrar as informações às bases nacionais do SUS. Essa é uma ferramenta estratégica que vai promover ainda mais a Atenção Primária. Na saúde indígena, esse avanço significa resolutividade adequada à realidade de cada comunidade e monitoramento dos indicadores”, destacou.

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A chegada da ferramenta ao DSEI Ceará dá continuidade ao projeto piloto iniciado na Casa de Saúde Indígena (Casai) Brasília, onde a implantação ocorreu em maio. O sistema já está disponível para as unidades contempladas nesta fase, e o uso pelas equipes será ampliado conforme o avanço das capacitações presenciais, que já estão em andamento.

No DSEI Ceará, as equipes lotadas no Polo base Maracanaú e nas Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) Dona Joaquina Vieira, e Pajé Barbosa, foram as primeiras a receberem treinamento no estado. 

 Sistema adaptado  

Atualmente, a Sesai utiliza como ferramenta oficial o Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena (Siasi), uma plataforma que contém dados demográficos e epidemiológicos. Com a ampliação do PEC e-SUS APS, a expectativa é que haja a integração entre os mecanismos, além do reforço da confiabilidade e consistência das informações. Entre outros pontos, o prontuário eletrônico recebeu adequações específicas para a realidade dos povos originários como, por exemplo, inclusão do nome tradicional, informações sobre o DSEI, Polo Base, aldeia de referência, períodos de ausência do território indígena, entre outras informações relevantes para o acompanhamento da saúde dessa população.  

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Capacitação e expansão 

A expansão e utilização do prontuário está condicionada à realização de treinamentos coordenados por equipes da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (Saps). Até o momento, mais de 100 profissionais já foram qualificados para operar a ferramenta nas unidades consideradas piloto. 

A previsão é que o PEC e-SUS APS seja gradualmente implantado nos 34 Distritos Sanitários, respeitando as especificidades locais de infraestrutura tecnológica, conectividade, organização dos serviços e diálogo permanente com os povos indígenas. Na próxima etapa, a expectativa é que ação chegue ao DSEI Yanomami, distrito estratégico responsável pelas populações indígenas dos estados brasileiros do Amazonas e de Roraima. 

Leidiane Souza 
Raiane Azevedo

Ministério da Saúde 

Fonte: Ministério da Saúde

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