Saúde
Em Juiz de Fora (MG), ministro da Saúde visita instituições filantrópicas que ampliam oferta de atendimento especializado para pacientes do SUS
Publicado em
18 de setembro de 2026por
Da Redação
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou nesta sexta-feira (17), em Juiz de Fora (MG), instituições filantrópicas que ampliam a oferta de atendimento para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). No Instituto Brasileiro de Gestão da Saúde (IBG), foi formalizado um crédito de R$ 2,3 milhões do programa Agora Tem Especialistas para a realização de 596 cirurgias cardíacas. A agenda também incluiu o Hospital Evandro Ribeiro, participante da mesma modalidade.
Padilha também esteve na Santa Casa de Juiz de Fora (MG), instituição com o maior número de transplantes realizados em Minas Gerais e a quinta que mais registrou os procedimentos no país. A unidade também se destaca na tecnologia ao contar com sistema robótico para cirurgias. Já os atendimentos contemplam as áreas de cardiologia, neurologia e neurocirurgia, traumato-ortopedia, terapia intensiva, atenção materno-infantil, atendimento a pessoas queimadas.
“Visitamos três grandes unidades de saúde em Juiz de Fora, que têm um papel importante para o SUS e para o avanço dos atendimentos. Estamos ampliando o número de procedimentos e incorporando novas tecnologias, como a cirurgia robótica, para oferecer tratamentos cada vez mais modernos e qualificados à população”, destaca o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Hospitais privados abrem as portas para pacientes do SUS
A oferta aprovada para o IBG, que contempla 596 procedimentos por ano, prevê cirurgias cardiovasculares e oncológicas, como revascularização miocárdica, angioplastia, mastectomia simples e colectomia total. Pelo componente de créditos financeiros do Agora Tem Especialistas, atendimentos como esses, realizados para pacientes do SUS, geram recursos que podem ser utilizados pelas instituições para o abatimento de impostos federais.
No município mineiro, outras duas instituições já possuem R$ 5,9 milhões em contratos firmados para atender gratuitamente pacientes do SUS. O Hospital Evandro Ribeiro tem R$ 1,14 milhão contratado para a realização de 528 cirurgias por ano em oftalmologia e otorrinolaringologia. Já a Ascomcer – Instituto de Saúde possui outros R$ 2,24 milhões contratados para tratamentos oncológicos. Em Minas Gerais, o Agora Tem Especialistas já soma R$ 124,7 milhões em créditos financeiros contratados, o maior volume do país.
Assistência de média e alta complexidade
Ao visitar o Hospital Evandro Ribeiro, o ministro da Saúde acompanhou serviços média e alta complexidade. Entre 2023 e 2026, o hospital registrou 278.847 procedimentos ambulatoriais. A população local também conta com cirurgias pelo Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE) e transplantes de córnea e esclera. A unidade trabalha ainda com atenção especializada às pessoas com deficiência auditiva, com oferta de reabilitação.
Já no Instituto Brasileiro de Gestão da Saúde, o cuidado inclui, além da área cardiovascular, oncologia, com tratamentos de hematologia e radioterapia. Neurologia, traumo-ortepida, retirada de órgãos e tecidos também são disponibilizados no local. Dos 90 leitos da instituição, 71% são destinados ao SUS, incluindo internações de UTI.

Foto: Rafael Nascimento/MS
Santa Casa de Juíz de Fora: referência em transplantes e alta tecnologia
De 2023 a 2026, a Santa Casa de Juíz de Fora realizou 885 transplantes de pâncreas, rins e córneas. A instituição é a que mais registrou procedimentos em MG, seguida pelo Hospital Felicio Rocho, em Belo Horizonte, com realização de 483 transplantes no mesmo período. Na Santa Casa, há laboratório de histocompatibilidade e imunogenética e habilitação para cadastro de doadores voluntários de medula óssea e outros precursores hematopoéticos.
A Santa Casa de Juiz de Fora também possui um Centro de Cirurgias Robóticas, que conta com o CUVIS-Joint, sistema utilizado em cirurgias de artroplastia do joelho. O equipamento é o primeiro de sua categoria com operação 100% autônoma na América Latina. A tecnologia utiliza tomografia para planejar a cirurgia de forma individualizada. Durante o procedimento, o braço robótico realiza os cortes ósseos definidos pelo cirurgião, que permanece responsável pela operação e pela implantação da prótese.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Saúde
Congresso debate formação, equidade e valorização dos trabalhadores do SUS
Published
3 horas agoon
18 de setembro de 2026By
Da Redação
Como pensar uma saúde que respeite as diferenças culturais, os territórios e as formas de vida de cada população? Essa foi uma das questões que movimentaram o 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, realizado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), de 15 a 19 de setembro, na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus (AM). Pela primeira vez na Região Norte, o encontro reuniu pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes e representantes de movimentos sociais para discutir os desafios de construir políticas de saúde mais conectadas às realidades dos territórios. Com o tema “Interculturalidade, Ambiente, Saúde: os desafios do século XXI para uma vida em conexão com os territórios”, o congresso promoveu trocas de experiências e reflexões sobre os caminhos para uma saúde mais inclusiva, democrática e próxima das pessoas.
A programação deu destaque às diferentes realidades que atravessam a saúde coletiva brasileira, considerando as especificidades da Amazônia e das populações que vivem na região. Ao longo dos cinco dias, a SGTES participou de mesas-redondas, oficinas e encontros voltados à formação profissional, educação permanente, gestão do trabalho, saúde indígena, educação popular e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Na manhã de quinta-feira (17), o secretário-adjunto da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Jérzey Timóteo, participou da mesa-redonda “Da formação ao cuidado em saúde: ações articuladas entre educação, residências e provimento profissional para fortalecer o SUS”. O debate abordou a relação entre formação, organização da força de trabalho e oferta de cuidado, considerando as necessidades concretas dos diferentes territórios brasileiros.
Jérzey destacou que a discussão sobre equidade precisa ultrapassar a dimensão geográfica. Para ele, compreender as características de cada território é fundamental para organizar as políticas de saúde, mas não é suficiente para garantir respostas adequadas às necessidades da população.
“Olhar para o território não necessariamente quer dizer que estamos fazendo equidade. A equidade transversaliza tudo. Não basta deslocar profissionais; é preciso escutar a população, respeitar a cultura local e construir as respostas em conjunto com as comunidades”, afirmou.
A distribuição dos profissionais de saúde ainda é um dos desafios para garantir o acesso da população ao SUS em todo o país. Atualmente, o Brasil tem uma média de 2,7 médicos por mil habitantes, mas 17 estados estão abaixo desse índice. A desigualdade também aparece em outras categorias, como enfermagem, terapia ocupacional e fonoaudiologia, que apresentam diferentes níveis de disponibilidade e concentração entre as regiões.
Nesse cenário, o Programa Mais Médicos foi destacado como uma das estratégias do SUS para ampliar e distribuir profissionais, especialmente na Atenção Primária à Saúde. O debate também reforçou que levar profissionais para áreas com maior necessidade é apenas parte da solução. Para enfrentar de forma mais ampla as desigualdades na força de trabalho, é necessário articular as políticas de provimento com iniciativas de formação e desenvolvimento profissional.
“O sistema de saúde precisa pensar em como induzir a formação dos profissionais o próprio sistema precisa. Para isso, é fundamental aproximar a gestão, a educação e o cuidado, olhando para as necessidades de cada território e planejando hoje a formação dos profissionais que serão necessários para atender às demandas da população no futuro”.
Regulamentação da profissão de sanitarista
A regulamentação da profissão de sanitarista no Brasil esteve entre os temas de destaque do congresso, com a mesa-redonda “Regulamentação da Profissão de Sanitarista no Brasil: avanços, desafios e disputas pelo SUS”. Durante o debate, a assessora do Departamento de Gestão e Regulação do Trabalho em Saúde (DEGERTS/SGTES), Ingrid Beatriz, apresentou o processo de regulamentação da categoria e os principais marcos legais que orientam o registro profissional.
Entre os avanços apresentados, está a estruturação do Sistema de Informação do Registro Profissional (SIRP), plataforma responsável pelo processamento e pela concessão dos registros de sanitaristas em todo o país. A ferramenta representa uma mudança na gestão desses registros, que passam a ser realizados diretamente no âmbito do Ministério da Saúde, criando um novo modelo para o reconhecimento e a organização da atuação desses profissionais no SUS.
“A regulamentação da profissão de sanitarista no Brasil é compreendida não como um ponto final, mas como um marco em um processo que permanece em construção. Ela representa o reconhecimento de uma trajetória histórica da Saúde Coletiva e abre novas possibilidades para o fortalecimento do SUS”, enfatizou Ingrid.
Formação e educação permanente
A programação também abriu espaço para uma série de debates e encontros sobre temas estratégicos para o fortalecimento do SUS. Entre as atividades, estiveram a Oficina da Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde da Abrasco e discussões sobre educação popular, participação social e o fortalecimento do Programa de Formação de Agentes Educadores e Educadoras Populares de Saúde (AGPOPSUS).
A agenda também abordou os desafios da saúde indígena, com debates sobre planejamento e dimensionamento da força de trabalho, além de temas como educação permanente em saúde, atenção psicossocial, condições de trabalho e sustentabilidade no SUS. O congresso ainda foi espaço para a validação da matriz de competências das residências em Saúde Coletiva e para o encontro nacional do Projeto Nós na Rede, ampliando o diálogo sobre formação, trabalho e participação na construção das políticas de saúde.
Caroline Fogaça
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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