Saúde

Doença de Chagas marca abertura das discussões sobre clima e saúde em Belém

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Em Belém (PA), o Ministério da Saúde participou, nesta segunda-feira (10), do evento “Doença de Chagas: Mudanças Climáticas, o Olhar da Comunidade e Desafios na Prevenção e no Acesso ao Tratamento”, realizado na Casa Bayer durante o primeiro dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). A atividade reuniu representantes da Secretaria de Saúde do Pará, da Fiocruz, de instituições de pesquisa e de comunidades afetadas, com o objetivo de discutir os impactos da crise climática na expansão das doenças tropicais negligenciadas (DTNs).

Para a diretora de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Agnes Soares, o debate é fundamental por reunir governo, comunidade científica e sociedade civil na discussão dos desafios de prevenção, vigilância e tratamento das doenças tropicais negligenciadas, como a Doença de Chagas — um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e na América Latina.

“É muito simbólico iniciar a COP30 com esse tema. Trata-se de uma das doenças tropicais negligenciadas mais associadas às desigualdades sociais e às condições de habitação. Apesar de já termos eliminado um dos principais vetores no Brasil, a doença ainda persiste e enfrenta novos desafios diante das mudanças climáticas”, afirmou.

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Segundo a diretora, as mudanças climáticas funcionam como um acelerador das desigualdades, tornando mais complexos os esforços para enfrentar problemas de saúde pública. Para ela, enfrentar essa realidade exige inovação na produção de medicamentos, ampliação do diagnóstico precoce e atuação integrada com as comunidades locais.

Doenças tropicais negligenciadas e adaptação climática no SUS

No Brasil, a Doença de Chagas é um exemplo de como as transformações ambientais e sociais podem afetar diretamente a saúde das pessoas. O aumento da temperatura global e as alterações no regime de chuvas ampliam a distribuição geográfica dos vetores, encurtam seus ciclos de vida e elevam as possibilidades de transmissão vetorial e oral.

Esses impactos afetam principalmente sobre populações ribeirinhas, indígenas, quilombolas, trabalhadores rurais e extrativistas, que enfrentam vulnerabilidades associadas à moradia precária, à falta de saneamento, à insegurança alimentar e à dificuldade de acesso aos serviços de saúde. É nesse contexto que o Ministério da Saúde consolida políticas públicas voltadas à adaptação climática e à equidade em saúde.

Plano de adaptação

O Brasil tem se destacado na integração entre clima, saúde e equidade, com ações estruturadas que colocam o Sistema Único de Saúde (SUS) no centro das respostas aos impactos climáticos.

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Nesta semana, o Ministério da Saúde vai apresentar na COP30 o AdaptaSUS – Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas, que define metas até 2035 para fortalecer a resiliência do SUS diante dos efeitos do clima.

O plano prevê a avaliação nacional de impactos, vulnerabilidades e adaptação no SUS, o fortalecimento da vigilância de zoonoses e das redes laboratoriais, além do desenvolvimento de modelos preditivos e da ampliação do controle de doenças sensíveis ao clima, como a Doença de Chagas.

Referência mundial

Ainda na COP30, o Brasil lança o Plano de Ação de Belém para a Saúde e as Mudanças Climáticas, coordenado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

O plano incorpora os princípios da justiça climática, da equidade em saúde e da participação social, reconhecendo que as mudanças climáticas agravam desigualdades e exigem respostas centradas nas populações mais afetadas.

A Doença de Chagas está entre as prioridades do plano, especialmente nas metas voltadas à identificação de riscos e doenças relacionadas ao clima, incluindo as doenças tropicais negligenciadas (DTNs).

Edjalma Borges
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Fórum de Doenças Negligenciadas debate participação social e políticas públicas

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O 2º Fórum de Doenças Negligenciadas reuniu, neste sábado (15) em Brasília, representantes de instituições públicas, movimentos sociais, entidades da área da saúde e pessoas afetadas por doenças infecciosas e negligenciadas. O encontro integrou a programação de pré-evento do MEDTROP 2026, congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), e discutiu a participação social na formulação e no acompanhamento de políticas públicas referentes a doenças negligenciadas ou determinadas socialmente (que afetam principalmente pessoas em maior vulnerabilidade social), como tuberculose, malária, doença de Chagas etc.

A programação abordou os espaços de participação social, a atuação de lideranças e movimentos organizados e os caminhos para transformar demandas coletivas em propostas e encaminhamentos institucionais. Com o tema “Nada sobre nós sem nós: como lideranças transformam demandas sociais em políticas públicas”, uma das mesas discutiu a participação das pessoas afetadas por doenças negligenciadas na definição de prioridades e na construção de respostas institucionais.

Durante a mesa, Draurio Barreira, coordenador-executivo do programa Brasil Saudável e diretor do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs do Ministério da Saúde, destacou que existem ferramentas de prevenção, diagnóstico e tratamento para diferentes doenças, mas que persistem desigualdades no acesso aos serviços e tecnologias de saúde.

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“Não adianta ter tecnologia, diagnóstico e tratamento se eles não chegam a quem precisa. Temos ferramentas para avançar na eliminação dessas doenças, mas ainda precisamos superar as desigualdades para que elas cheguem a todas as pessoas”, afirmou.

Articulação

Gustavo Homero, médico infectologista e presidente da SBMT, ressaltou a importância da aproximação entre os diferentes segmentos envolvidos na resposta aos problemas de saúde. “São nesses espaços que garantimos a participação efetiva da sociedade nas decisões que afetam a comunidade e ajudamos a melhorar a saúde pública”, pontuou.

Draurio Barreira também destacou a importância da participação social na identificação de barreiras e na construção de respostas para as doenças negligenciadas.

“Temos conhecimento, temos tecnologias e temos uma sociedade civil organizada e participativa. O desafio é fazer com que esses recursos cheguem a todas as pessoas. A participação social é fundamental para identificar as barreiras e ajudar a construir caminhos para superá-las”, concluiu.

O evento contou com representantes da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), do Ministério da Saúde, do Programa Brasil Saudável, do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (CONASS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), do Comitê Técnico Interinstitucional Uma Só Saúde, do Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas e do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN).

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O Fórum antecedeu a programação principal do MEDTROP 2026, que acontece de 16 a 19 de agosto, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, reunindo um público de cerca de 4000 pessoas.

João Moraes
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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