Saúde

Capacitação fortalece a investigação de surtos em áreas de fronteira do Mercosul

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Entre os dias 2 e 4 de setembro de 2025, foi realizada em Ciudad del Este, no Paraguai, a Capacitação em Investigação de Surtos, promovida no âmbito da Presidência Pro Tempore do Brasil no Mercado Comum do Sul (Mercosul). O evento integra o Projeto Fronteiras Saudáveis e Seguras e tem como objetivo principal fortalecer a vigilância epidemiológica e as respostas integradas em regiões de fronteira prioritárias do bloco econômico.

O Ministério da Saúde reafirma, com essa iniciativa, seu compromisso com a integração regional, a equidade em saúde e a preparação para emergências, destacando a importância da cooperação transfronteiriça para proteger a saúde das populações nas áreas limítrofes.

A capacitação reuniu profissionais da saúde das cidades fronteiriças da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, com o propósito de aprimorar as capacidades técnicas para investigação e controle de surtos de doenças nessas áreas. Voltada para especialistas com experiência em vigilância epidemiológica e liderança em investigações, a formação abordou desafios comuns das localidades, como a gestão conjunta de eventos de saúde pública de relevância internacional e a troca ágil de informações entre países.

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As aulas foram ministradas, em grande parte, pelo Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS), coordenado pelo Departamento de Emergências em Saúde Pública da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (DEMSP/SVSA/MS), reforçando a cooperação técnica entre os países.

Segundo o consultor técnico do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, Otto Nienov, os participantes se mostraram motivados e destacaram a importância de manter espaços de articulação, além da necessidade de criar ambientes de comunicação fluida, compartilhada e formal entre as cidades fronteiriças. “Essa capacitação é muito importante para promover a integração e o fortalecimento das capacidades de preparação, de vigilância e de resposta emergencial de saúde pública nas regiões fronteiriças. Especificamente nessa atividade, em Ciudad del Este, tivemos o envolvimento de 25 profissionais, de 16 municípios de fronteira dos quatro países”, disse o facilitador da atividade, que é um dos representantes do Brasil no projeto.

O projeto está inserido na agenda da cooperação Sul-Sul, visando a integração sanitária regional e o fortalecimento dos sistemas de saúde nas fronteiras do Mercosul. Essa iniciativa também contribui para o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 da Agenda 2030, que busca assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos.

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A capacitação marcou a primeira ação conjunta envolvendo quatro Programas de Treinamento em Epidemiologia de Campo (FETP) de países da América do Sul, articulados pela RedSur, que pretende replicar o modelo em outras regiões fronteiriças, ampliando a resposta coordenada e a integração regional em saúde.

Participaram representantes de cidades fronteiriças consideradas prioritárias, como Clorinda, Formosa, Concordia, e Paso de los Libres na Argentina; São Borja, Santana do Livramento, Foz do Iguaçu, e Uruguaiana no Brasil; Puerto Falcón, Alberdi, Pedro Juan Caballero e Ciudad del Este, no Paraguai; e Rivera, Paysandú, Melo e Rocha no Uruguai.

Por Suellen Siqueira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Brasil avança no desenvolvimento da primeira vacina do mundo contra malária vivax

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O Brasil avança no desenvolvimento da primeira vacina do mundo contra a malária causada pelo Plasmodium vivax, parasita responsável pela maioria dos casos da doença no país. Neste sábado (10), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da apresentação do estudo, que recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para testes em humanos. O imunizante, chamado de Vivaxin, é fruto de pesquisas conduzidas pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A tecnologia é 100% nacional, com incentivo previsto de R$ 12 milhões do Ministério da Saúde para os ensaios clínicos de fases I, II e III.

“O país tem conseguido reduzir os casos e os óbitos por malária, mas a doença ainda é um problema importante para o país e para o mundo. O início do estudo clínico dessa vacina, desenvolvida integralmente em uma universidade pública brasileira, representa um avanço na busca por novas ferramentas de enfrentamento à doença e reforça a capacidade do Brasil de desenvolver soluções científicas próprias para ampliar a proteção da população”, destacou o ministro.

O estudo clínico de fase I avaliará a segurança da vacina, possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica em 48 participantes sem infecção prévia, com idades entre 18 e 59 anos. O acompanhamento clínico será feito por 360 dias. O avanço na pesquisa da tecnologia representa um marco e abre a possibilidade de uma nova forma de prevenção contra a doença, que, em 2025, registrou 118.037 casos no território nacional. As duas vacinas contra malária recomendadas atualmente foram desenvolvidas para outra espécie do parasita, o Plasmodium falciparum, predominante na África. O P. vivax predomina nas Américas e na Ásia.

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O CTVacinas integra o Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas), um complexo científico estratégico para ampliar a capacidade do país de desenvolver vacinas e outras tecnologias de saúde. A previsão de investimento do Ministério da Saúde é de R$ 161,5 milhões em projetos para o desenvolvimento de imunizantes e testes inovadores, liderados pela unidade ou em parceria, por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL), sendo R$ 135,5 milhões destinados a projetos do próprio Centro.

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Foto: Laudemiro Bezerra/MS

Além da vacina contra a malária, o CTVacinas atua em outros projetos: uma plataforma de testes rápidos para diagnóstico de emergências sanitárias e agravos críticos para o SUS e sua validação por meio da produção de um TR para hepatite delta; vacina terapêutica para doença de Chagas; desenvolvimento de testes diagnósticos para malária e leishmaniose tegumentar; vacina para MPox baseada no vírus MVA; e vacina nasal de nanopartículas, para o controle da covid-19.

A unidade também atua para ampliar a capacidade brasileira em tecnologias de RNA mensageiro, uma plataforma na qual as instruções utilizadas para estimular o sistema imunológico podem ser modificadas de acordo com o agente infeccioso ou a doença que se pretende combater. O CTVacinas foi aprovado como Centro de Competência em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA), em uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), com R$ 60 milhões para quatro anos.

FarmaVax

Durante a visita do ministro Alexandre Padilha, também foi firmado um acordo entre a Hemobrás, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), a FarmaVax, unidade EMBRAPII de Inovação de Fármacos e Vacinas da UFMG – da qual o CTVacinas faz parte – e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP) para pesquisa, desenvolvimento e inovação. O projeto, com investimento de R$ 5 milhões e vigência de 12 meses, prevê o desenvolvimento de terapia genética para hemofilias A e B utilizando sistemas avançados de entrega por nanopartículas. Do total, R$ 2,6 milhões serão aportados pela Hemobrás, R$ 1,6 milhão pela EMBRAPII e R$ 694 mil pela UFMG/FarmaVax.

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A iniciativa integra os esforços para fortalecer a capacidade nacional de desenvolver e produzir medicamentos biológicos estratégicos para o SUS. No caso do emicizumabe, medicamento biológico utilizado no tratamento da hemofilia A, está em avaliação uma proposta de armazenamento do Banco de Células Mestre na unidade da empresa na Basileia, na Suíça, com garantias de acesso e fornecimento para viabilizar a transferência de tecnologia e a produção nacional. O arranjo definitivo deverá assegurar a absorção tecnológica pela Hemobrás.

Hospital Santa Rita é referência em alta complexidade cardiovascular

Em Contagem (MG), o ministro visita a hemodinâmica do Hospital Santa Rita, referência regional no diagnóstico e tratamento de doenças cardiovasculares e vasculares de alta complexidade, com suporte cardiológico 24 horas. Entre os procedimentos ofertados estão cateterismos, angioplastias, ablação de arritmias e implantes de marcapasso.

Entre 2023 e 2026, a unidade registrou 20.778 atendimentos e internações pelo SUS, sendo 8.750 (42%) em 2026, ano em que iniciou a assistência de alta complexidade cardiovascular, após habilitação pelo Ministério da Saúde, em dezembro de 2025.

A estrutura conta com 163 leitos, dos quais 62 são destinados ao SUS. A oferta inclui leitos clínicos, cirúrgicos e de UTI para pacientes da rede pública.

Taís Nascimento
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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