Saúde
Brasil recebe lançamento de série especial da revista Lancet sobre ultraprocessados, com destaque ao Guia Alimentar
Publicado em
4 de dezembro de 2025por
Da Redação
O secretário executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, destacou que o aumento mundial no consumo de alimentos ultraprocessados exige políticas de Estado intersetoriais, pois a saúde é apenas onde a questão se torna mais evidente e as desigualdades precisam ser consideradas. “O Brasil é reconhecido por avanços importantes que são inspiração pelo mundo. A gente enfrentou a indústria do tabagismo com regulamentação e com a organização do Sistema Único de Saúde (SUS), pensando na prevenção, na promoção da saúde, no controle e na assistência. Agora é hora de enfrentar essa questão com ações articuladas globalmente”, defendeu.
Os três artigos da série incluem a classificação Nova, a mesma utilizada no Guia Alimentar brasileiro, que separa os alimentos pela extensão e propósito de processamento: in natura ou minimamente processados (como verduras, frutas, arroz, feijão e ovos); ingredientes culinários processados (sal, óleo, açúcar); alimentos processados (pão caseiro e queijos, por exemplo); e ultraprocessados (macarrão instantâneo, biscoito recheado, refrigerante, etc). A edição especial da The Lancet investigou o impacto dos ultraprocessados no aumento de doenças crônicas não transmissíveis; as políticas para conter o avanço da produção, do marketing e do consumo desses alimentos; e determinantes comerciais e poder corporativo.
Evidências científicas
A classificação Nova foi criada pelo pesquisador brasileiro Carlos Monteiro, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP). Ele é um dos 43 autores que participaram da edição especial da The Lancet, e apresentou, no evento, o primeiro artigo, contextualizando a evolução do debate sobre ultraprocessados na ciência.
A tese central da pesquisa brasileira era que substituir padrões tradicionais de se alimentar pelo padrão ultraprocessado é um determinante-chave para as doenças crônicas relacionadas à alimentação não saudável. A partir disso, foram testadas três hipóteses: o crescimento do consumo de ultraprocessados leva à diminuição do consumo de opções alimentícias mais saudáveis, causando um desbalanço nutricional; a exposição a esse padrão deteriora a qualidade da dieta relacionada a doenças crônicas (com aumento da ingestão calórica e consequente ganho de peso); e o hábito amplia o risco de diversas doenças crônicas.
Todas as hipóteses foram testadas e confirmadas no Brasil e, posteriormente, testadas em outros países – nos últimos cinco anos, houve um crescimento de mais de 90% na produção de artigos sobre ultraprocessados globalmente – com dezenas de estudos respaldando a tese e justificando a necessidade de uma resposta global.
Guia Alimentar para a População Brasileira
O segundo artigo, apresentado no evento pela pesquisadora Patrícia Jaime (Nupens/USP), aborda estratégias nacionais para a questão dos ultraprocessados. Ele cita que, em 2014, o Brasil se tornou o primeiro país a recomendar a restrição de alimentos ultraprocessados no Guia Alimentar nacional, uma decisão que influenciou iniciativas importantes no território, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e a reforma tributária. A partir da experiência brasileira, hoje, as recomendações para a redução do consumo de ultraprocessados estão sendo incluídas em um número crescente de Guias Alimentares pelo mundo.
A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Kelly Alves, lembrou que a publicação foca em recomendações de padrões alimentares, e não de alimentos específicos, além de trazer uma linguagem acessível. “É muito importante traduzir as recomendações do Guia como ‘prefira’ e ‘evite’, e não a partir de imposições que desconsideram as realidades das pessoas nem da supervalorização de nutrientes, que confundem mais do que informam e são reducionistas”, ressaltou.
Patrícia Jaime reforçou que tirar o foco dos nutrientes e colocar nos ultraprocessados também impacta as políticas, que passam a ir além da reformulação dos alimentos e a considerar, também, os ambientes alimentares (como é a oferta e o acesso de alimentos adequados e saudáveis nos territórios, principalmente entre populações mais vulnerabilizadas), o marketing das corporações, a cadeia de abastecimento e o consumo.
Mais ações do governo federal
Atualmente, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que abastece as escolas públicas e foi lembrado por vários palestrantes, incorporou recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, com 90% das refeições com base em alimentos in natura e minimamente processados, além de 30% dos alimentos serem adquiridos da agricultura familiar. Ainda no âmbito escolar, o secretário executivo destacou o Programa Saúde na Escola (PSE), que tem entre as ações prioritárias a promoção da alimentação saudável e a prevenção da obesidade.
A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição lembrou que o Ministério da Saúde e o Ministério do Trabalho e emprego estão trabalhando juntos na construção de uma nova normativa para o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), alinhada às recomendações do Guia Alimentar.
Já o pesquisador da Universidade de Sidney Philip Baker, que apresentou o terceiro artigo da série, focado em ações globais para a restrição dos ultraprocessados a partir da compreensão dos interesses corporativos, citou a Constituição Federal do Brasil, que prevê o direito à alimentação, e as políticas de enfrentamento à fome, como o Bolsa Família. “O Brasil está liderando a luta contra a insegurança alimentar, má nutrição e alimentos ultraprocessados”, opinou.
Após as exposições dos pesquisadores, a programação seguiu com um debate sobre soluções práticas para reduzir a influência dos alimentos ultraprocessados com especialistas de organismos internacionais e da sociedade civil organizada. A conversa foi mediada pela cozinheira e apresentadora Rita Lobo, que abordou a relação entre os ultraprocessados e a sobrecarga feminina. “Para tirar os ultraprocessados da mesa, a gente tem que cozinhar mais, e para cozinhar mais, as pessoas vão falar ‘poxa, mas as mulheres não têm tempo’. Mas quem disse que tem que ser as mulheres as que têm que cozinhar?”, provocou. Ela reforçou que cozinhar não é dom, é aprendizado, e todas as pessoas precisam saber.
O lançamento da versão em português da série Alimentos Ultraprocessados e Saúde Humana foi organizado pelo Ministério da Saúde, a Fiocruz Brasília, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o Programa Mundial de Alimentos (WFP Brasil) e o Nupens/USP. O evento também contou com representantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da ACT – Promoção da Saúde, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Ministério da Saúde do Peru (o último, por videochamada).
Fonte: Ministério da Saúde
Saúde
No Rio de Janeiro, Lula e Padilha ampliam acesso à saúde especializada com entrega de 43 veículos para transporte de pacientes do SUS
Published
2 dias agoon
23 de maio de 2026By
Da Redação
Em agenda na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, neste sábado (23), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, entregaram os primeiros veículos do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde para o estado do Rio de Janeiro. Ao todo, foram entregues 42 veículos para transporte de pacientes do SUS e uma ambulância do SAMU 192, reforçando o acesso da população à saúde especializada e ao atendimento de urgência.
A agenda conjunta também incluiu a inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fundação Oswaldo Cruz e o lançamento do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforça que o programa Caminhos da Saúde garante que os pacientes tenham acesso ao cuidado no tempo certo. “Com o programa, o Ministério da Saúde está levando dignidade e acesso à população que mais precisa do SUS. Nenhuma pessoa deve deixar de fazer um tratamento por falta de transporte”, destacou.
Do total de veículos entregues, 40 micro-ônibus e duas vans vão beneficiar 39 municípios fluminenses, ampliando o acesso da população a serviços especializados do SUS, especialmente para pacientes que precisam percorrer longas distâncias para realizar consultas, exames, cirurgias, sessões de radioterapia, hemodiálise e outros tratamentos. O investimento total da entrega deste sábado supera R$ 24,2 milhões, por meio do programa Agora Tem Especialistas e de recursos do Novo PAC Saúde.
Os micro-ônibus entregues contemplam os municípios de Areal, Bom Jardim, Cachoeiras de Macacu, Carmo, Casimiro de Abreu, Comendador Levy Gasparian, Cordeiro, Engenheiro Paulo de Frontin, Guapimirim, Mangaratiba, Mendes, Miguel Pereira, Paracambi, Paraty, Paty do Alferes, Petrópolis, Rio Bonito, São José do Vale do Rio Preto, Tanguá, Teresópolis, Vassouras, Aperibé, Cambuci, Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, Duas Barras, Italva, Itaocara, Miracema, Paraíba do Sul, Porciúncula, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São Fidélis, São João da Barra, São Sebastião do Alto, Sapucaia e Sumidouro.
Já as vans serão destinadas aos municípios de Comendador Levy Gasparian e Cantagalo. O município de São João de Meriti recebeu uma ambulância do SAMU.
Maior oferta de atendimento especializado em todo o país
Em todo o país, o Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde vai entregar 3,3 mil veículos, entre vans, micro-ônibus e ambulâncias. É a primeira vez na história que o transporte de pacientes do SUS e de seus acompanhantes será custeado pelo Governo do Brasil, com investimento superior a R$ 1,4 bilhão. Com a iniciativa, as desigualdades regionais e as distâncias geográficas deixam de ser obstáculos para o acesso contínuo e humanizado aos cuidados especializados.
Além de garantir o transporte para pacientes do SUS de forma gratuita e digna, o programa Agora Tem Especialistas atua em diversas frentes para reduzir o tempo de espera por atendimento especializado no SUS. Entre as ações estão carretas de saúde, mutirões aos fins de semana, reativação de espaços ociosos em hospitais públicos, ampliação do horário de funcionamento de policlínicas, contratação de médicos especialistas e ampliação do atendimento a pacientes do SUS em hospitais privados e filantrópicos credenciados.
As iniciativas já contribuíram para resultados expressivos na rede pública. Em 2025, o país alcançou a marca de 14,9 milhões de cirurgias eletivas — crescimento de 42% em relação a 2022 —, além de registrar 1,3 milhão de exames especializados e 14 milhões de internações realizadas pelo SUS.
Gabriel Lisita
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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