Saúde
Brasil articula consórcio de pesquisa em câncer com a participação de 11 instituições
Publicado em
28 de maio de 2026por
Da Redação
O Ministério da Saúde tem ampliado as estratégias para consolidar no Brasil modelos de governança, financiamento e programas voltados à inovação e ao desenvolvimento de tecnologias para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), reuniu, na última terça-feira (26/05), representantes de 11 instituições brasileiras de referência para articular um projeto inédito: a criação de um consórcio nacional de pesquisa em câncer.
Diante do aumento dos casos de câncer e da necessidade de respostas mais rápidas para a população, a proposta foi criar uma rede colaborativa formada por hospitais, universidades e centros científicos nacionais e internacionais. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de vacinas, exames, diagnósticos e tratamentos voltados aos pacientes do SUS.
De acordo com a secretária da SCTIE, Fernanda De Negri, a proposta não é criar um projeto temporário, mas estabelecer uma governança colaborativa e infraestrutura capaz de atender todas as regiões do país. “Ao transformar o consórcio em uma política de Estado, por meio de instrumentos que institucionalizam esse grupo, damos longevidade e estabilidade à iniciativa. A forma como essa rede foi estruturada permite viabilizar investimentos, garantir a continuidade das pesquisas e assegurar o funcionamento permanente do projeto”, explicou Fernanda De Negri.
Estrutura do consórcio
A concepção do consórcio nacional surgiu após a assinatura de um acordo estratégico entre o Ministério da Saúde e a Universidade de Oxford, voltado ao desenvolvimento de vacinas contra o câncer. Com o avanço da proposta, foi instituído um grupo de trabalho responsável pela elaboração do projeto operacional da iniciativa de pesquisa, que inclui modelo de gestão, princípios, metodologia e definição dos comitês técnicos.
O representante do HCor na reunião, Alexandre Biasi Cavalcanti, explicou que as prioridades incluem integrar a capacidade científica das principais instituições brasileiras, além de ampliar a cooperação internacional. “O Brasil tem capacidade científica para liderar uma rede de pesquisa em câncer no hemisfério sul, conectando inovação, saúde pública e cooperação internacional. O maior beneficiado será o paciente, que poderá ter acesso mais rápido a diagnósticos mais precisos e tratamentos inovadores”, afirmou.
O projeto conta com apoio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit), vinculado a SCTIE, e reúne instituições como AC Camargo, Beneficência Portuguesa, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Sírio-Libanês, Instituto Nacional do Câncer (Inca), Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais (CNPEM), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e é coordenado pelo Hospital do Coração (HCor).
Plataforma colaborativa
O consórcio será implantado em etapas. A primeira fase prevê a criação de uma infraestrutura integrada de pesquisa, considerada um dos principais diferenciais do projeto. Atualmente, os dados sobre estudos oncológicos no Brasil ainda estão fragmentados entre diferentes instituições.
A proposta é desenvolver uma grande plataforma nacional de oncologia, reunindo informações padronizadas em um ambiente compartilhado e seguro. A estrutura permitirá acompanhar os pacientes ao longo do tempo e tornar mais rápida a avaliação da eficácia dos tratamentos e dos resultados das pesquisas.
Na plataforma colaborativa terá um biobanco nacional, com armazenamento de materiais como DNA, sangue, plasma, tecido tumoral e outras amostras biológicas, além de dados de ensaios clínicos e análises científicas. A expectativa é que a centralização dessas informações acelere a produção de conhecimento e facilite o desenvolvimento de novas terapias para a população brasileira.
Janine Russczyk
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Saúde
Cuidado integral à saúde das gestantes indígenas é prioridade do Ministério da Saúde
Published
18 horas agoon
28 de maio de 2026By
Da Redação
No Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna, celebrado neste dia 28 de maio, o Ministério da Saúde destaca a importância dos cuidados no período pré-natal e no pós-parto para a saúde da mãe e do bebê. Instituída pela pasta, a data promove, a nível nacional, o diálogo sobre a necessidade de ampliação das políticas públicas voltadas ao cuidado integral a saúde das gestantes. Considerado um importante indicador de qualidade de vida da população, é ainda mais relevante quando se trata de áreas de difícil acesso aos serviços de saúde.
Nos territórios indígenas, por meio de ações coordenadas pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), o Ministério promove diversas iniciativas voltadas à saúde da mulher. Destacam-se a ampliação do acesso ao pré-natal, a qualificação da assistência em regiões remotas do país e, principalmente, a estruturação e incentivo à criação de políticas públicas que reconheçam o corpo, a cultura, o território e os saberes tradicionais dos povos indígenas.
“A redução da mortalidade materna entre as indígenas mulheres exige um cuidado que respeite os territórios, as ciências indígenas e a realidade de cada povo. Nosso compromisso é garantir que essas mulheres tenham acesso a uma assistência qualificada, humanizada e segura, desde o pré-natal até o pós-parto, inclusive nas regiões mais remotas do país”, afirma a secretária-adjunta da Sesai, Putira Sacuena.
Entre as estratégias desenvolvidas pelo Ministério da Saúde está a Rede Alyne, política nacional voltada à redução da morbimortalidade materna e infantil, especialmente entre populações negras e indígenas. A iniciativa busca garantir atenção humanizada e de qualidade à gestante, à parturiente, à puérpera, ao recém-nascido e à criança, além de fortalecer a articulação entre os diferentes níveis de atenção à saúde.
Atuação local
Nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei), a Sesai intensificou o monitoramento dos indicadores maternos e infantis e ampliou ações de qualificação das equipes multiprofissionais de saúde indígena. Entre os principais eixos, está o fortalecimento do cuidado ao longo de todo o ciclo gravídico-puerperal, desde o pré-natal até o pós-parto, garantindo atendimento mais qualificado e humanizado.
As ações também incluem prevenção, diagnóstico e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, HIV/aids e hepatites virais, além de atividades educativas voltadas à saúde sexual e reprodutiva e estratégias de enfrentamento à violência doméstica e familiar.
Outro avanço é a ampliação do acesso a métodos contraceptivos, garantindo às mulheres indígenas maior autonomia sobre sua saúde reprodutiva. Entre os métodos ofertados estão DIU de cobre, contraceptivos hormonais, preservativos e implantes contraceptivos subdérmicos de longa duração.
A Sesai também vem fortalecendo a linha materna e infantil por meio do Projeto Cuidado Especializado Digital (CED), desenvolvido em parceria com o Hospital Sírio-Libanês no âmbito do Proadi-SUS. A estratégia amplia o acesso à atenção especializada em territórios remotos por meio de teleconsultas, teleinterconsultas e teleconsultorias.
Telessaúde em regiões remotas
As estratégias já vêm sendo aplicadas em diferentes territórios indígenas do país, especialmente em regiões de difícil acesso, onde a telessaúde tem se tornado uma importante aliada no cuidado.
Como parte dessas ações, entre os dias 20 e 22 de maio, o Dsei Alto Rio Negro promoveu, em São Gabriel da Cachoeira (AM), a oficina “Telessaúde na Linha de Cuidado Materna: Qualificação do Pré-Natal de Alto Risco”.
A iniciativa reuniu profissionais de saúde, lideranças indígenas e instituições parceiras para discutir desafios e estratégias relacionadas à assistência materna em territórios de difícil acesso. Durante a programação, foram abordados temas como telemonitoramento em áreas remotas, classificação de risco gestacional, prevenção da transmissão vertical de infecções, manejo de diabetes e hipertensão na gestação, emergências obstétricas e assistência ao parto seguro.
A oficina também destacou a integração entre saberes tradicionais e práticas de saúde, com debates sobre a atuação de parteiras indígenas, humanização do parto, violência obstétrica e direitos das gestantes.
A ação contou com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Defensoria Pública do Estado, Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam), reforçando a articulação interinstitucional em defesa da saúde materna indígena.
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Leidiane
Silvia Alves
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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