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Soluções para agricultura familiar em Alta Floresta passam por energia solar, irrigação e infraestrutura

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O fortalecimento da agricultura familiar em Alta Floresta e região passa pela aquisição e disponibilização de energia solar, por um amplo programa de irrigação que leve água às plantações do entorno da cidade e por ações que ampliem a capacidade de escoamento da produção. Essas são as soluções apontadas para atender às demandas por aumento do cultivo e acesso a recursos hídricos, apresentadas pelo segmento da agricultura familiar durante audiência pública realizada na noite de terça-feira (15), na Câmara Municipal de Alta Floresta (distante 809 km ao norte de Cuiabá).

Com o tema “Água, Terra e Gente: Construindo o Futuro do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar”, o debate reuniu agricultores, lideranças comunitárias, representantes de movimentos sociais e instituições públicas, e defendeu a democratização do acesso à terra, com foco em justiça social e sustentabilidade no campo.

A deputada Professora Graciele (PT), autora da proposta da audiência, destacou que, em 2024, Alta Floresta enfrentou sérios problemas de abastecimento, chegando a uma situação crítica com a seca do rio Taxidermista, uma das principais fontes hídricas na região. “Vimos ouvir a população. Sabemos da gravidade do problema de acesso à água e da necessidade de melhorar a capacidade de escoamento da produção, para que o agricultor consiga entregar o que produz e isso chegue à mesa da população”, afirmou a parlamentar.

O prefeito Valdemar Gamba, que participou da audiência, destacou os esforços do município para retomar o plantio em larga escala de culturas que já tiveram destaque na região, como o cacau e o café, mas que hoje estão em declínio. A principal aposta do município é o cultivo do café, apontado como estratégico para impulsionar o crescimento econômico local. Segundo os produtores, o cultivo do tipo “clone”, desenvolvido em laboratório, representa a alternativa mais rentável para essa retomada.

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Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

A presidente da Associação Comunitária Rural Sol Nascente, Ana Aparecida Bandini Rossi, relembrou que a região viveu o auge do cultivo do café no final dos anos 1990, mas a dificuldade para escoar a produção levou muitos agricultores a deixar de plantar. Agora, com a chegada dos grãos do tipo “clone”, melhorados em laboratório e cedidos pela prefeitura de Alta Floresta, em parceria com o governo do estado, os produtores retomaram o cultivo. Segundo ela, hoje é possível produzir mais, em menos espaço e em menos tempo, o que tem deixado os produtores satisfeitos com o resultado.

“Antes, demorava cinco anos para a primeira colheita. Agora, com a nova forma de cultivo, utilizando o clone, basta um ano para iniciarmos a colheita. Com dois anos, já temos um produto de maior qualidade e alta produtividade”, comemorou a presidente da associação.

A luta agora, segundo ela, é pela implementação de um amplo projeto de irrigação e pela viabilização de financiamentos para a compra de veículos que possibilitem o escoamento da produção. Ana destacou que, atualmente, as novas variedades, aliadas a um sistema de irrigação e a uma política de fomento ao escoamento da produção é a necessidade de todo pequeno produtor da região.

“Uma saca do café clone está sendo vendida em média a R$ 970,00, podendo chegar a até R$ 1.800,00. O clone tem alta produtividade, preço e demanda, mas precisamos de poços para irrigar, sistema solar para garantir uma energia limpa e acessível e carros para escoar a produção para que o produto possa sair do campo e chegar ao mercado consumidor”, ratificou Ana. Além de café e cacau, que tiveram suas produções retomadas, ela destacou que o município produz mel, queijo, leite, castanhas, sementes crioulas e florestais, feijão, entre outras culturas.

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A regularização fundiária e o acesso a financiamento para toda a cadeia do processo produtivo também foram pautas levantadas pelos participantes da audiência. Eles destacaram que muitos produtores ainda não possuem a documentação da terra, o que os impede de acessar crédito bancário e dificulta o desenvolvimento da produção.

Entre as demais reivindicações está o desenvolvimento de uma política de preservação das matas ciliares e uma legislação específica para sementes florestais, já que as atuais são voltadas, em sua maioria, para a produção de grãos. Além da criação de um assentamento que permita às crianças permanecerem no campo e a formação de uma cooperativa para o manejo e comercialização dos produtos da agricultura familiar.

A deputada afirmou que levará as demandas e sugestões para os demais deputados e ao governo de Mato Grosso. “A audiência foi feita para ouvir os produtores porque são eles que estão produzindo e sabem da realidade. Ouvimos todos e vamos levar o que foi debatido para a Assembleia Legislativa e para o governo. Nossa meta é que esse produtor seja assistido e que a comida chegue à mesa da população”, finalizou.

Fonte: ALMT – MT

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Audiência pública reúne lideranças indígenas de todo o Estado no campus da UFMT em Cuiabá

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A deputada em exercício Eliane Xunakalo (PT) presidiu a audiência pública externa “Mato Grosso é Terra Indígena”, realizada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), no final da manhã desta terça-feira (12), no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. O encontro debateu as demandas dos povos originários mato-grossenses relacionadas à demarcação de territórios, educação, saúde e economia.

Segundo a parlamentar, o resultado da audiência foi positivo. “Ouvimos nossas lideranças e deixamos todos à vontade para se expressarem, seja com críticas ou elogios. Todos os temas debatidos serão encaminhados às autoridades competentes”, afirmou.

Ela explicou que o tema da audiência, “Mato Grosso é Terra Indígena”, tem como objetivo lembrar diariamente a sociedade não indígena de que mais de 60 mil pessoas pertencentes aos povos originários habitam o estado, distribuídas em 86 territórios já demarcados e mais de 20 em fase de demarcação.

“Todas as lideranças aqui presentes, caciques, cacicas, jovens, mulheres, anciãs e anciãos, sabem que Mato Grosso é terra indígena. Estamos no Cerrado, no Pantanal, na Amazônia, nas cidades e nos municípios”, disse.

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Várias lideranças indígenas compuseram a mesa da audiência. Entre elas, Silvano Chue Muquissai, graduado em Direito pela UFMT; Soilo Urupe Chue, psicólogo e pesquisador; José Ângelo da Silveira Nhambiquara, odontólogo; Maurício Kamaiurá, professor, pesquisador e colaborador do Núcleo Intercultural de Educação Indígena Takinahaky, da Universidade Federal de Goiás; e Reginaldo Tapirapé, geógrafo com pós-graduação em Ciências Sociais, Políticas Públicas e Pedagogia, além de professor e educador.

Foto: Ronaldo Mazza

Também fizeram parte da mesa, o deputado Lúdio Cabral (PT), a reitora Marluce Souza e Silva, além de Natasha Slhessarenko.

Acampamento Terra Livre de Mato Grosso (ATL-MT) – A audiência pública integra a 4ª edição do evento, considerado o mais importante evento indígena mato-grossense, reunindo 43 povos atuantes na defesa de seus territórios e na proteção ambiental dos biomas do estado.

O evento mescla debates e a luta por direitos com apresentações culturais e a Feira de Artes Indígenas.

A 4ª edição do ATL-MT é realizada pela Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt) e pela Associação Aqui é Mato, com apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e do Governo do Estado, por meio de recursos da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), viabilizados por emenda parlamentar destinada pelo deputado Lúdio Cabral. O evento também conta com apoio institucional da UFMT.

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Fonte: ALMT – MT

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