A Polícia Civil apreendeu nesta terça-feira (17.3) drogas e materiais ligados a uma facção criminosa durante operação da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) em Várzea Grande.
A ação resultou na descoberta de uma residência no bairro Manga utilizada para armazenar entorpecentes e cestas básicas associadas à facção criminosa, após denúncias recebidas pelas autoridades.
Ao chegarem ao local, os policiais constataram que o imóvel se encontrava aparentemente desabitado, com portão e portas de acesso abertas. Durante a busca ao interior da residência, os policiais localizaram em cômodo nos fundos, oculto no interior de um cano enterrado, um tablete de substância análoga à cocaína e sete porções médias da mesma substância.
Em outro ambiente da casa, foram encontradas 11 cestas básicas e nove fardos contendo produtos de limpeza, materiais que, segundo as informações obtidas, estariam vinculados ao grupo criminoso.
Todos os materiais foram devidamente apreendidos e as substâncias encaminhadas para exame junto Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Na ocasião, foi instaurado Auto de Investigação Preliminar (AIP) para aprofundar as diligências no sentido de identificar os suspeitos e apurar eventuais conexões com a organização criminosa.
Destinação das cestas
Em decisão fundamentada nos princípios da função social dos bens, da eficiência administrativa e da proporcionalidade, o delegado da Denarc, responsável pela condução da investigação, Marcelo Miranda Muniz, determinou a doação imediata das 11 cestas básicas e dos nove fardos de produtos de limpeza à Mitra Arquidiocesana de Cuiabá – Paróquia Cristo Rei, por meio de sua Conferência Vicentina Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), entidade assistencial e filantrópica com reconhecida atuação no atendimento direto a famílias em situação de vulnerabilidade social em Várzea Grande.
A destinação dos bens foi formalizada mediante lavratura de termo de doação, com assinatura do representante legal da entidade beneficiária e, posteriormente, juntada aos autos, preservando a regular cadeia de custódia.
“Essa apreensão impede que esses bens de natureza perecível sejam utilizados por organização criminosa como instrumento de cooptação social. E com a medida policial, demos a destinação legal desses produtos, revertendo seu valor em benefício direto à comunidade”, disse o delegado.
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (27.5), a Operação Tu Quoque, para cumprimento de ordens judiciais com foco na desarticulação de um esquema de roubo de entorpecentes e tráfico de drogas com ligação entre duas facções criminosas atuantes no Estado.
Na operação, são cumpridas 15 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão e 11 de busca e apreensão domiciliar, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Cáceres, com base em investigações conduzidas pela Delegacia de Pontes e Lacerda.
Também são cumpridas medidas de restrição de veículos e bloqueios de contas bancárias dos investigados, no valor de até R$ 2,5 milhões. Entre os alvos envolvidos no esquema está um praça da Polícia Militar, apontado como um dos líderes do grupo investigado.
Os mandados são cumpridos nas cidades de Pontes e Lacerda e Várzea Grande, com apoio das equipes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).
As investigações têm como foco a desarticulação de um esquema de roubo de entorpecentes subtraídos em pontos de armazenamento de drogas de uma facção criminosa na região de fronteira e que, posteriormente, eram redistribuídos por integrantes de outra facção na região metropolitana.
Segundo as investigações da Delegacia de Pontes e Lacerda, o esquema funcionava por meio de dois núcleos, um deles responsável por identificar e monitorar possíveis depósitos de drogas de uma facção criminosa na região de fronteira.
O segundo núcleo tinha uma função distinta e se deslocava da Capital do Estado para Pontes e Lacerda para atuar no roubo da droga e, posteriormente, transportar e distribuir os entorpecentes na região metropolitana.
O praça, apontado como principal alvo da operação, era o responsável pelo roubo do entorpecente, saindo da Capital para Pontes e Lacerda para subtrair a droga. Ele também fazia a separação do entorpecente para outra equipe do grupo criminoso, que atuaria na distribuição.
Desarticulação do esquema
A descoberta do esquema ocorreu após a prisão de um dos envolvidos. Na ocasião, outros integrantes do grupo conseguiram escapar, mas, com o avanço das investigações, foram identificados. Também foi descoberto o esquema envolvendo roubos ligados a facções criminosas, além da redistribuição e comercialização do entorpecente subtraído.
Além dos crimes de roubo e tráfico de drogas, as investigações identificaram o envolvimento do grupo em um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico, por meio de diversas transações bancárias envolvendo familiares, casas de apostas e empresas de fachada para a pulverização dos valores.
A expressão latina tu quoque significa literalmente “tu também” ou “até tu” e faz referência ao fato de existir, como pivô da organização criminosa, um membro das forças de segurança, representando uma significativa quebra da confiança depositada e esperada dos agentes públicos.
Operação Pharus
A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado.
Renarc
A operação faz parte da sexta fase da Operação Narke, da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento do Narcotráfico (Renarc). A rede reúne delegados titulares das unidades especializadas e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (DIOPI), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para traçar estratégias de enfrentamento ao narcotráfico.
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