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Dois irmãos envolvidos em homicídio na noite de sábado são presos em flagrante após força-tarefa policial

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Dois irmãos, autores de um homicídio ocorrido na noite de sábado, em Comodoro, foram presos em flagrante horas depois em diligências conjuntas das Polícias Civil e Militar, quando tentavam fugir em direção à cidade de Campos de Júlio. Um deles, o que fez os disparos contra a vítima, foi detido na cidade de Vilhena, em Rondônia, na tarde deste domingo (24).

O crime ocorreu em uma lanchonete, em uma das vias principais da cidade de Comodoro, que estava cheia de clientes na hora dos disparos. João Gabriel Teixeira dos Santos, de 25 anos, foi atingido com três disparos de arma de fogo desferidos por um dos irmãos, de 27 anos, que fugiu junto com seu irmão de 25 anos na sequência.

Investigadores da Polícia Civil estavam em uma confraternização na área externa da lanchonete, quando a vítima passou pelos policiais tentando se desvencilhar dos disparos, mas caiu logo à frente, na entrada da lanchonete. Os suspeitos estavam em um veículo Chevrolet Prisma branco e o passageiro armado, efetuava os disparos sem se importar com a presença de outras pessoas que estavam no estabelecimento.

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Um dos policiais ainda tentou impedir a sequência de disparos, mas a vítima já tinha sido atingida. Após se certificar de que outras pessoas não foram atingidas, os investigadores acionaram as forças de segurança do município e iniciaram as buscas pelo veículo e os suspeitos, que saíram em direção à cidade de Campos de Júlio, coordenadas pela Delegacia de Comodoro.

Uma equipe permaneceu na lanchonete para apurar as informações sobre a vítima e aguardar a perícia técnica. O corpo de João Gabriel foi encaminhado para exame de necropsia no IML de Pontes e Lacerda.

Diligências e prisões

As equipes policiais identificaram o veículo e em uma das barreiras para abordagem, o condutor do Prisma, de 25 anos, ignorou a ordem de parada e fugiu. Em um trecho da rodovia, em direção a Sapezal, ele perdeu o controle e caiu em uma vala nas margens da BR, se entregando aos policiais militares na sequência.

O suspeito preso declarou que os disparos foram feitos pelo seu irmão, que teria desavenças com o ex-marido da atual companheira.

O outro ocupante do veículo, que é seu irmão de 27 anos, fugiu pela mata densa às margens da rodovia. Policiais civis de Campos de Júlio e a PM realizaram buscas nas imediações para localizar o suspeito que fugiu, mas sem êxito naquele momento.

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Uma equipe da Polícia Civil seguiu com as buscas e nesta tarde de domingo, conseguiu localizar o suspeito e autor do disparos, de 27 anos, já na cidade de Vilhena, em Rondônia.

Esposa também detida

Os policiais apuraram ainda que a esposa do suspeito do homicídio e ex-mulher de João Gabriel, informou ao marido e ao cunhado que estava aguardando os dois em um posto de combustíveis em Comodoro, em um táxi, onde foi encontrada com malas, bolsas e na companhia dos dois filhos pequenos.

A Polícia Civil alcançou a mulher no local combinado e a conduziu para a delegacia sob a suspeita de dar apoio à fuga dos autores do homicídio. No aparelho celular da mulher foram encontradas conversas mantidas entre seu atual companheiro e a vítima com ameaças e ofensas.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá

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A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.

Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.

A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.

“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela

Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.

“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.

Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.

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“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.

Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola

A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.

“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.

Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.

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O que diz a lei e o papel da escola

O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.

De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).

Prevenção como projeto de Estado

Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.

Serviço

Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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