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MP vai analisar falas discriminatórias de deputado contra mulheres

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O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, Deosdete Cruz Junior emitiu despacho nesta quarta-feira (31) encaminhando Notícia de Fato ao Núcleo de Ações de Competência Originária – NACO, formalizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OB), seccional de Mato Grosso, e pela Comissão de Mulheres Advogadas, na qual solicitam a apuração de possível prática de “discriminação contra mulheres” e de “desobediência aos deveres inscritos na Constituição do Estado de Mato Grosso, bem como da Constituição da República” pelo deputado estadual Gilberto Catani (PL).

Em pronunciamento na Assembleia Legislativa e postagens de vídeos nas redes sociais, o parlamentar fez comparações entre os períodos reprodutivos de vacas e mulheres para se posicionar contra o aborto e chegou a se desculpar com suas vacas por tê-las comparado às mulheres.

“Remeta-se o feito ao Núcleo de Ações de Competência Originária – NACO, para análise da representação sob a perspectiva criminal; assim como, em atenção ao princípio do Promotor Natural, encaminhe-se cópia integral à 25ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá, que possui atribuições para atuar, dentre outras matérias, contra discriminação de gênero na Comarca da Capital, para conhecimento e providências julgadas pertinentes”, determina o procurador-geral.

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Na Notícia de Fato protocolada na Procuradoria Geral de Justiça, a OAB-MT elenca quatro atitudes e/ou ações do deputado Gilberto Catani que denigrem e discriminam as mulheres gestantes e feministas, ferindo preceitos estabelecidos nas constituições estadual e federal.

A primeira delas é o pronunciamento feito pelo deputado na Assembleia Legislativa em sessão de instalação de uma Frente Parlamentar Contra o Aborto, quando tece comparativos entre os “cios” de bovinos fêmeas e as mulheres gestantes, criticando as feministas e “essas pessoas que defendem o assassinato de bebês, no ventre da sua mãe”.

A segunda manifestação do parlamentar liberal apontada como discriminatória pela OAB é a publicação de um vídeo em redes sociais no qual uma senhora, identificada como sua esposa, imita vacas emitindo mugidos típicos de bovinos. A terceira ocorrência apontada pela entidade representativa dos advogados e advogadas é um pronunciamento de Catani dirigido a outro parlamentar, nos seguintes termos: “…quanto à minha mulher mugir para mim, deputado Wilson, é porque ela gosta, é porque ela gosta e gosta muito”, referindo-se a um vídeo em que sua esposa muge diante da câmera de filmagem.

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A quarta ação do deputado apontada como discriminatória pela OAB é a postagem de outro vídeo nas redes sociais, no qual pede desculpas a vacas de sua propriedade, reunidas em um curral, por compará-las a mulheres feministas. Diz o parlamentar liberal no vídeo, dirigindo-se às vacas: “Meninas, eu quero que vocês fiquem sabendo que eu nunca comparei a gestação de vocês com outro animal ou coisa nesse sentido. (…) e a mídia colocou como se tivesse comparado com as feministas, com as militantes feministas, e isso eu jamais faria. Portanto, eu queria pedir a vocês que me desculpem (…). Eu jamais iria comparar vocês com as feministas. Me perdoem, do fundo do meu coração”.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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MPMT participa de debate nacional sobre política de cuidados no CNJ

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A convite do presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luiz Edson Fachin, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) participou, nesta segunda-feira (25), do Circuito dos Cuidados, realizado em Brasília (DF), representado pela promotora de Justiça Itâmara Guimarães Rosário Pinheiro. A presença do MPMT evidenciou o compromisso institucional com a promoção e a defesa dos direitos relacionados ao cuidado, tema que vem ganhando relevância no debate público em razão de seus impactos sociais e institucionais.O evento ampliou as discussões acerca do trabalho de cuidado, frequentemente invisibilizado, mas essencial para a manutenção da vida, do bem-estar e do funcionamento da sociedade, além de evidenciar as desigualdades históricas de gênero que marcam essa atividade. A programação reuniu representantes do sistema de Justiça, da academia e da sociedade civil, consolidando um espaço de diálogo sobre temas como acolhimento, maternidade, dignidade menstrual, divisão social e de gênero do cuidado e fortalecimento de redes de apoio. Durante o evento, a programação contemplou uma roda de conversa com mães impactadas pela epidemia do Zika vírus, mediada pela antropóloga e professora Débora Diniz, na qual foram compartilhadas vivências sobre maternidade, cuidado e acesso a direitos e políticas públicas. Também foi apresentada a exposição “Ainda”, com curadoria etnográfica da mesma pesquisadora, reunindo registros e objetos que retratam a reconstrução da vida de famílias afetadas pelas consequências da epidemia.O circuito incluiu ainda o lançamento do curta-metragem “Precisamos Falar de Cuidados”, dirigido pela documentarista Paula Sacchetta, que reuniu depoimentos colhidos em 17 tribunais brasileiros, abordando os impactos do trabalho de cuidado no cotidiano e propondo reflexões sobre sua distribuição desigual na sociedade.A agenda contou, igualmente, com debate promovido pelo Instituto Alana sobre dignidade menstrual e políticas de cuidado, além da apresentação de resultados preliminares de pesquisas realizadas com os 91 tribunais brasileiros e mais de 15 mil integrantes do Poder Judiciário. Os estudos, desenvolvidos com apoio técnico do Programa Justiça Plural – parceria entre o CNJ e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), foram apresentados como subsídios para a formulação da Política de Cuidados no âmbito do Judiciário.Na ocasião, a representante do MPMT também participou, no período da manhã, de reunião do Grupo de Trabalho de Cuidados do CNJ, contribuindo para o avanço das discussões institucionais sobre a temática.No âmbito do MPMT, a promotora de Justiça Itâmara Guimarães atua como coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) à Pessoa Idosa, além de integrar a Subcomissão sobre a Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024), vinculada à Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Pessoa Idosa (COPEDPDPI), do Grupo Nacional de Direitos Humanos (GNDH). (Com informações do CNJ)
Foto: CNJ.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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