Conselheiro Antonio Joaquim

Uma revolução como consequência da governança colaborativa

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Tudo, absolutamente tudo é possível no âmbito das políticas quando a vontade política se une à articulação propositiva e a cooperação institucional.

Tudo, absolutamente tudo é possível no âmbito das políticas quando a vontade política se une à articulação propositiva e a cooperação institucional. A consequência real é a transformação de dados em decisões e decisões em resultados concretos. Em Mato Grosso, desde 2023, estamos experimentando essa revolução com a política pública voltada para a primeira infância, especialmente quanto à expansão da educação infantil e, objetivamente, relacionada à construção de creches para atender crianças de zero a seis anos. Não é exagerado a utilização da palavra revolução. Uma revolução como consequência da governança colaborativa. Explico neste relato. Se você ler até o final, ainda será brindado com uma grata surpresa.

Em 2023, um inusitado diagnóstico, talvez o primeiro do Brasil sobre filas de espera, apontou a carência de 14 mil crianças aguardando vagas em creches. Faltavam unidades escolares apropriadas na maioria dos então 141 municípios; existiam ainda muitas obras inacabadas ou paralisadas por anos a fio. Tudo isso sete anos após a aprovação do Marco Legal da Primeira Infância e o tema ganhar relevância midiática Brasil afora. Três anos, apenas, e após esse triste cenário, entramos em 2026 com um terceiro diagnóstico apontando uma queda para aproximadamente 10 mil crianças em fila de espera por vagas em creches. O que aconteceu em tão pouco tempo? Qual a mágica?

De novo, sem exagero algum, uma revolução consequência da união de vontade política, articulação propositiva e cooperação institucional. Decifrando essa operação: a vontade política nasceu no Tribunal de Contas de Mato Grosso, que criou a Comissão Permanente de Educação e Cultura (COPEC). A partir dessa iniciativa, o TCE-MT firmou parceria com uma ONG especializada na promoção de diálogo e articulação interinstitucional, o Instituto Articule. Dessa decisão, nasceu o GAEPE-MT, Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política de Educação em Mato Grosso, que reúne 19 instituições em permanente articulação, com reuniões mensais e tarefas diárias.

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Fui incisivo e decisivo na defesa de que o GAEPE-MT deveria concentrar esforços na pauta primeira infância, especialmente educação infantil, creches. Até mesmo ecoando o consenso de especialistas e estudos como do UNICEF, de que investir nessa fase é a melhor estratégia para o futuro do país. O vencedor do Prêmio Nobel de Economia James Heckman provou que primeira infância não é “gasto”, é o investimento com maior retorno para um país. Ele diz que cada dólar investido em programas de qualidade para a primeira infância retorna multiplicado em redução de criminalidade, maior escolaridade e produtividade econômica no futuro.

O certo é que o GAEPE-MT, por intermédio de todas as suas instituições reunidas e articuladas, fez o primeiro diagnóstico, chegou a um valor estimado e necessário de recursos, entendeu, se uniu e convenceu o Governo do Estado a financiar a expansão da oferta de vagas em creches – deixando a política pública de ser uma obrigação apenas dos municípios. Primeiro, conseguiu a alocação de recursos nas leis orçamentárias estaduais, um fato histórico em que tivemos a atuação decisiva do então presidente da ALMT, deputado Eduardo Botelho, e apoio unânime dos demais parlamentares. Depois, se iniciou uma fase de retomada e execução de obras, primeiro em 15 municípios, já com planejamento e previsão de recursos para alcançar 45 cidades até 2027. Objetivo: diminuir a fila em aproximadamente 8 mil vagas.

Esta semana, dias 16, 17 e 18 de março, aconteceu um caso ainda mais inusitado, que merece emoldurar nossas memórias para sempre e servir de inspiração para fortalecer a governança colaborativa. A primeira creche que será inaugurada nesse esforço mato-grossense pela primeira infância será na cidade de Poconé, uma obra iniciada em 2013 e que estava paralisada. Em visita precursora para a inauguração, a COPEC esteve naquela cidade no dia 6 de março, para produzir relatório para reunião mensal do GAEPE-MT. Obra nos detalhes finais, mas com um problema: falta de mobiliário, falta de equipamentos tipo ar-condicionado. Apenas duas salas prontas, com móveis antigos. A Prefeitura informou que tinha parcos recursos para atender a necessidade, apesar da felicidade com a obra em conclusão.

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Em reunião telefônica com a secretária-executiva da COPEC, Cassyra Vuolo, decidimos procurar recursos. Primeiro MEC, FNDE, sem chances. Voltamos os olhos para o orçamento do Estado, emendas parlamentares impositivas, emendas de bancada para a SEDUC. Ligação para alguns parlamentares. Resposta positiva do deputado Eduardo Botelho, querendo projeto descritivo. Isso no dia 16. No dia 17, a Undime, União dos Dirigentes Municipais de Educação de Mato Grosso,  foi acionada e literalmente pariu um projeto, entregue no dia 18 ao parlamentar. Acionado o presidente da ALMT, deputado Max Russi. No mesmo dia, autorização concedida e os canais competentes, tipo SEFAZ, notificados.

Em apenas três dias, a governança colaborativa produziu novos resultados. A decisão política, a articulação propositiva, a cooperação institucional conseguiram resultados concretos. A emenda de aproximadamente 800 mil reais vai mobiliar e aparelhar a Creche Pró-Infância Frei Joaquim Tébar Fernandes, onde serão atendidas 179 crianças. É ou não é uma revolução? Eu acredito que estamos no caminho certo.  E precisamos celebrar essas vitórias.

Antonio Joaquim é Conselheiro, ouvidor-geral e presidente da Comissão Permanente de Educação e Cultura do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT).

Fonte: TCE MT

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Ministério Público MT

Município regulariza medição da qualidade da água após TAC

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O Município de Itiquira (a 361 km de Cuiabá) regularizou o monitoramento da potabilidade da água fornecida à população, incluindo a análise de metais pesados e agrotóxicos. A medida atende compromisso firmado com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio da Promotoria de Justiça de Itiquira, em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) celebrado em maio deste ano no âmbito da política municipal de saneamento.As amostras foram coletadas em 12 pontos do sistema de abastecimento, sendo 11 locais de captação e a Estação de Tratamento de Água (ETA). Os exames contemplaram todos os parâmetros exigidos pela Portaria GM/MS nº 888/2021, do Ministério da Saúde, e apontaram resultados dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação.Segundo a Promotoria de Justiça, as análises realizadas anteriormente não incluíam alguns dos agrotóxicos mais utilizados na região e previstos no Anexo 9 da Portaria GM/MS nº 888/2021. Com a regularização do monitoramento, o controle passa a contemplar esses parâmetros.Além dos exames realizados por laboratório contratado pelo município, a Promotoria de Justiça de Itiquira solicitou ao Centro de Apoio Operacional às Execuções (CAEx) do MPMT a realização de uma contraprova. O objetivo é verificar se os resultados obtidos pelo laboratório privado são confirmados por análise independente.Nesta sexta-feira (2), representantes da Prefeitura de Itiquira, do Ministério Público e o professor doutor Domingos Sávio Barbosa, do Laboratório de Química Ambiental da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), reuniram-se para discutir a possibilidade de implantação de um monitoramento contínuo da qualidade da água, por meio de parceria com a instituição de ensino.Para o promotor de Justiça Claudio Angelo Correa Gonzaga, o avanço representa o cumprimento de uma demanda histórica da instituição e um importante passo para a proteção da saúde pública.“Essa é uma demanda antiga do Ministério Público. Houve compromissos firmados anteriormente e repactuados neste ano, mas o monitoramento era realizado de forma intermitente ou incompleta. Agora, o município avança para regularizar definitivamente a situação. Em um estado com uso intenso de agrotóxicos, é fundamental que a população tenha acesso a informações confiáveis sobre a qualidade da água que consome. O desafio é transformar essas análises em uma rotina permanente e fortalecer a transparência, permitindo que cada cidadão também exerça o papel de fiscal”, destacou.Transparência – Conforme previsto no TAC, todos os relatórios das análises ficarão disponíveis para consulta pública no site da Prefeitura de Itiquira. A medida busca garantir transparência e possibilitar o acompanhamento dos resultados pela sociedade. Eventuais reclamações ou inconsistências identificadas nos relatórios poderão ser comunicadas à Promotoria de Justiça de Itiquira por meio da Ouvidoria do Ministério Público de Mato Grosso, inclusive de forma sigilosa.

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Foto: Reprodução Instagram.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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