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Tribunal de Justiça promove sustentabilidade, saúde e cidadania em parceria com Nova Brasilândia

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Foto em plano aberto que mostra o plenário da Câmara de Nova Brasilândia lotada de pessoas que participam de uma audiência pública. O Poder Judiciário de Mato Grosso, juntamente com o Município de Nova Brasilândia (201 Km a nordeste de Cuiabá) promoveu o debate sobre sustentabilidade e levou serviços de saúde e cidadania à população de quase 4 mil habitantes daquela cidade. Ao longo de todo o dia de sexta-feira (15 de agosto), uma audiência pública para tratar sobre a destinação de resíduos sólidos foi realizada, na Câmara Municipal, onde o Núcleo de Sustentabilidade do Tribunal de Justiça contribuiu com uma palestra sobre o tema do evento.

Além disso, a carreta da Justiça Comunitária, equipada com dois consultórios oftalmológicos, ofereceu atendimento médico às pessoas que compareceram ao local. Ao final da tarde, no encerramento das atividades, o Programa Verde Novo também se fez presente, por meio da doação de 500 mudas de árvores frutíferas e nativas do Cerrado, que foram plantadas em dois pontos estratégicos da cidade: um parque municipal e o antigo lixão a céu aberto, que hoje está sendo recuperado.

De acordo com o juiz diretor da comarca de Chapada dos Guimarães, Leonísio Salles de Abreu Júnior, o Judiciário, como um grande parceiro do Executivo municipal, levou diversos serviços no intuito de gerar integração e beneficiar a população. “Toda estrutura do Judiciário, com a Justiça Comunitária, o Núcleo de Sustentabilidade e o Programa Verde Novo está agregando à audiência pública, trazendo os nossos serviços. Entendo que a Justiça tem que estar presente, trazendo informações, a Justiça Comunitária fazendo atendimento às pessoas carentes, para que a gente possa alcançar os pontos mais distantes da comarca, construindo pontes, mostrando que a Justiça vai muito além do Fórum, indo ao lado da população”, disse.

Segundo o prefeito de Nova Brasilândia, José Antônio Domingos Cardoso, o município já desativou o antigo lixão a céu aberto, passando a destinar os resíduos sólidos para o aterro sanitário de Campo Verde, município vizinho que já eliminou o uso de sacolas plásticas em seus estabelecimentos e, por conta disso, também não recebe esse tipo de material em seu aterro, o que levou Nova Brasilândia ao processo de também eliminar as sacolas plásticas.

Diante disso, a audiência pública teve como objetivo conscientizar a população sobre o tema e apresentar as ações que estão sendo realizadas para atender à nova realidade, como a distribuição de sacolas retornáveis à população e incentivo do comércio local quanto a ações sustentáveis, por exemplo. “Estamos nas escolas, fazendo palestras com os alunos, conscientizando sobre a retirada das sacolas, outro avanço importante é que vamos incentivar os catadores a montar cooperativas para gerar emprego. É muito importante para a cidade porque o dinheiro fica aqui. A gente paga pela destinação do lixo para Campo Verde e a gente pode diminuir esse custo, devolvendo essa renda aqui para a cidade. Eu quero aqui agradecer imensamente ao Poder Judiciário, por meio do doutor Leonísio, que está cada vez mais preocupado com o meio ambiente, pois entende o quanto isso é importante para a nossa cidade”, afirma.

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A audiência pública sobre resíduos sólidos contou com a participação massiva de autoridades e moradores. Na oportunidade, a gestora administrativa e a assessora do Núcleo de Sustentabilidade do TJMT, respectivamente, Jaqueline Schofen e Elaine Alonso, proferiram uma palestra com o tema Sustentabilidade e Resíduos Sólidos, explicando, de maneira simples e interativa, a importância da separação do lixo, como fazê-lo e os impactos disso. “A discussão hoje foi muito produtiva! Nós tratamos sobre sustentabilidade, sobre a gestão de resíduos, discutindo principalmente o impacto dos plásticos na vida da população e a possibilidade da retirada das sacolinhas plásticas aqui no município. Nosso objetivo foi trazer esclarecimento”, disse Jaqueline Schofen.

Ela afirma que o Poder Judiciário tem a obrigação de fazer a gestão de resíduos, mas que isso tem relação direta com a estrutura oferecida pelas cidades onde os fóruns estão presentes. “Quando a gente fala de gestão de resíduos, nós fazemos o nosso gerenciamento em todas as nossas 79 comarcas e temos grande dificuldade de fazer a destinação adequada porque, às vezes, a comarca ou a cidade, não possui uma destinação de resíduos, uma associação onde podemos compartilhar essa destinação. Então ações como essa, onde a cidade começa a discutir uma melhor gestão de resíduos também traz para o Poder Judiciário os benefícios de poder ter mais facilidade nessa destinação de resíduos dos nossos prédios institucionais”, explica.

Na audiência pública, além dos debates e dos serviços da Justiça estadual, A Justiça eleitoral ofereceu alistamento e atualização eleitoral e cadastramento biométrico; a Secretaria Municipal de Saúde realizou vacinação contra Influenza, covid-19, febre amarela, hepatite B e tríplice viral. A Secretaria Municipal de Assistência Social proporcionou inscrição no Cadastro Único, Bolsa Família, Cartão do Idoso, entre outros benefícios sociais. Houve ainda a doação de armações de óculos de grau.

A aposentada Natalina Francisca de Moraes, 74, saiu do sítio onde vive com o esposo para participar da audiência pública, após saber do evento por meio do vizinho. No local, ela foi surpreendida com a quantidade de serviços oferecidos gratuitamente e aproveitou para atualizar o documento eleitoral e passar por consulta com oftalmologista. “A gente assiste essas coisas pra ver o que vai acontecer, é bom que a gente fica sabendo de muitas coisas boas. Foi a primeira vez que participei de uma palestra e foi muito bom! A gente fica mais esperto, mais atento”, disse.

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Atendimentos oftalmológicos

Por meio da Justiça Comunitária, que levou sua carreta equipada com dois consultórios oftalmológicos, 155 atendimentos foram ofertados à população que compareceu ao evento, ao longo de todo o dia. O aposentado José Basílio Sobrinho, 76, foi o primeiro a chegar e ser atendido. Ele conta que estava há mais de um ano aguardando um agendamento, espera que acabou com a chegada da carreta na cidade. “Hoje eu vim, passei pelo médico, fiz exame e o encaminhamento é que tenho catarata no olho, vou precisar fazer cirurgia. Agora é só marcar no posto. Achei o atendimento bom demais! Fazia mais de um ano que estava esperando, mas, hoje, graças a Deus, foi realizado o exame e agora vou ver a cirurgia. Mas estou muito contente porque a situação de catarata é muito difícil”.

A dona de casa Maria Silva Ferreira também procurou os serviços da carreta da Justiça Comunitária, onde afirma que foi muito bem atendida. “Eu fiz meu exame de vista para trocar de óculos porque eu estudo. E foi bom porque eu tinha marcado um oculista em Cuiabá porque não sabia. A agente de saúde avisou que ia vir aqui. Livrou eu de deslocar daqui pra Cuiabá! Se não fosse isso, hoje eu estaria em Cuiabá, teria que sair daqui 4h da madrugada, mas hoje estou aqui e já fiz meu exame e já vou mandar fazer meu óculos. Ficou muito mais fácil pra mim e para todos que vieram aqui, que saíram do sítio, da fazendas… Eu estou muito feliz porque fiz meus exames. Agradeço a todos que estão aqui”, disse.



Autor: Celly Silva

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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