Tribunal de Justiça de MT

Quando o diálogo, o cuidado e o olhar humano resolvem conflitos

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A imagem apresenta o logotipo do CEJUSC (Centro Judiciário de Solução de Conflitos), com fundo azul e texto em branco. À esquerda, há um ícone de aperto de mãos dentro de um círculo, simbolizando acordo e conciliação. A proposta dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) nasce de uma ideia simples e poderosa: a Justiça também se faz no diálogo, no olho no olho, na escuta e na construção conjunta de soluções. Mais do que uma política judiciária, o Cejusc representa uma mudança para uma nova cultura – a de que conflitos podem ser resolvidos com conversa, respeito e entendimento.

Na prática, isso significa que antes de qualquer processo, antes de qualquer decisão judicial, existe um espaço onde as pessoas podem sentar, falar, ser ouvidas e, principalmente tentar resolver suas próprias histórias. É ali que a Justiça ganha rosto, nome e sensibilidade.

No dia a dia, o que chega ao Cejusc não são apenas demandas jurídicas. São histórias de vida. São famílias em reconstrução, relações desgastadas, dúvidas, inseguranças e, quase sempre, acompanhadas de sofrimento.

Na Comarca de Barra do Bugres, que atende também os municípios de Denise, Nova Olímpia e Porto Estrela, além dos distritos de Assari, Tapirapuã e Lavouras, esse atendimento se traduz em proximidade real com a população.

Homem careca, de blazer azul, está sentado em mesa de escritório. Ele olha levemente para o lado, com expressão atenta. Ao fundo, equipamentos de trabalho indicam ambiente profissional.O juiz coordenador do Centro Judiciário na comarca, Arom Olímpio Pereira, explica que o Cejusc é, essencialmente, um espaço de cidadania. “A população pode procurar o Cejusc tanto na fase pré-processual, antes mesmo de existir um processo, ou quando a ação já está em andamento. Qualquer demanda pode ser levada ao Cejusc, como problemas de relacionamento familiar, conflitos de vizinhança, dificuldades para acessar algum direito junto à prefeitura, questões com empresas de energia ou telefonia, dívidas locais ou qualquer situação que envolva um conflito ou até mesmo dúvida sobre um direito. A partir desse atendimento, a equipe do Cejusc entra em contato com a outra parte envolvida, seja um órgão público, uma empresa ou uma pessoa física, e organiza uma audiência de conciliação ou mediação, onde os interessados podem sentar, conversar e tentar chegar a um acordo, evitando a judicialização e problemas futuros”.

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Ele pontua que o Cejusc tem se mostrado um instrumento valioso. “Falamos de aproximação da Justiça com o cidadão, garantindo mais acesso, rapidez e soluções, especialmente em casos que envolvem relações pessoais, como direito de família, pensão, questões envolvendo filhos, ex-cônjuges e reconhecimento de paternidade. Nessas situações mais sensíveis, a mediação cria um ambiente mais tranquilo, conduzido por um mediador, onde as partes se sentem mais à vontade para dialogar, o que aumenta as chances de acordo”, avalia.

Mulher de cabelos escuros e longos, veste blusa azul e sorri para a câmera. Está sentada em escritório, com computador e monitor ao lado. O ambiente é claro, organizado e com itens de uso profissional.Mas é no cotidiano que essa definição ganha sentido, ganha rosto, voz e nome. A coordenadora do Cejusc, Ana Heloisa Sachuk, que atua há mais de duas décadas no Judiciário, acompanha de perto essa realidade. Segundo ela, muitas vezes o atendimento começa com um desabafo.

“As pessoas chegam aqui carregadas. Às vezes é um problema simples no papel, mas que está pesando muito na vida delas. Elas sentam, conversam, explicam, muitas choram. E quando conseguem resolver, saem mais leves”, relata.

Entre tantos atendimentos, muito emocionada, uma das centenas de histórias marcou a vida de Ana e revela o verdadeiro alcance desse trabalho.

Ela conta que na última semana atendeu a uma senhora indígena que buscava ajuda para cuidar da neta, deficiente. A filha dessa senhora havia sido vítima de violência sexual, engravidou e faleceu anos depois. A criança ficou sob os cuidados da avó, que dependia de um benefício social para cuidar da pequena. No entanto, o benefício havia sido suspenso porque a guarda da criança ainda não estava regularizada.

Corredor interno de unidade judiciária com paredes claras e piso cerâmico. À esquerda, painel com identidade visual institucional. Ao fundo, há cadeiras e mesas, com ambiente iluminado e organizado.Sem o documento, sem renda e com a responsabilidade de cuidar da neta, ela buscou apoio na Justiça.

Ana conta que para resolver a situação, era necessário realizar uma audiência e formalizar a guarda da criança. Mas o caso envolvia também o autor do crime, que possuía um mandado de prisão em aberto. No dia da audiência, ao comparecer ao Cejusc, foi detido em razão de um mandado de prisão em aberto, sendo encaminhado da Polícia Militar para a Polícia Civil e, posteriormente, ao sistema prisional.

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Mesmo diante desse cenário complexo, a audiência precisava acontecer para garantir o direito da criança.

Foi então que a equipe do Cejusc mobilizou uma verdadeira força-tarefa. Ana conta que enquanto a avó aguardava no fórum, a Defensoria Pública participava remotamente de outro município (Tangará da Serra) e o mediador estava conectado de Cuiabá. A coordenadora saiu pessoalmente em busca de uma solução. O link para acesso à audiência não abria no celular da senhora que buscava ajuda.

Sem titubear, Ana foi até a delegacia para viabilizar a participação do detido por videoconferência. “Eu falei: ‘espera que eu consigo’. E fui. A gente precisava resolver aquilo, porque ali tinha uma criança que dependia dessa decisão. E a situação foi resolvida”, contou.

Homem de cabelos grisalhos e óculos aparece em primeiro plano, usando camiseta rosa. Ao fundo, há computadores e cadeiras, indicando ambiente de trabalho. Sua expressão é neutra e direta.Casos como esse mostram que o trabalho do Cejusc ultrapassa a formalidade dos processos. Ele alcança vidas. E isso também se reflete em situações mais simples, mas igualmente importantes para quem procura o serviço.

O professor Ederval Pereira de Souza, de 55 anos, buscou o Cejusc para resolver a dissolução de uma união estável e destaca a agilidade e o atendimento recebido.

“Para mim é muito bom, foi muito rápido e fui muito bem atendido. Esse atendimento mais rápido é melhor para toda a sociedade. A gente vê que a Justiça está funcionando e acaba falando para outras pessoas procurarem também”, afirmou.

Confira também:

Do atendimento à solução: o fator humano que impulsiona a agilidade no Judiciário

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Tribunal de Justiça de MT

25 de Julho: Judiciário de MT destaca o mês das Pretas e valoriza o protagonismo das mulheres negras

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O mês de julho é dedicado ao protagonismo das mulheres negras e ao fortalecimento da luta pela equidade racial. Em Mato Grosso, a Lei 11.577/2021 reconheceu o dia 25 de julho como o Dia Estadual de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Em âmbito nacional esse reconhecimento veio por meio da Lei Federal nº 12.987/2014.Para a presidente do Comitê de Equidade Racial do Poder Judiciário de Mato Grosso, desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, o julho das pretas é um importante marco de reflexão, reconhecimento e valorização da trajetória das mulheres negras que desempenharam papel fundamental na construção da sociedade brasileira.

“Como mulher negra, tenho a convicção de que ocupar hoje a Presidência do Comitê de Promoção da Equidade Racial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso representa muito mais do que uma conquista individual. Minha trajetória teve início no trabalho de cuidado, realidade que ainda marca a vida de tantas mulheres negras brasileiras. Por isso, chegar a este espaço de decisão reafirma que a transformação é possível quando há oportunidades, compromisso institucional e reconhecimento da dignidade de todas as pessoas”, sublinhou.

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Atuação do Comitê de Equidade Racial

A magistrada ressalta que ainda há muitos desafios decorrentes das desigualdades raciais e de gênero. Por isso, o Judiciário mato-grossense atua no combate ao racismo e estimula práticas antirracistas não apenas no âmbito interno, mas também para toda a sociedade.
“É essa perspectiva que orienta a atuação do Comitê: contribuir para que o Poder Judiciário seja agente de promoção da equidade racial, fortalecendo ações de letramento racial, conscientização e valorização da diversidade. O Julho das Pretas nos lembra que promover igualdade de oportunidades não significa apenas reconhecer a história e as contribuições das mulheres negras, mas também assumir a responsabilidade coletiva de construir instituições cada vez mais inclusivas, representativas e comprometidas com a justiça social”, pontuou.

Conheça no link abaixo as ações do Comitê de Promoção da Equidade Racial

https://www.tjmt.jus.br/pagina/comite-promocao-equidade-racial-poder-judiciario-mato-grosso

Autor: Lídice Lannes

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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