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Projeto Ribeirinho Cidadão inicia 16ª Edição com atendimentos em Barão de Melgaço

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O Ribeirinho Cidadão está no município de Barão de Melgaço (109 Km ao sul da Capital). Nesta terça-feira (11 de abril) foi dada a largada aos atendimentos do projeto que leva Justiça, saúde, cidadania, dignidade e consciência ambiental para a população rural e ribeirinha do Estado.
 
A 16ª Edição do projeto realizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, Defensoria Pública estadual e parceiros vai atender de 11 a 19 de abril os moradores do município de Barão de Melgaço, da comunidade de Porto Brandão e dos distritos de São Pedro de Joselândia e de São Lourenço de Fátima.
 
Serviços realizados – Neste ano os serviços e atendimentos oferecidos são de orientação jurídica; decisões judiciais; acordos e conciliações; declaração de hipossuficiência; emissão e regularização do Cadastro de Pessoa Física; atendimento médico e odontológico; vacinação; previdência social; solicitação de benefícios; confecção de Carteira de Identificação Nacional; inscrição de embarcações; atividades lúdicas e educativas; foto 3×4; plastificação de documentos, entre outros.
 
O morador de Barão de Melgaço, Joel Camargo de Santos, aproveitou a passagem do projeto pelo município para concretizar o divórcio do seu casamento. “Agora, com a vinda do Ribeirinho Cidadão, eu pude concretizar a minha separação. É a primeira vez que participo, as pessoas são muito prestativas e foram muito pacientes comigo, conseguiram resolver a situação.”
 
Separado há mais de 15 anos da ex-esposa, o morador do município ficou muito feliz com a possibilidade de poder prosseguir a vida. Ele conta que o processo já estava em andamento desde 2019, sem resolução. “Dei entrada no processo consensual há uns 4 anos e a decisão estava se arrastando desde lá. Cheguei, poucos minutos já organizaram a fila, me chamaram e já fui atendido. Menos de duas horas e eu já estava com tudo resolvido.”
 
A audiência foi realizada de forma híbrida, com a presença do juiz coordenador da Justiça Comunitária de Mato Grosso, José Antônio Bezerra Filho, do coordenador da Defensoria Pública no projeto Ribeirinho Cidadão, Clodoaldo Queiroz, e das partes. O motorista participou presencialmente e a antiga companheira do seu Joel, Dona Maria, por videoconferência, pois hoje ela reside em Curitiba.
 
“Se não fosse pelo projeto iria demorar mais um longo tempo. Eu recomendo que as pessoas procurem e confiem no Ribeirinho Cidadão, porque facilita de verdade a vida do cidadão. Agora eu estou correto conforme a minha crença, feliz, em comunhão com minha nova companheira. A gente vive um relacionamento muito bom”, pontuou o agora divorciado.
 
“Eu quero agradecer de coração ao juiz, à equipe do Poder Judiciário e ao defensor, por esse privilégio deles atenderem minha situação. Aproveito para agradecer ao projeto e a todos que participam, que proporcionam para nós esse encontro. O projeto funciona e eu tenho fé que vocês vão vir muitas outras vezes aqui em Barão de Melgaço ajudar a população que precisa desses atendimentos”, finaliza o seu Joel.
 
O coordenador da Justiça Comunitária, juiz José Antônio Bezerra Filho, destacou a celeridade e a união de esforços entre os organizadores do projeto para resolução do caso.
 
“Tempos modernos de pacificação de conflitos e o Ribeirinho Cidadão sempre dando resposta em tempo imediato. Ao tomarmos ciência do caso junto à Defensoria local, prontamente reunimos e verificamos o caso da Dona Maria Joana, há 15 anos morando em Curitiba, e do seu Joel, aqui de Barão. Fizemos a audiência pelo celular e deu a resolutividade que almejávamos, como deveria ser. Dona Maria segue feliz em Curitiba e seu Joel feliz aqui, com sua nova família em Barão de Melgaço. Caso sentenciado e prontamente atendido, missão cumprida”, explica um dos líderes do projeto.
 
O coordenador da Defensoria Pública no Ribeirinho Cidadão, defensor Clodoaldo Queiroz, afirma que esse tipo de trabalho é a razão de existir do projeto.
 
“No atendimento de hoje conseguimos realizar um divórcio que estava sendo aguardado há muito tempo, graças ao trabalho conjunto entre Poder Judiciário e Defensoria Pública. Reunimos virtualmente e presencialmente todas as partes, juiz, defensor para resolver tudo em 15 minutos. São casos como esse que justificam a nossa estada aqui, todo esse esforço coletivo de deslocamento, estadia de vários dias em locais de difícil acesso, para modificar a vida das pessoas para melhor”, conclui o defensor.
 
Ainda no primeiro dia de atendimento foram distribuídas à comunidade ribeirinha doações de roupas, sapatos, sandálias, cobertores, kits de higiene, kits de desenho, álcool em gel, entre outros itens de necessidade básica.
 
Outro importante atrativo no dia inaugural do projeto foi o Navio de Assistência Hospitalar Tenente Maximiano (U-28) da Marinha do Brasil, antiga parceira do projeto.
 
O espaço destinado ao atendimento médico e odontológico obteve bastante procura por parte da população, com atendimentos e cirurgias de pequeno porte. Entre os diversos procedimentos realizados, a retirada de um pequeno cisto por parte da equipe médica foi registrada e conclusa com muito sucesso.
 
 
Cronograma Ribeirinho Cidadão 2023:
Orla de Barão de Melgaço – 11 e 12 de abril, atendimentos das 8h às 12h – 13h às 17h;
Comunidade Porto Brandão – 13 e 14 de abril, atendimentos das 9h às 12h – 13 às 17h;
Distrito São Pedro de Joselândia, 16 e 17 de abril, atendimentos das 8h às 12h – 13h às 17h;
Distrito de São Lourenço de Fátima, 19 de abril, atendimentos das 9h às 12h – 13 às 17h.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: fotografia colorida mostrando a população recebendo doações do projeto. Segunda imagem: fotografia colorida registrando o adentimento de uma pessoa pelo defensor e pelo juiz. Terceira imagem: fotografia colorida retratando o momento em que o juiz e uma colaboradora do projeto entregram doações à uma moradora. Quarta imagem: fotografia colorida retratando a parte interna do navio da Marinha. Duas pessoas são atendidas pelos militares. 
 
Marco Cappelletti/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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