Tribunal de Justiça de MT
Projeto Ouvidoria Cidadã chega a Jaciara e promove diálogos com a sociedade e público interno
Publicado em
23 de setembro de 2025por
Da Redação
O projeto Ouvidoria Cidadã do Poder Judiciário de Mato Grosso chegou ao município de Jaciara nesta segunda-feira (22 de setembro), promovendo o diálogo com os mais diversos setores da sociedade local. O dia começou com uma visita do ouvidor-geral, desembargador Rodrigo Curvo, do juiz auxiliar Bruno D’Oliveira Marques, do juiz diretor do foro da comarca, Pedro Flory Diniz Nogueira e da diretora do Departamento da Ouvidoria, Larissa Shimoya à prefeita Andréia Wagner, na sede do Executivo municipal.
Na oportunidade, a equipe da Ouvidoria apresentou à gestora a Resolução nº 432/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que constituiu as Ouvidorias Judiciárias em órgãos autônomos, integrantes da alta administração dos tribunais e essenciais à administração da Justiça. Além disso, foi colocado o aparato da Ouvidoria do Judiciário à disposição para parcerias com o município, no intuito de aprimorar os serviços prestados à população.
A prefeita Andréia Wagner destacou a relação harmoniosa entre os poderes no município. “Aqui em Jaciara nós temos essa abertura com a Justiça. É muito bom porque as pessoas geralmente pensam na Justiça que pune, mas a Justiça é orientativa, ela trabalha em prol do cidadão, assim como a Prefeitura. E essa visita do desembargador Rodrigo Curvo foi muito pertinente. Saber que a Justiça está preocupada com a opinião do cidadão, está preocupada em ouvir o cidadão, está ali para ouvir a sugestão, para ouvir a reclamação, isso é muito bom”, disse.
Conforme o desembargador Rodrigo Curvo, a reunião com a prefeita Andreia Wagner foi muito proveitosa. “Tivemos uma ótima acolhida. Nós apresentamos os trabalhos da Ouvidoria, as formas de acesso, nos colocamos à disposição do município de Jaciara, do jurisdicionado que aqui vive, no sentido de fazer com que eles conheçam mais um pouco do trabalho da Ouvidoria do Poder Judiciário para que possamos prestar um serviço melhor para a sociedade”.
Diálogo com a OAB – A advocacia local também foi contemplada pelo projeto Ouvidoria Cidadã, com uma reunião junto à diretoria da 18ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), que representa quase 200 advogados dos municípios de Jaciara, Juscimeira, Dom Aquino e São Pedro da Cipa. A conversa ocorreu no Plenário do Fórum.
Na ocasião, a presidente da subseção, Joseane Malheiros Alvim Parmigiani, destacou a importância de levar as demandas da categoria ao Tribunal de Justiça. “Hoje nós tivemos o privilégio de ter aqui conosco o desembargador Rodrigo Curvo e o doutor Bruno, que puderam ouvir as nossas demandas. Deve haver o fortalecimento entre Poder Judiciário e OAB, deve haver união porque nós precisamos do Tribunal de Justiça e o Tribunal de Justiça precisa da advocacia. Então, essa parceria é muito importante”, avaliou.
Conversa com magistrados e servidores – No período da tarde, no Plenário do Fórum, a agenda da Ouvidoria Cidadã foi destinada a apresentar o funcionamento do órgão ao público interno. Os juízes Pedro Flory e Ednei Ferreira dos Santos, juntamente com os servidores, assistiram à apresentação realizada pelo desembargador Rodrigo Curvo e pelo juiz Bruno D’Oliveira Marques sobre todo o fluxo da Ouvidoria, suas competências, atribuições, números de atendimento, canais de contato, entre outros pontos.
“Foi muito bacana! A gente foi contemplada com essa visita do desembargador Rodrigo Curvo, do juiz auxiliar Bruno D’Oliveira, porque eles trouxeram pra gente um contato direto entre o cidadão e o Poder Judiciário. Contamos com a presença dos servidores, que têm que saber que a Ouvidoria é um canal que eles têm à disposição não só para receber, eventualmente, reclamações, mas um canal onde podem ser ouvidos. Então foi imprescindível e nós estamos muito felizes de ter recebido o pessoal da Ouvidoria”, declarou o juiz diretor do foro, Pedro Flory.
O ouvidor-geral do Judiciário destacou que o projeto Ouvidoria Cidadã foi um acerto da gestão do TJMT, uma vez que a disponibilidade das comarcas tem sido grande e as conversas muito positivas, tanto com prefeituras, advogados, magistrados, servidores, quanto com a população. “Essas conversas estão permitindo que alcancemos o objetivo de desmistificar e apresentar o papel da Ouvidoria do Poder Judiciário de Mato Grosso”.
Rodrigo Curvo ressaltou ainda sua felicidade em receber feedbacks positivos da advocacia em relação à toda a equipe do Judiciário no município. “Além de uma extensa pauta de manifestações, de pleitos da advocacia aqui da região, recebemos também um retorno muito positivo, na medida em que recebemos os mais altos elogios à atuação de cada um dos juízes e juíza dessa comarca, e também reafirmaram a competência, a dedicação no atendimento dos juízes e também de cada um dos servidores das unidades judiciais da comarca de Jaciara. Retornaremos a Cuiabá com o sentimento de dever cumprido, mas, acima de tudo, com a satisfação de receber os elogios que foram feitos a cada um dos senhores e das senhoras, tanto de magistrados, quanto de servidores da comarca de Jaciara”, afirmou.
Participação de estudantes – A apresentação da Ouvidoria Cidadã no Fórum de Jaciara contou com a presença de visitantes ilustres: cerca de 50 estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Marechal Rondon. Eles assistiram a tudo de forma exemplar, o que encantou o ouvidor-geral, que classificou a participação dos estudantes como “muito especial” e agradeceu a eles pela visita ao Fórum.
O professor da Escola Municipal Marechal Rondon, Rafael Cícero, agradeceu pela acolhida dos magistrados aos alunos. “Atividades como essa vêm para enriquecer o nosso currículo. Aqui a gente consegue ver a questão dos três poderes, especificamente o Judiciário, na figura do juiz. É importante que os alunos conheçam como funcionam os trabalhos do Poder Judiciário. É de grande relevância para o aprendizado”.
Autor: Celly Silva
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude
Published
1 mês agoon
9 de agosto de 2026By
Da Redação

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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