Tribunal de Justiça de MT

Magistrados e advogados debatem inovação e colaboração no INOVA ADV Experience 2025

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Com um discurso que ressaltou a importância da colaboração e da conexão entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público e Defensoria do Estado de Mato Grosso, a desembargadora Clarice Claudino da Silva, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), participou da solenidade de abertura do III Congresso de Inovação e Empreendedorismo – INOVA ADV Experience 2025, na noite desta quinta-feira (23).

O evento, promovido pelo Instituto Mato-grossense de Advocacia Network (IMAN) e que conta com a parceria institucional do Poder Judiciário de Mato Grosso, reúne cerca de 250 participantes e segue com programação intensa nesta sexta-feira (24), no Complexo dos Juizados Especiais, em Cuiabá.

Representando o presidente do TJM, José Zuquim Nogueira, a magistrada destacou a importância do congresso como espaço de integração e fortalecimento da classe jurídica. Ela enfatizou que o IMAN simboliza uma irmandade na advocacia, sustentada por valores de cooperação, fraternidade e pacificação social.

“Sinto-me honrada em participar desta solenidade de abertura. A advocacia precisa de profissionais jovens, comprometidos e dispostos a construir pontes entre gerações e segmentos do Direito”, afirmou Clarice Claudino.

A desembargadora ressaltou que o fortalecimento da rede de conexões entre advogados é essencial para uma atuação mais humana e colaborativa. “A advocacia é o primeiro juiz da causa” e deve sempre buscar caminhos de diálogo, conciliação e mediação, antes do embate judicial, explicou.

“A cultura da paz começa quando o advogado compreende que a sua missão é ajudar as pessoas a se reencontrarem antes de litigar. É preciso resgatar o hábito de dialogar com qualidade e de trabalhar em rede, apoiando-se mutuamente para oferecer o melhor serviço à sociedade”, acrescentou.

Clarice Claudino também reforçou o papel da Justiça Estadual, responsável por mais de 70% dos processos em tramitação no país, e a necessidade de ampliar sua representatividade nos espaços de decisão nacional. Ela saudou a presença do conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda, destacando o orgulho de ver mato-grossenses atuando com destaque em instâncias superiores.

“É possível fazer da advocacia uma atividade universal, fraterna e voltada à pacificação social. Esse é o verdadeiro propósito do nosso trabalho”, concluiu a desembargadora, sob aplausos da plateia lotada.

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Após a solenidade, a magistrada mediou o painel “Era dos Prompts: Como a Inteligência Artificial está redesenhando a Advocacia e o Judiciário”, que teve como presidente de mesa Rafael Esteves Stellato e contou com a participação dos advogados Gilberto Gonçalo Gomes da Silva Júnior, Ulisses Rabaneda e Marcílio Henrique Guedes Drummond.

O conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda, destacou a importância da integração entre os diversos atores do sistema de Justiça. “O IMAN é uma entidade importante, que tem trazido bons frutos para a nossa sociedade, para a advocacia, para a magistratura e para o Ministério Público, e que só tende a crescer. Quando falamos de network, estamos falando de conexão, e hoje absolutamente tudo o que se faz precisa ser feito em conjunto, com diálogo e interação entre as pessoas”, afirmou.

Rabaneda ressaltou que a verdadeira missão das instituições de Justiça vai além da redução do número de processos, estando voltada à pacificação social, condição essencial para o bem-estar coletivo.

“Não há absolutamente nenhum outro objetivo na atuação do advogado, do membro do Ministério Público e do magistrado se não for a pacificação social. Baixar o estoque de processos é importante, mas não basta. Todos nós buscamos uma única coisa: a felicidade. E sem pacificação social, não a alcançamos. Esse é o papel primordial do Poder Judiciário e de todos nós que o integramos”, disse.

O conselheiro também apresentou dados recentes do Relatório Justiça em Números, do CNJ: 62 milhões de processos tramitam na Justiça Estadual, 11 milhões na Justiça Federal e cerca de 7 milhões na Justiça do Trabalho. Entre 2024 e 2025, 31,3 milhões de processos foram baixados por cerca de 18 mil magistrados, números que evidenciam o esforço coletivo em busca de resultados concretos.

“Não há mais possibilidade de pensar um sistema de Justiça que trabalhe em ilhas. Precisamos caminhar para um modelo em que todos os seus atores estejam de mãos dadas, conectados, comprometidos com o mesmo propósito”, concluiu.

A idealizadora, fundadora e presidente do IMAN, Tatiane Barros, destacou a trajetória pioneira e os ideais de colaboração do instituto. “Quando nós o idealizamos, há três anos, não sabíamos que o IMAN seria único, pioneiro no Brasil. Nasceu em Mato Grosso e, desde então, caminhamos para nos consolidar como um instituto nacional de advocacia network”, afirmou.

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Tatiane ressaltou que o IMAN representa “uma força que conecta” e valoriza a colaboração acima da competição, reforçando parcerias com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, na pessoa do presidente desembargador José Juqui e da desembargadora Clarice Claudino, parceiros institucionais desde a primeira edição do congresso.

Ela concluiu com um convite aos participantes: acreditar no poder da inovação e do empreendedorismo e aproveitar cada palestra do congresso como oportunidade para crescimento profissional e criação de valor. “O INOVA ADV Experience 2025 não é apenas um evento, é uma extraordinária experiência de inovação, coragem e empreendedorismo”, afirmou.

Reconhecimento: Selo Quality Inova ADV e Troféu Inova ADV Experience 2025

Durante a cerimônia, desembargadores, magistrados, advogados, empresários e instituições que se destacam pela liderança e excelência no setor jurídico foram homenageados. O reconhecimento público foi conferido ao presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, à desembargadora Clarice Claudino, ao desembargador Juvenal Pereira da Silva, além dos magistrados Jamilson Haddad Campos, Túlio Duailibi Alves Souza, Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli, Vinicius Paiva Galhardo, Hanae Yamamura e Silvia Renata Anffe Souza, Graziele Cabral Braga de Lima (TRT 23ª Região), além do conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda, entre outras autoridades.

O evento

Nesta sexta-feira (24), o evento prossegue com intensa programação, no auditório do Complexo dos Juizados Especiais, em Cuiabá. O III Congresso reúne profissionais de diversas áreas do Direito, pesquisadores, empresários, estudantes, autoridades dos Três Poderes e representantes da sociedade civil para debater o futuro da advocacia.

Confira a programação

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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