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Leãozinho: seu imposto de renda pode ajudar crianças beneficiadas por projetos como o Vôlei Kids

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Na quadra esportiva da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Júlio Corrêa, localizada no bairro São Matheus, em Várzea Grande, cerca de 30 crianças participam de uma aula de vôlei do projeto Vôlei Kids, desenvolvido pelo Instituto Desportivo da Criança (IDC). As aulas são gratuitas, bem como os uniformes e kits recebidos. Além do esporte, elas participam de atividades de educação ambiental e de cultura, como passeios a museus. Além disso, os alunos do projeto, de 7 a 16 anos de idade, ganham kits de higiene pessoal e bucal e, antes de deixarem o projeto, muitas são encaminhadas para as empresas parceiras do projeto, por meio do Menor Aprendiz.
Há também aqueles alunos que trilham o caminho do esporte, como é o caso da professora de Educação Física, Karina da Silva Pinto. Dos 11 aos 13 anos, ela foi aluna das aulas de vôlei e, com o tempo, chegou a jogar pelas seleções cuiabana e mato-grossense de vôlei. “O projeto me abriu muitas portas através dos estudos. O professor George, do Colégio Coração de Jesus, me viu jogando vôlei, em uma competição, e me chamou, junto com outras colegas, pra fazer o ensino médio todinho na escola”, conta.
Karina relata que mais do que possibilidades de estudo e trabalho, o projeto social contribuiu para sua formação de caráter. “Me deu oportunidades que, sem ele, talvez eu não teria. Pude viajar pra várias cidades, vários estados, através do vôlei”. Hoje, ao dar aulas para as novas gerações do Vôlei Kids, Karina afirma que “é como se eu estivesse me vendo quando eu era criança! É muito gratificante porque eu sinto a emoção através deles”.
O exemplo de Karina tem inspirado seus alunos, como Yojaslith Sofia Mendoza, 12, que há cerca de um ano participa do projeto Vôlei Kids e sonha em ser professora de vôlei. “Antes eu ficava sozinha em casa, não tinha nada pra fazer, ficava entediada e quis participar do projeto Vôlei Kids. Gosto muito dos professores daqui. Eles dividem a compaixão deles com nós, ensinam muitas coisas, a educação e o jeito que a gente aprende é diferente”, relata.
Participante do projeto há dois anos, Rafael Henrique Castilho Ávila da Silva, 12, conta que ficou sabendo das aulas na própria escola onde estuda e, como já tinha um amigo no projeto, pediu para sua mãe deixa-lo participar. “Já aprendi fazer cortada, pingar, bloquear, largada e paralela. A gente faz atividade física, brinca, faz bastante passeios. Eu gosto bastante! Minha mãe também gosta. Ela diz que é bom pra eu não me envolver com coisa errada”, diz.
Há menos de uma semana no Vôlei Kids, Arthur Souza Cardoso, 9 anos, conta que herdou da mãe o amor pelo vôlei. “Meu sonho sempre foi fazer esse esporte e ser jogador de vôlei. Eu me sinto feliz aqui!”.
A gerente executiva do Instituto Desportivo da Criança, Selma Lopes, explica que, em 23 anos de existência, a organização não-governamental (ONG) tem atuado por meio de três projetos – Vôlei Kids, Futebol Kids e Dó Ré Mi Kids – com a missão de educar para a vida através do esporte e da cultura.
“Nesses projetos, a gente coloca o esporte e a cultura como ferramenta motivacional, mas o intuito é a formação integral do cidadão. Então, a gente recebe essa criança com 7 anos e entrega ela pra sociedade com 16 anos, na maioria das vezes, já com seu primeiro emprego. A intenção é que os próprios alunos sejam os menores aprendizes das empresas parceiras”, afirma.
Atuando em Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Santo Antônio do Leverger e Sinop, o Instituto Desportivo da Criança atende 1.600 crianças e adolescentes, atualmente. As vagas são destinadas a estudantes de escolas públicas ou bolsistas integrais de escolas particulares e as aulas ocorrem em parceria com escolas públicas de bairros periféricos.
Importância das parcerias
A gerente executiva do IDC, Selma Lopes, explica que os projetos são desenvolvidos graças a parcerias com empresa privadas e aos recursos oriundos de leis de incentivo, repassados por meio do Fundo da Infância e da Adolescência. A população também pode contribuir com o projeto, destinando parte do seu imposto de renda.
O Poder Judiciário de Mato Grosso conta com o Projeto Leãozinho, que possibilita a magistrados (as), servidores (as), aposentados (as) e pensionistas destinarem até 3% para o Fundo da Criança e do Adolescente e mais 3% para o Fundo do Idoso.
Ao aderir ao projeto Leãozinho, o contribuinte garante que recursos que já seriam pagos à Receita Federal sejam destinados a algum projeto social de sua confiança. E isso não gera qualquer custo adicional. O prazo para declaração do Imposto de Renda 2026 vai até o dia 29 de maio.
“Quando a gente percebe que uma instituição como o Tribunal de Justiça tem esse olhar de que pode auxiliar e pode estar contribuindo com esse trabalho, o projeto Leãozinho vem contemplar as atividades e as ações do Instituto, fortalecendo ainda mais o poder de atendimento e de desenvolvimento das atividades”, afirma Selma Lopes.

Autor: Celly Silva

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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