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Justiça Restaurativa e a Transformação da Cultura Institucional é debatida em Encontro Nacional

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Buscar a humanização da instituição. Priorizar as pessoas. Adotar uma abordagem restaurativa. Fomentar a gestão participativa. Valorizar os saberes orais e culturais. Sair dos trilhos e andar nas trilhas à procura do caminho do bem-viver. Ter coragem, fé e congruência.
 
Esses foram alguns imperativos utilizados pelas três exponentes que participaram do terceiro painel do I Encontro Nacional de Justiça Restaurativa e a Transformação da Cultura Institucional, nesta quarta-feira (18 de outubro), no plenário do Tribunal de Justiça (TJMT), em Cuiabá. O evento, promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), terminou na manhã desta quinta-feira (19 de outubro).
 
A vice-presidente da Comissão de Justiça Restaurativa da OAB-SP, Carla Maria Zamith Boin, foi a primeira a falar. Ela apresentou três experiências das quais participou como pesquisadora, facilitadora, mediadora ou professora de cursos de Mediação e Justiça Restaurativa (JR), que envolveram assédios.
 
O projeto de JR da Universidade Dalhousie, em Halifax, no Canadá, foi objeto de pesquisa de seu doutorado. Foi um caso de assédio e difamação ocorrido no curso de Odontologia, em 2014, e que ganhou repercussão na mídia internacional. Acadêmicos fizeram um grupo no Facebook para difamar as colegas de curso. O segundo caso foi sobre assédio moral, acarretando sofrimento físico, por conta de um desvio de função dentro da instituição e motivou a universidade a mudar seus procedimentos de modo a diminuir futuros casos de assédio. O terceiro caso foi a implantação do Diversitas, do Núcleo de Estudos da Diversidade, Intolerância e Conflitos da USP, que atualmente está implantando o Núcleo de Justiça Restaurativa e Saberes Orais.
 
Ela explicou que a partir dessas experiências, desenhou a estrutura de como fazer a transformação de cultura, pensando em estrutura, articulação e gestão. Valorizar os saberes orais e o quanto a JR precisa se pautar na valorização da cultura também é essencial. Políticas de mudança de cultura ou realização de Círculos de Paz temáticos são fundamentais. De acordo com a professora, não se pode ficar preso numa metodologia e não basta olhar para a situação em particular.
 
“Estamos aqui trazendo a importância de entender a instituição como um corpo. Um corpo que apresenta marcas, um corpo adoecido. Com marcas históricas por processo de colonização passado, pela cultura do patriarcado que impera e não é só no Brasil, com a marca de desrespeito pelos povos originários, pelos saberes desses povos orais. É preciso olhar o todo”, enfatizou Boin.
 
Em seguida, a juíza federal Maria Fernanda de Moura e Souza, coordenadora do Comitê de Macrogestão da JR no TRF3 e membro da Comissão de Enfrentamento do Assédio Moral, Sexual e da Discriminação, falou sobre “Assédio, Discriminação e Justiça Restaurativa” e a política instituída pelo CNJ de prevenção e enfrentamento do assédio e de como ela tem um olhar restaurativo que permite enxergar o assédio não só como um conflito entre uma vítima e um ofensor, mas olhando para todas as relações que estão envolvidas de uma forma que possibilite uma transformação, não só daquela vivência mas também para evitar que essas situações se repitam.
 
“A resolução autoriza, nos convoca a termos um olhar restaurativo e não só na punição de quem cometeu o assédio moral ou sexual. Dentro das práticas tem muita conversa, é algo construído, e elas trazem benefícios até mesmo para o ambiente. O assédio não afeta somente as duas pessoas, mas os colegas de trabalho também. A Justiça Restaurativa tem condições de lidar com isso”, afirmou a magistrada.
 
A supervisora do Núcleo de Justiça Restaurativa do TRF4 – Nujure, Carla de Sampaio Grahl, falou sobre Governança Restaurativa, um modelo inédito no Brasil, desenvolvido no tribunal da quarta região desde 2020. Lá a comissão é horizontal, paritária (juízes e servidores) e coordenada por magistrado e servidor. “A nossa preocupação é trazer os valores para dentro da instituição nessa congruência entre o fazer restaurativo e o ser restaurativo tanto na esfera pessoal, quanto na instituição”, explicou.
 
Conforme ela, o resultado da horizontalidade é uma abertura para o novo e para a criatividade. “A gente sai do engessamento da estrutura vertical, que gera medo, que a gente fica mais acanhado para ousar porque não sabe como vai ser recebido pelos gestores. Quando estamos em círculo, pensando a política de forma horizontal, conseguimos ser mais inovadores, ambiciosos, não temos medo. Criamos desde a origem o espaço de confiança, onde temos a segurança psicológica que a gente precisa para aprender com os erros e crescer juntos”, explicou Carla.
 
De acordo com ela, este é o principal ganho dessa distribuição de poder. O ganho secundário é mostrar para a instituição que pode-se trabalhar horizontalmente, em todas as esferas, onde o poder das chefias é legítimo, mas que pode ser trabalhado com os outros e não sobre os outros, “que é uma filosofia restaurativa”.
 
Outra questão citada pela supervisora é de que pouco se trabalhava em rede dentro do tribunal. Cada núcleo fazia seu trabalho e a Justiça Restaurativa fala sobre o trabalho em rede. “Estamos conseguindo motivar parcerias. Quando trabalhamos isolados é muito fácil nos desresponsabilizar e jogar a culpa no outro. Em rede, a responsabilidade é de todos e quando todos conseguem se sentir ouvidos chamamos de “processo justo”. Eu vou trabalhar com engajamento, ouvindo e respeitando a opinião de todos, vou decidir enquanto líder, mas vou explicar porque que a decisão foi tomada. E quando a gente ouve e explica para as pessoas, mesmo que seja contrária à opinião dela, ela tem mais facilidade de aceitar aquilo porque ela participou do processo.
 
A mesa foi presidida pelo juiz de Direito do Tribunal de Justiça de São Paulo, Marcelo Nalesso Salmaso, que é membro do Comitê Gestor da Justiça Restaurativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em sua fala de abertura do painel, parabenizou a atual gestão do TJMT pelo trabalho com a Justiça Restaurativa.
 
“Parabenizo a presidente do TJMT, desembargadora Clarice. É muito importante quando a cúpula dos tribunais acredita na Justiça Restaurativa (JR) e a traz para o primeiro plano. A JR que é inter-relacional, que vai para muito além dos seus métodos de transformação de conflitos. Essa JR que nos convida a uma transformação do paradigma de convivência social para superarmos essas diretrizes do individualismo, do utilitarismo, do consumismo, da exclusão, que fomenta essa competição, que são causas de tantas violências inclusive estruturais, culturais e simbólicas. Para construirmos a convivência numa nova lógica. Na lógica da cooperação e do cuidado”, afirmou ele.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: fotografia em plano aberto mostra os participantes do painel, três mulheres e um homem em pé. Todos estão sorrindo. As mulheres seguram um certificado e uma caixinha transparente com uma lembrança do evento. Atrás deles aparece o telão com a imagem da marca do evento, mostrando o desenho de um rio, com vegetação e o céu onde voam duas araras. Na mesma imagem se lê 1º encontro Nacional de Justiça Restaurativa e a Transformação da Cultura Institucional. No canto direito inferior lê-se CNJ – Conselho Nacional de Justiça – O Brasil faz a Justiça. Segunda imagem: Os quatro participantes do painel estão sentados em cadeiras. As três mulheres olham para o presidente do painel, Juiz Marcelo Nalesso, que segura o microfone e gesticula com a mão esquerda. Atrás dos painelistas está o telão com a imagem do evento onde se lê o nome dos parceiros do evento e suas logos: Nugjur, Poder Judiciário de Mato Grosso e CNJ. Em primeiro plano, estão os espectadores sentados e de costas para a câmera.
 
Marcia Marafon/ Fotos: Ednilson Aguiar
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Entenda a sua audiência: Saiba como funciona um Tribunal do Júri

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Está no ar mais uma edição da série “Entenda a sua audiência”, iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Laboratório de Inovação – InovaJusMT e da Coordenadoria de Comunicação, que busca aproximar a Justiça da sociedade com a disponibilização de vídeos que explicam o funcionamento dos diversos tipos de audiência judicial. Neste episódio, o tema é “Tribunal do Júri”, que já pode ser conferido no canal do TJMT no Youtube.
A iniciativa utiliza linguagem simples e inteligência artificial para produzir vídeos e cartilhas informativas de fácil compreensão, com o objetivo de disseminar conhecimento sobre os direitos dos cidadãos relativos ao acesso à Justiça, facilitando a experiência da pessoa que vivencia a situação de participar de uma audiência.
Vale destacar que a série Entenda a sua Audiência é uma das duas produções do TJMT finalistas no Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça 2026, promovido pelo Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ), na categoria “Iniciativa de IA”. A premiação reconhece iniciativas de todo o país que fortalecem a comunicação pública, valorizam a transparência institucional e aproximam o Sistema de Justiça da sociedade.
Episódio “Tribunal do Júri”
Neste vídeo, você fica sabendo cada detalhe do funcionamento do Tribunal do Júri, um tipo de julgamento em que a decisão fica nas mãos da sociedade, representada pelos jurados, que são cidadãos comuns, de reputação ilibada.
Previsto na Constituição Federal de 1988, o Tribunal do Júri julga crimes dolosos contra a vida, ou seja, quando a pessoa tem a intenção de matar ou assume o risco de causar a morte, como são os casos de homicídio doloso, feminicídio, vicaricídio, induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, infanticídio, aborto criminoso. A tentativa desses tipos de crimes também pode ser julgada pelo Tribunal do Júri, bem como os crimes conexos.
O vídeo também explica quem são as pessoas que participam do Tribunal do Júri, como o juiz ou juíza, que conduz a sessão de julgamento e fixa a pena, se houver condenação; o (a) promotor (a) de justiça, que representa o Ministério Público e apresenta a acusação; a assistente de acusação, que pode representar a família da vítima, quando houver; o advogado, que faz a defesa do réu ou da ré; o réu ou a ré, que é a pessoa acusada de cometer o crime; as testemunhas, que contam ao júri o que viram, ouviram ou sabem sobre o caso. Por fim, os (as) sete jurados são cidadãos comuns convocados para participar do julgamento.
Até mesmo o roteiro de uma sessão do Tribunal do Júri é explicado no vídeo, desde a convocação de 25 jurados (as), dos quais sete são sorteados para atuarem no julgamento até o proferimento da sentença.
Os direitos e deveres dos jurados também são abordados, como a obrigatoriedade de comparecimento e a garantia da folga no trabalho nos dias de participação na sessão do Tribunal do Júri. O voto dos jurados é secreto e sua imagem deve ser preservada, ou seja, nomes e imagens não podem ser divulgados ao público.

Autor: Celly Silva

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Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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