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Justiça Restaurativa aplicada ao sistema socioeducativo é tema de painel em seminário no TJMT

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A relação entre a Justiça Restaurativa e o contexto do adolescente e a socioeducação foi o tema central das palestras do período vespertino do Seminário Justiça Restaurativa em Ação: Transformando Sistemas e Unindo Regiões, promovido pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso nesta segunda-feira (1º de julho).
 
A palestra “Justiça Restaurativa como Alternativa ao Processo de Apuração do Ato Infracional”, ministrada pelo presidente do Instituto Terre des Hommes Brasil, Renato Pedrosa, abriu os trabalhos da tarde.
 
A ONG francesa possui 40 anos de atuação, tem sede brasileira em Fortaleza (CE) e realiza diversos trabalhos com crianças e adolescentes, de proteção à vida, prevenção da violência, pesquisas e práticas restaurativas, que foram apresentadas por Renato no evento.
 
“Temos que olhar para as origens da Justiça Restaurativa, em comunidades tradicionais, em uma perspectiva dela acontecer no âmbito extrajudicial, para que ela aconteça nas escolas, na comunidade, evitar que crianças, adolescentes e adultos entrem no sistema de justiça, ou seja, resgatar o que é genuinamente a perspectiva restaurativa, com base comunitária, com métodos autocompositivos e de valorização de forças que existem em âmbito comunitário”, destacou o palestrante.
 
As práticas restaurativas aplicadas como políticas públicas é uma das frentes de atuação da ONG, com círculos de construção de paz, células de mediação, cultura de paz, células de mediação social e Conselho Interinstitucional de Justiça Restaurativa, Mediação e Cultura de Paz.
 
“Explorando a Justiça Restaurativa: uma nova abordagem para o Sistema Socioeducativo”, com a defensora pública do Estado do Ceará, Érica Albuquerque, foi a segunda palestra do painel “Adolescente e Socioeducação”, que foi mediado pelo procurador de Justiça Paulo Prado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
 
A defensora apresentou o trabalho desenvolvido no Centro de Justiça Restaurativa da Defensoria Pública do Estado do Ceará (CJR), que atua com práticas restaurativas em âmbito extrajudicial, no primeiro atendimento, no início do processo e também na prevenção com círculos de diálogo.
 
“A Justiça Restaurativa vem com esse convite para transformar inclusive nossos padrões de conduta no sistema de justiça infracional. O convite é para trocar as lentes, da justiça retributiva para uma justiça em que se olha as necessidades do outro, o que eles precisam para efetivamente resolver um conflito e responsabilizar, por isso há um alcance com maior efetividade”, defende.
 
Na sequência, o público assistiu a palestra “Justiça Restaurativa e Audiências Concentradas para Reavaliação das Medidas Socioeducativas”, com o juiz do Tribunal de Justiça da Paraíba, Hugo Gomes Zaher, sob mediação do promotor de Justiça Marco Antônio Prado Nogueira Perroni.
 
O magistrado falou sobre as reavaliações das medidas socioeducativas do meio fechado de internação ou semiliberdade por meio das audiências concentradas, que garantem ao adolescente que está em cumprimento de medida o direito à voz e a um momento de falar e trazer suas necessidades.
 
“Nessa perspectiva, podemos apontar como a Justiça Restaurativa e a abordagem restaurativa contribuem para esse atendimento de necessidades, encaminhamentos e uma efetiva integração social desse adolescente”, pontuou o magistrado, que também é coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo da Paraíba (GMF-PB).
 
Para fechar o ciclo de palestras do primeiro do evento, o facilitador de Justiça Restaurativa, rapper, educador, pesquisador, escritor e doutor em Diversidade Cultural e Inclusão Social Chiquinho Divilas fez a palestra “RAPensado a Mediação na Socioeducação”.
 
Chiquinho apresentou trechos de rap com suas rimas no evento, envolvendo os participantes com sua história de vida, que levanta a bandeira “cultura, educação, livros e escolas”, contando como saiu de três expulsões de escolas na periferia de Caxias do Sul (RS) até o doutorado, usando literatura através da letra do rap e do funk e criando rimas com as matérias escolares.
 
“É um trabalho que fazemos em espaços de conflito para tentar ampliar o repertório dos jovens que ali estão, levamos essa metodologia na socioeducação e nas escolas para trabalharmos a erradicação da evasão escolar, que é um dos fatores do alto índice de violência, principalmente nas periferias. Tem tudo a ver com a Justiça Restaurativa, com os círculos de paz, com o surgimento do hip hop, grafite, dança, DJ, MC, isso potencializa e amplia repertório, principalmente nas escolas, que é nosso ponto de referência principal”, observa.
 
O evento continua nessa terça-feira (2 de julho), a partir das 8h30, no auditório Gervásio Leite, na sede do TJMT, e com transmissão ao vivo pelo YouTube.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 1: foto horizontal colorida da palestra da defensora Érica. Ela está à esquerda d o palco, fala ao microfone diante de um púlpito, ao lado dela está o mediador Paulo Prado e do outro lado o palestrante Renato. Em um projetor de tela está escrito “aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. No chão há um tapete e flores e em primeiro plano na imagem está a plateia desfocada. Imagem 2: foto horizontal colorida do juiz Hugo em sua palestra, ao lado do mediador, promotor Marco Antônio. Ele está em pé, fala ao microfone no centro do palco, ao fundo há bandeiras de Mato Grosso, do Brasil e do Poder Judiciário. Ambos estão de terno e gravata e olham para o lado direito. Imagem 3: foto horizontal colorida do palestrante Chiquinho. Ele está cantando um rap no microfone, veste uma camiseta preta escrito “rapajador”, boné e corrente dourada. Ao fundo está uma imagem dele cantando de óculos de sol e boné e escrito rapensando a mediação em amarelo e vermelho.
 
 
Mylena Petrucelli/Fotos: Ednilson Aguiar
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

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Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

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Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

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Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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