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Judiciário entrega livros da Campanha Leitura que Transforma à Secretaria de Segurança Pública

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Mais de oito mil e quinhentos livros foram arrecadados pelo projeto Leitura que Transforma, do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Estado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (GMF/TJMT). As obras foram entregues oficialmente à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), nesta quinta-feira (31 de agosto), e devem beneficiar todas as unidades do sistema socioeducativo e unidades prisionais do estado.
 
O objetivo da campanha é assegurar que os jovens em cumprimento de medida socioeducativa restritiva de liberdade tenham acesso ao direito social à educação e a cultura, previsto na Constituição Federal, e ratificado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990). A ação também está alinhada ao Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Socioeducativo, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para superação de desafios estruturais no campo da privação de liberdade.
 
A doação foi oficializada com a assinatura da portaria nº1/2023, que regulamenta a entrega das doações às unidades socioeducativas, pelo supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri.
 
Na ocasião, o magistrado ressaltou o sucesso da campanha que tinha como meta inicial a arrecadação de dois mil títulos. “Contamos com muitos parceiros importantes para alcançar esse resultado. No ano passado a campanha também foi muito exitosa. Para o próximo ano, pretendemos renovar a nossa campanha, para que todas as nossas penitenciárias possam ter as suas bibliotecas”, disse.
 
O sucesso na arrecadação permitiu a expansão da campanha, que a princípio atenderia apenas seis unidades socioeducativas, para atender também as 41 unidades do sistema penal de Mato Grosso.
 
A equipe de triagem do núcleo de apoio ao GMF fez a triagem dos livros e separou, de acordo com a adequação à faixa etária, os títulos que cada instituição deve receber. O montante inclui livros didáticos, literários, religiosos, e outros gêneros. A distribuição ficará a cargo da equipe da Sesp-MT.
 
Esse resultado foi possível graças ao engajamento massivo dos servidores do tribunal, das secretarias, unidades administrativas e sociedade civil organizada.
 
A seccional mato-grossense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) foi uma das grandes parceiras da iniciativa, com a doação de 2.237 publicações. De acordo com a presidente do órgão, Gisela Alves Cardoso, esse número só foi possível pela adesão dos colaboradores da entidade. “A campanha envolveu 66 comissões temáticas, onde trabalham mais de três mil advogados. Também divulgamos em eventos da OAB e montamos pontos de coleta”, explicou.
 
Gisela externou a satisfação de contribuir com o projeto. “Acreditamos que o melhor caminho para o desenvolvimento humano é o conhecimento. A ressocialização através da educação é um dos melhores caminhos que podemos adotar para trazer esses jovens de volta à sociedade”, acrescentou a presidente.
 
O secretário de Estado e coronel da Polícia Militar, César Augusto Roveri, explicou que, apesar do fim da campanha, novas doações podem ser entregues em qualquer data diretamente nas unidades penitenciárias. “Para o próximo ano, pretendemos aumentar a meta e, com isso, equipar todas as unidades com bibliotecas adequadas para os programas de leitura”, revelou.
 
Remição de pena – Além de ocupar o tempo ocioso, enriquecer o vocabulário, despertar o interesse pelos estudos e possibilitar a descoberta de competências e habilidades profissionais, o sistema penitenciário permite que as pessoas em privação de liberdade possam solicitar a remição de pena pela leitura.
 
A cada livro lido, deve ser encaminhada uma resenha sobre a obra para uma comissão de análise. De acordo com o Roveri, podem ser abatidos até 44 dias de pena por ano.
 
O desembargador Orlando Perri afirmou que o Tribunal de Justiça oficializou a todos os juízes de execução penal, que sejam instituídas as comissões de avaliação em todas as unidades para possibilitar o acesso ao benefício.
 
Planejando o futuro – Segundo a secretária-adjunta de Justiça da Sesp-MT, Lenice Barbosa, diferente do sistema penitenciário, o sistema socioeducativo trabalha com o Plano Individual de Atendimento, o PIA. Trata-se de uma exigência legal, que dá suporte às sentenças judiciais.
 
Como o próprio nome já diz, ele é elaborado individualmente quando o adolescente entra para o sistema. É ele que vai orientar o trabalho de reinserção na sociedade, tendo em vista o desenho de futuro que cada indivíduo traça para si. “No PIA estão contidos todos os eixos: esporte, lazer, educação, cultura, saúde”, acrescentou a secretária.
 
“É importante frisar que, no sistema socioeducativo a educação é obrigatória. As unidades já possuem espaços próprios para receber esses livros, que contribuirão para aprimorar os planos desses jovens”, frisou.
 
Os livros serão encaminhados para as unidades masculina e feminina de Cuiabá, de Sinop, Barra do Garças e casa de semiliberdade de Lucas do Rio Verde.
 
150 anos – O evento fez parte das comemorações alusivas aos 150 anos de instalação do TJMT, que está em contagem regressiva para comemorar um século e meio de acesso à justiça e garantia de direitos. A partir deste ano, cada evento é uma oportunidade de fortalecer a trajetória do tribunal, por uma justiça mais inclusiva, pacificadora e acessível a todos mato-grossenses.
 
Saiba mais sobre a campanha:
 
 
Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Desembargador Orlando Perri fala aos presentes na solenidade, com o secretário de Segurança Pública e a presidente da OAB-MT ao lado. Os três estão em pé, em frente ao banner de 150 anos do Tribunal de Justiça. Foto 2: Desembargador Orlando Perri assina portaria de entrega dos livros Foto 3: Estande com parte dos exemplares doados ao sistema socioeducativo em exibição.
 
 
 
Adellisses Magalhãe/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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