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Informação, histórias de superação e luta marcam 1º Encontro de Acessibilidade do Poder Judiciário

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão, deu mais um passo para o avanço dessa pauta na sociedade mato-grossense, com a realização do 1º Encontro de Acessibilidade do Poder Judiciário, com o objetivo de conscientizar e discutir ações concretas para garantir os direitos das pessoas com deficiência.
 
A desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do TJMT, destacou o empenho do Judiciário em buscar formas de se tornar um espaço cada vez mais inclusivo. “Esse é o nosso pontapé de muitos encontros que virão no ano que vem. Nós queremos conscientizar a população, os servidores para saberem como tratar essas pessoas especiais quando se dirigirem ao fórum, ao Tribunal de Justiça e mesmo nos outros locais da sociedade”.
 
A presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva, que chegou acompanhada de um “cão terapeuta”, participou da abertura do encontro, lembrando o quanto as pessoas deficientes eram segregadas da sociedade, décadas atrás; e o quanto ainda é preciso evoluir. “Começamos um processo de conscientização muito intenso e interessante nas últimas décadas, mas isso ainda não é suficiente. Nós ainda temos muitas barreiras invisíveis, a começar pela linguagem. Agora que finalmente estamos assumindo dizer que somos pessoas com deficiência. Deficiência não é defeito, é deficiência, ou seja, a eficiência do organismo é que tem um déficit, não é que sejamos incapazes ou defeituosos, mas sim essa tomada de consciência como seres humanos que somos, todos igualmente sujeitos de direitos”, declarou.
 
A presidente parabenizou a desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho pelo trabalho à frente da Comissão de Acessibilidade e Inclusão. “Quero parabenizar a desembargadora Nilza Maria, que tem abraçado com muito afinco, com muito amor essa missão de capitanear essa comissão no nosso Tribunal. Avançamos muito sob o seu comando e eventos como este, em que as pessoas podem acessar livremente as palestras e tomar conhecimento do que é a realidade e onde cada um pode contribuir com a quebra desses preconceitos, dessas invisibilidades que ainda temos – e que são muitas – é digno de registro e principalmente de apoio”, ressaltou.
 
De forma virtual, a deputada federal Amália Barros parabenizou o TJMT pelo compromisso com a acessibilidade. “A inclusão é um tema de grande importância pra mim, especialmente sendo monocular, ou seja, sem um olho ou sem a visão de um dos olhos. Vocês podem imaginar o quanto essa pauta toca o meu coração. Deixo aqui meu compromisso como deputada federal a apoiar as legislações e os projetos relacionados à acessibilidade”, registrou.
 
A segunda sub-defensora-pública-geral de Mato Grosso, Maria Cecília Alves da Cunha, afirmou que a acessibilidade é uma das missões da Defensoria Pública Estadual. “É compromisso também da Defensoria Pública lutar pela inclusão e pela acessibilidade. Que possamos sair deste evento com o olhar treinado, com o coração transformado”.
 
O promotor de Justiça, Wagner César Fachone, destacou a alegria em participar do 1º Encontro de Acessibilidade. “Nós defendemos também a bandeira da inclusão e a inclusão está na pauta do dia-a-dia da sociedade. Nós temos que reconhecer o que a inclusão da pessoa com deficiência merece todo o respeito da sociedade porque nós vivemos um momento da historia de mudança de paradigma em relação à forma como a sociedade deve encarar a deficiência, a forma como a pessoa com deficiência deve ser vista e tratada. Daí a necessidade de aprofundar mais sobre essa temática pois o conhecimento e a informação são fundamentais”.
 
Reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Evandro Aparecido Soares da Silva, pontuou a beleza do evento, onde as pessoas podem começar a pensar em políticas institucionais e públicas alinhadas ao desenvolver de uma cultura inclusiva, elencando algumas ações que já são colocadas e práticadas pela instituição de ensino. “A UFMT criou um Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, com algumas prerrogativas como planejar, executar e acompanhar a avaliação de ações visando a promoção de acessibilidade entre estudantes e servidores e também nos colocamos à disposição com o curso de Libras, onde formamos licenciados para administrar cursos de Libras, além de cursos de extensão para intérprete de Libras. A UFMT, como casa do saber e do conhecimento, assim como o Tribunal de Justiça, valoriza essa relação e, principalmente, o debate como este”.
 
Todas as autoridades que participaram da abertura do Encontro de Acessibilidade fizeram suas autodescrições. O evento contou ainda com a presença do presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Chico 2000, e do vice-presidente da Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência de Mato Grosso, Marcionei Mendes de Pinho, entre outras lideranças do movimento de pessoas com deficiência.
 
Ainda na abertura do evento, o público que lotou o auditório do Tribunal de Justiça foi presenteado com as apresentações musicais do projeto “Harmonia Diferente”, composto por mães e seus filhos deficientes; e do projeto “Mãe e Filha Fortalecendo a Arte da Inclusão”, da servidora Ceila Mônica de Moura e sua filha Ana Gabriela Moura.
 
Mãe de autista relata importância do Judiciário no cotidiano desse público – A vice-presidente do projeto Harmonia Diferente, Dione Marcislaine de Souza Dutra, mãe do autista Adrian de Souza Dutra, 5 anos, explica que a entidade atende atualmente 47 crianças autistas de baixa renda, que recebem terapias gratuitas, como musicoterapia, acompanhamento de psiquiatra, psicopedagoga e psicóloga, todas voluntárias, além de uma rede de apoio para essas famílias, com rodas de conversa. “Hoje aqui foi uma porta muito grande que abriu pra gente mostrar um pouquinho do nosso trabalho, do quanto são importantes essas terapias e a visibilidade da pessoa com deficiência e de baixa renda, que é muito pior. Nós agradecemos por essa oportunidade do Tribunal de Justiça”, disse.
 
Dione Dutra comentou ainda o quanto é necessário para essas famílias que o sistema de justiça esteja atento às suas demandas. “Se para quem tem condições de entrar com uma liminar e tem um plano de saúde já é difícil, imagine pra quem depende do SUS, para quem está na fila de espera para conseguir um laudo e quando vem o laudo, não vem prescrevendo terapias, vem só com o CID e eles não conseguem as terapias porque precisam de receita médica. Então a gente pede muito o olhar do Judiciário para essas causas porque são pessoas que estão reféns, essas crianças vão crescendo e vão retardando no tratamento e regredindo porque não têm as terapias adequadas”.
 
Neuroplasticidade x Poda neural: importância do acompanhamento – O relato de Dione Dutra exemplifica o que foi abordado tecnicamente no evento pela pediatra e pós-graduada em Transtornos Mentais, Karinna Faro, que proferiu palestra sobre Transtorno do Espectro Autista, destacando a importância do diagnóstico precoce. Isso porque a neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de se moldar conforme os aprendizados ao longo da vida, contrasta com a chamada “poda neural”, que é a morte celular geneticamente programada e fisiológica de sistemas neurais que não estão sendo devidamente trabalhados. A médica explicou que essa poda neural começa a acontecer por volta dos 2 anos de vida do ser humano (seja ele autista ou não), e esse é um dos motivos para que o autismo ou demais deficiências cognitivas sejam detectados o quanto antes para que a criança inicie as terapias necessárias ao longo de toda a vida, evitando assim a poda neural e as regressões de níveis do espectro autista.
 
“Pra gente fechar um laudo de autismo, são necessários critérios presentes. O segredo é a gente saber interpretá-los, então, é necessário saber os marcos do desenvolvimento infantil, o que é esperado para o bebê de 3 meses, de 9 meses, para a criança de 2 anos. Porque uma vez que eu tenho esses marcos bem definidos, eu consigo perceber quando a criança está desviando do que seria esperado para sua idade”, explicou.
 
A médica comentou ainda que o investimento na primeira infância será determinante para garantir a autonomia, a independência e a vida laboral da pessoa deficiente na vida adulta. Em relação a esse recorte do transtorno do espectro autista (TEA) em pessoas adultas, o Encontro de Acessibilidade e Inclusão também proporcionou aos participantes a palestra com a psicóloga e especialista em Neuropsicologia, Giany Ghattas.
 
Acompanhamento adequado garante autonomia a autistas adultos – A programação matutina do Encontro de Acessibilidade contou também com a palestra “Caminhos do Espectro – como meu filho saiu do autismo grau 3 para o autismo grau 1”, proferida pela especialista em Autismo e Desenvolvimento, escritora e mãe de autista, Fátima de Kwant. Ela compartilhou a trajetória de vida de sua família após o nascimento do filho Edinho, 26, que a fez mudar toda sua carreira, de jornalista para especialista em autismo e ativista da causa, para poder se dedicar aos cuidados que o filho precisava para seu pleno desenvolvimento. “Meu filho de 26 anos mudou minha vida em todos os sentidos. É uma história que começou muito difícil, mas já está tendo uma continuação feliz. Meu filho era nível 3 de autismo e passou para o nível 1 de suporte”, contou.
 
Essa evolução foi possível graças ao acesso que a família teve a diversos tipos de terapias com profissionais. “Quando tudo está em harmonia acontecesse o que muita gente chama de milagre, mas não é, é fruto de uma luta constante”, disse Fátima, enfatizando que a sociedade precisa se conscientizar cada vez mais para que as pessoas com deficiência tenham condições de se desenvolver e ter um convívio social pleno. “Nós precisamos de vocês. Pais e mães de crianças autistas sabem como é importante a conscientização não só da nossa comunidade, mas da sociedade toda, das empresas, dos poderes, dos políticos, das igrejas, de todos os setores da nossa vida. Todo mundo poderia se beneficiar ao conhecer um pouco mais sobre o autismo”.
 
Quem também tem uma experiência de superação com a filha deficiente é a técnica judiciária Ceila Mônica de Moura, que atua no Núcleo de Previdência do TJMT e é mãe de Ana Grabriela Ferraz Moura, estudante e que tem atraso no desenvolvimento global.
 
Ela conta que Ana Gabriela já passou por muitas dificuldades, tendo que viajar para fazer diversas cirurgias, mas que o sentimento é de gratidão. “Primeiramente a Deus, porque hoje eu consigo compreender essa benção que ele colocou na minha vida, do meu esposo e da minha família. Ele depositou uma grande confiança em nós, é assim que eu vejo a situação”, avalia. A servidora também se diz grata por trabalhar no Tribunal de Justiça. “Por ser servidora aqui, com meus recursos que recebo, consegui proporcionar à Ana as terapias necessárias para que ela pudesse ter uma plasticidade melhor. Só tenho a agradecer ao Tribunal de Justiça por ser servidora aqui. Sempre fui acolhida e sempre que eu precisei de alguma coisa pra Ana, sempre fui atendida”, diz.
 
O 1º Encontro de Acessibilidade do Poder Judiciário também contou com exposição de brinquedos sensoriais desenvolvidos para crianças autistas e uma feira livre de pessoas com deficiência e familiares. Uma das expositoras foi Josiane Gonçalves de Lara, mãe de Peterson Júnior, 15, que tem Síndrome de Down. “Eu achei interessante e muito bom porque tem muitas mães que necessitam. Como eu tenho o Peterson, eu não posso trabalhar fora porque tenho que me dedicar a ele”.
 
Prestigiado pela comunidade de pessoas deficientes de Cuiabá e até mesmo de outros estados, o evento recebeu também Gabriel Borges Bertin, 12 anos, autista, filho da advogada e palestrante sobre o projeto Autismo Legal, Carla Bertin, que comentou sobre a importância de que as pessoas conheçam mais sobre o autismo e outras deficiências para atingir uma sociedade com maior integração. “As pessoas precisam realmente conhecer porque geralmente elas conhecem o extremo, o estereótipo. Ou é um gênio igual ao que aparece nas séries e nos filmes ou é aquela criança que tem muitas crises, que se joga no chão quando não ganha o que quer. E essa era a realidade que minha mãe pensava antes de me conhecer melhor”, disse.
 
#Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem:foto horizontal colorida da desembargadora Nilza diante de um púlpito e um microfone fazendo a abertura do evento, ao lado da tela onde estão projetadas imagens de pessoas com deficiência e o texto que diz “1º Encontro Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso 30/11/2023 Auditório Gervásio Leite”. Segunda imagem: foto horizontal colorida da presidente Clarice com o cão terapeuta na entrada do espaço Gervásio Leite, onde há uma parede com uma galeria de quadros de ex-presidentes do TJMT. Ela está em pé, segurando o cachorro pela coleira, olha para a direita e sorri. Ela é uma mulher branca, tem cabelos curtos e loiros, usa um vestido marrom estampado e colar dourado.  Terceira imagem: foto horizontal colorida do auditório Gervásio Leite em plano geral. A plateia está sentada, de costas para a câmera, e no centro do palco há uma projeção de tela digital com a imagem da palestrante Fátima Kwant falando via zoom. Quarta imagem: foto horizontal colorida da servidora Ceila Mônica tocando com sua filha com deficiência. Ambas estão sentadas, Ceila toca violão e a filha toca um pandeiro, elas vestem vestido e usam óculos. 
 
Celly Silva/Fotos: Ednilson Aguiar
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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