Tribunal de Justiça de MT

Curso de Comunicação Assertiva fortalece atuação de magistrados e servidores do Judiciário

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O primeiro dia presencial do curso “Comunicação Assertiva e Oratória para a Magistratura”, promovido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), evidenciou a importância da comunicação como ferramenta estratégica para magistrados e servidores que atuam diretamente no atendimento ao público e na condução da atividade jurisdicional. A formação é ministrada pelo jornalista e professor Gabriel Henrique Collaço, especialista em comunicação judicial e com ampla experiência na capacitação de magistrados em todo o país.

Ao abordar os fundamentos da comunicação assertiva, Collaço destacou que a habilidade vai muito além da simples fala. Para ele, trata-se de um elemento essencial para fortalecer a relação do Judiciário com a sociedade, com a imprensa e com o público interno.

“A comunicação assertiva vai trazer a possibilidade de o magistrado estar mais próximo também da sociedade, da própria imprensa, já que muitas vezes precisa conceder uma entrevista ou ser fonte de algum material para a ocupação de um espaço necessário para o Poder Judiciário”, explicou. Ele reforçou ainda que a comunicação eficaz é indispensável para o exercício da função jurisdicional. “É essencial que seja assertiva, para que a magistratura consiga trabalhar a comunicação interpessoal e interinstitucional e estar próxima do jurisdicionado, que é a função primordial da Justiça.”

O professor também chamou atenção para a importância da escuta ativa no processo comunicacional, citando o conceito de “escutatória”, de Rubem Alves. “Escutar para desenvolver a comunicação”, salientou. “É isso que vai fazer com que magistrados e servidores exerçam suas funções com a assertividade necessária no processo de comunicação”.

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Ganhos na prática

O juiz Patrick Gappo, titular da Primeira Vara da Comarca de Mirassol D’Oeste, destacou a relevância prática da formação para a rotina forense. Ele afirmou estar muito satisfeito com o curso, especialmente porque a atividade jurisdicional exige constante interação com diferentes públicos — da imprensa aos advogados, passando por audiências e atendimentos diários. Para ele, receber ferramentas que aprimoram a capacidade de falar e se expressar com clareza faz diferença direta no desempenho profissional. “Um curso como esse vai ser muito útil para aprimorar e passar com mais clareza e objetividade as mensagens que precisamos transmitir, seja na audiência ou em entrevistas para a sociedade”, avaliou.

A ampliação do curso para assessores, chefes de gabinete e gestores judiciários foi bem recebida pelos participantes, que enxergam na formação uma oportunidade de aprimorar a comunicação com o público externo e interno.

Para Shusiene Tassinari Machado, diretora do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (Corregedoria), o conteúdo oferecido contribui diretamente para a segurança e clareza na transmissão de informações. “O curso nos permite mais segurança nesses momentos de comunicação com o público externo, usar uma linguagem adequada, ser suave ao passar uma informação ou conteúdo, e atingir o resultado que pretendemos”, afirmou. Ela destacou ainda a importância das técnicas apresentadas para situações que envolvem câmeras, microfones e exposições públicas.

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Já Luciana Barros, assessora e conciliadora do Serviço de Atendimento Imediato (SAI), ressaltou o impacto da comunicação assertiva no atendimento de situações sensíveis, como as que vivencia diariamente ao atender casos de acidentes de trânsito. “A comunicação assertiva nos instrui com técnicas de escuta, principalmente no caso de acidentes, quando as partes chegam muito nervosas”, relatou. Segundo ela, o aprendizado contribui para criar um ambiente de acolhimento e facilitar a construção de acordos. “Buscamos um consenso que resolve o conflito e garante segurança às partes”, completou.

Com carga horária de 20 horas, o curso segue até amanhã (27 de março), combinando atividades presenciais e conteúdos EAD. A programação inclui práticas de oratória, expressão corporal, argumentação, comunicação interpessoal e estratégias de apresentação profissional.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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