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Campanha Opção pela Vida leva olhar humanizado a centenas de adolescentes em Rondonópolis

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Em tempos de avanço tecnológico e das comunicações, que visam facilitar as vidas cada vez mais corridas das pessoas, muitas vezes, as relações humanas podem ficar abaladas, com pessoas de todas as faixas etárias e classes sociais desencadeando problemas de saúde mental. Pensando nisso, entre segunda e quinta-feira (12 e 14), mais de 400 adolescentes, alunos de escolas estaduais de Rondonópolis e em cumprimento de medida socioeducativa, receberam um olhar humanizado, por meio de palestras com psicólogos e psiquiatras, na sede da 1ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT). Na sexta-feira (15 de setembro), um público estimado em 150 jovens também deve ser contemplado.
 
As atividades fazem parte da campanha “Opção Pela Vida!”, promovida pela Vara Especializada da Infância e Juventude de Rondonópolis, juntamente com a Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, a 1ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), a
Justiça Comunitária, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e demais membros da sociedade civil organizada, em alusão ao Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio.
 
Uma das palestrantes foi a psicóloga de crianças e adolescentes e especialista em análise comportamental, Tatiani Marques, que buscou, por meio de uma linguagem simples, em tom de conversa e com algumas dinâmicas em grupo, abordar questões presentes no cotidiano de adolescentes, como a discriminação, o bullying, a falta de empatia, a depressão e carências afetivas, como a autoaceitação e aceitação do outro e a atenção dos pais.
 
“Eu trabalhei a questão de preconceito, discriminação, respeito ao próximo. Coloquei eles para fazer uma autorreflexão, fecharem os olhos e lembrarem quando foram machucados por uma palavra e pensar que aquilo também machuca o outro. Fiz com que eles interagissem e percebi muitos dizendo a realidade deles, que sofrem preconceito por se achar gordinha, porque se acha feia, que tem depressão, tanto que alguns depois vieram falar comigo”, relata.
 
A profissional afirma que o olhar de pedido de ajuda por parte daqueles adolescentes foi o que mais lhe impactou. Por isso, ela ressalta a importância do acolhimento emocional e orientou aos jovens que se amem acima de tudo, independentemente da aceitação alheia.
 
“Foi muito perceptivo que têm muitos sofrendo. Então eu quis passar que tem como reverter, desde que eles se amem, que saibam diferenciar o que é do outro e o que é deles, aprendam a filtrar. Falei da importância do ser e não do ter, sobre eles aprenderem a lidar com o que eles têm por dentro porque eles ficam muito focados em acompanhar os outros”, afirma Tatiani Marques.
 
Segundo a psicóloga, mesmo tentando fazer tudo de melhor pelos filhos, às vezes, os pais acabam contribuindo para esse quadro. “Está faltando informação tanto para os pais quanto para a sociedade, saber o que é saúde mental. Muitos acham que é frescura porque dão de tudo para os filhos, mas a depressão só quem passou vai saber o que é. Nós nos tornamos um mundo de pessoas com doenças mentais. Ainda é um tabu e essa geração é a que mais vai sofrer. As crianças estão adoecendo por discriminação. É muito complicado, é muita dor. Eles precisam de mais atenção dos pais, conversar pessoalmente, ter a dinâmica de maior contato físico, contato visual, abraço e colocar responsabilidades também”, orienta.
 
Parceria em prol dos adolescentes
 
Presidente da Comissão de Saúde da 1º Subseção da OAB em Rondonópolis, o advogado Ruan Gustavo Meira Bonatti, destaca que o evento teve também como público-alvo professores e diretores de escolas estaduais e classifica a campanha como satisfatória.
 
“Tivemos palestras incríveis! Lotamos a sede da OAB com adolescentes e eu acredito que a mensagem foi transmitida para eles, com relação à comunicação, a darmos mais atenção à individualidade de cada um, respeitar ao próximo”, avalia.
 
Para o advogado, eventos como este, feitos em parceria entre instituições como a OAB, O Ministério Público e o Poder Judiciário geram grande impacto na sociedade. “Que nós possamos ver cada vez mais essa união de esforços entre esses três institutos tão importantes para a sociedade”.
 
A juíza Maria das Graças Gomes da Costa, da Vara Especializada da Infância e Juventude de Rondonópolis, também reforça a relevância dessa união de esforços entre as instituições públicas para garantir direitos das crianças e adolescentes. “Eu só tenho elogios porque a doutora Patrícia, promotora da infância, esteve todas as noites falando com os nossos adolescentes, com os nossos professores, com os nossos diretores, tem nos ajudado muito! Percebe-se que há uma interação entre o papel do Ministério Público e a sociedade de Rondonópolis. Então está cada vez mais todo mundo entendendo a que serve este poder que o promotor de justiça tem. É uma intervenção pacífica, profissional, necessária, com resultados ótimos. Por outro lado, a OAB também tem se mostrado uma instituição que existe no sentido da defesa da democracia, na defesa dos direitos de todos com igualdade”, avalia.
 
Conforme a magistrada, os três primeiros dias de campanha foram excelentes e a expectativa para o encontro desta sexta-feira (15) é positiva. “Tudo o que eu tenho a dizer é que espero concluir hoje com muito êxito, com a graça de Deus, porque nas últimas noites foram maravilhosos os resultados. Eu estou muito satisfeita!”.
 
Maria das Graças ainda aponta que o alcance da campanha “Opção pela Vida!” aponta para uma continuidade dessa ação. “Tem sido muito proveitoso e eu acredito que é somente o início. É uma campanha que tende a virar um programa. Nós não vamos deixar que a ‘Opção pela Vida’ seja um assunto só de setembro, nós não devemos fazer essa opção somente em um mês”, pontua.
 
Programação – Nesta sexta-feira (15), a partir das 19h, na sede da 1ª Subseção da OAB em Rondonópolis, localizada na Rua Barão do Rio Branco, 2650, Jardim Santa Marta, haverá mais uma noite de palestras para os estudantes. No dia 23 de setembro, a partir das 8 horas, haverá uma caminhada no centro da cidade, no trajeto entre a Praça do Carreiro até a Praça Brasil e, no mesmo dia, às 12h, haverá outro encontro com palestras para os adolescentes, desta vez, no centro socioeducativo da cidade.
 
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Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Auditório da OAB de Rondonópolis lotado de adolescentes vestidos com camisetas amarelas, assistindo à palestra. Foto 2: Cerca de 20 participantes da campanha Opção pela Vida posam para foto, a maioria deles vestidos com camisetas amarelas com a logo da campanha. Atrás deles, há dois banners com a logomarca Opção Pela Vida afixados na parede.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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