TRE - MT
Mutirões atendem eleitores indígenas dos povos Bakairi e Xavante, em Paranatinga
Publicado em
4 de agosto de 2025por
Da Redação
Povos indígenas das etnias Bakairi e Xavante, em Paranatinga (distante a 380 km de Cuiabá) serão contemplados por mutirões eleitorais, organizados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), com foco no cadastramento biométrico. Os atendimentos ocorrerão entre os dias 4 e 8 de agosto, no horário das 9h às 16h. No período de 4 a 6 de agosto, os atendimentos serão voltados para a nação Bakairi, nas dependências da Escola Municipal Indígena José Pires Uluko, localizado na Aldeia Pkuera. Nos dias 7 e 8 de agosto será a vez da nação Xavante, na Escola Municipal Indígena Ceremece Cerepse, na Terra Indígena Marechal Rondon.
O atendimento aos povos indígenas compõe o Plano Estratégico de Atendimento Biométrico 2025, elaborado pela 57ª Zona Eleitoral para os municípios de Paranatinga e Gaúcha do Norte. Esse planejamento detalhado traça um panorama do cadastramento biométrico nos dois municípios, por locais de votação e dos desafios para fazer a coleta biométrica. O plano inclui um cronograma preliminar de execução e cronologia, bem como instrumentos, recursos humanos, estrutura necessária, monitoramento e avaliação. O mesmo planejamento inclui atendimento, em determinado momento, nos fins de semana nos dois municípios.
“O plano tem por objetivo a realização de ações coordenadas eficientes e adaptadas à realidade de cada município pertencente à circunscrição desta zona eleitoral, levando em consideração as particularidades geográficas, logísticas e a atual cobertura biométrica de cada localidade”, analisa a juíza eleitoral Raíza Vitória de Castro Rego Bastos Gonzaga, da 57ª Zona Eleitoral em Paranatinga. O mutirão é uma estratégia para alcançar a meta da campanha “Biometria 100%”, coordenada pela Corregedoria Regional Eleitoral (CRE), que é no mínimo de 98% de cobertura biométrica no Estado.
Mesmo que a finalidade seja o cadastramento biométrico, os mutirões também oferecerão outros serviços como alistamento eleitoral (1º Título), revisão, transferência de endereço, emissão de guias para pagamento de multas e regularização eleitoral. Cada mutirão contará com dois servidores da Justiça Eleitoral e dois kits biométricos (computador portátil, scanner para coleta da biometria, câmera digital, pad para assinatura e cases para cenário e para o transporte de equipamentos). Os kits são padronizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para ser atendido, basta apresentar documento oficial com foto (com número de CPF) e comprovante de endereço. O eleitor ou eleitora já deixa o mutirão com a coleta realizada e com o título de eleitor em mãos.
Difícil acesso
De acordo com o chefe do cartório da 57ª Zona Eleitoral, Igor Burini Silva, foi a partir de dados fornecidos pela Coordenadoria de Sistemas Eleitorais (CSE), que o TRE-MT identificou um número expressivo de eleitores sem cadastro biométrico nas aldeias dos povos indígenas Bakairi e Xavante. Outro motivo para a realização do mutirão eleitoral indígena é a distância de 110 km entre a sede do município e a Aldeia Bakairi, enquanto até a Aldeia Xavante são cerca de 65 km. Ambos os percursos são feitos por estrada de terra, em trechos de difícil acesso.
Burini informou ainda que todo o atendimento foi planejado após diálogo com as lideranças indígenas locais, respeitando seus modos de organização e promovendo a participação cidadã. “A Justiça Eleitoral tem o compromisso de garantir o acesso ao processo democrático a todos os cidadãos e cidadãs, independentemente da sua localização geográfica ou pertencimento étnico. Essa ação reafirma nosso papel de inclusão e equidade, especialmente com os povos indígenas, que muitas vezes enfrentam barreiras logísticas e culturais para acessar serviços públicos”, destacou.
Panorama eleitoral
Na Escola Municipal Indígena José Pires Uluko o eleitorado apto a votar é formado por 545 pessoas, sendo que 327 já fizeram a biometria, o correspondente a 60%, enquanto 218 (40%) não fizeram a biometria. Já na Escola Municipal Indígena Ceremece Cerepse votam um eleitorado de 459 pessoas, sendo que 270 (58,82%) possui biometria, ao passo que 189 (41,18%) não possui cadastramento biométrico.
Paranatinga é um dos municípios com uma das menores taxas de cobertura biométrica no Estado. Segundo indicadores do TRE-MT), dos 15.971 eleitores e eleitoras aptos a votar no município, 8.697 (54,45%) já possuem biometria, enquanto falta um eleitorado de 7.274 (45,55%) para fazerem cadastramento biométrico.
Jornalista Anderson Pinho
#PraTodosVerem – A imagem apresenta duas escolas indígenas em destaque, emolduradas por um padrão gráfico tradicional. À esquerda, vê-se a Escola Ceremece Cerepse, um prédio simples de cor azul com telhado cerâmico, rodeado por área gramada e brinquedos infantis ao ar livre. À direita, está a escola José Pires Uluko, com uma estrutura maior, de arquitetura diferenciada, com colunas azuis e telhado em várias águas. Ao fundo da montagem, há uma imagem de indígenas com cocares, em ritual, reforçando o contexto cultural indígena das instituições retratadas. A imagem está emoldura com temática étnica.
Fonte: TRE – MT
TRE - MT
TRE-MT promove curso sobre eleições sob a perspectiva dos direitos humanos, da equidade e da inclusão
Published
1 mês agoon
9 de junho de 2026By
Da Redação
Direitos humanos, equidade racial, inclusão e representatividade são temas que ganharam espaço central no debate democrático contemporâneo. Com esse foco, teve início nesta segunda-feira (08.06), no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), o curso telepresencial “Eleições em Perspectiva: Direitos Humanos, Gênero, Raça e Etnia em Processo Eleitoral”. A capacitação segue até quinta-feira (11.06) e reúne magistrados(as), promotores(as) e servidores(as) da Justiça Eleitoral.
A formação aborda temas centrais do processo eleitoral a partir de uma perspectiva voltada aos direitos humanos e à promoção da equidade. O conteúdo programático está dividido em quatro módulos: Propaganda Eleitoral com enfoque em direitos humanos, gênero, raça e etnia; Registro de Candidatura com enfoque interseccional; Prestação de Contas e financiamento com foco em equidade; e Abuso de Poder (econômico, político, comunicacional e religioso) e práticas discriminatórias.
Ao dar as boas-vindas aos participantes, a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, destacou que a inclusão, o diálogo e o acolhimento são fundamentais para o fortalecimento da democracia e para a aproximação da Justiça Eleitoral com a sociedade.
“A Justiça Eleitoral precisa conversar com todas as pessoas, acolher diferentes perspectivas e promover a participação de todos no debate público. O conhecimento e o acolhimento são fundamentais para construirmos uma democracia cada vez mais humana e inclusiva”, afirmou a presidente.
A desembargadora ressaltou ainda que a participação no processo eleitoral, seja como eleitora, candidata, servidora, advogada, promotora, juíza ou mesária, representa um importante exercício de cidadania e fortalecimento democrático. Para ela, iniciativas como o curso ampliam o conhecimento, qualificam o debate público e contribuem para uma atuação institucional cada vez mais inclusiva.
A juíza auxiliar da Presidência do TRE-MT, Edna Ederli Coutinho, destacou a importância da temática para o fortalecimento da democracia e para a atuação institucional da Justiça Eleitoral.
Segundo ela, o debate sobre inclusão e representatividade deixou de ocupar um espaço periférico e passou a integrar o centro das discussões sobre aperfeiçoamento democrático. “A ampliação da participação de mulheres, pessoas negras, indígenas e outros grupos historicamente minorizados não é apenas uma pauta social, mas uma exigência constitucional e um compromisso institucional. Mais do que uma oportunidade de atualização técnica, este curso nos convida a refletir sobre o papel da Justiça Eleitoral na construção de uma democracia efetivamente inclusiva, plural e representativa”, afirmou.
O diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Mato Grosso (EJE-MT), juiz-membro substituto Welder Queiroz dos Santos, ressaltou que a promoção da inclusão e da diversidade está alinhada às diretrizes nacionais da Justiça Eleitoral.
“A primeira grande bandeira institucional do Tribunal Superior Eleitoral foi justamente a inclusão de mulheres, pessoas negras e indígenas na participação política. Trata-se de um tema fundamental para o fortalecimento do ambiente democrático e para a construção de uma sociedade mais representativa”, destacou.
Ao dar início às atividades, o palestrante Elder Maia Goltzman explicou que a proposta do curso é promover um diálogo entre o Direito Eleitoral e os Direitos Humanos, permitindo uma nova leitura dos principais institutos eleitorais.
“A ideia é analisar temas como propaganda eleitoral, abuso de poder, prestação de contas e registro de candidatura sob a perspectiva dos direitos humanos. Muitas das questões enfrentadas pela Justiça Eleitoral envolvem dilemas relacionados à inclusão, igualdade e proteção de direitos fundamentais. Por isso, queremos construir um espaço de diálogo, reflexão e troca de experiências”, afirmou.
Especialistas de referência nacional
O curso é ministrado por dois especialistas com ampla atuação acadêmica e profissional na área.
Elder Maia Goltzman é analista judiciário do TRE-SP, mestre em Direito e Instituições do Sistema de Justiça pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), doutorando em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em Direito Administrativo. Atua em pesquisas relacionadas à liberdade de expressão, direitos humanos, população LGBTQIAPN+, desinformação e direito digital, além de ser professor em cursos de pós-graduação e autor de obras na área eleitoral.
A programação também contará com a participação de Sabrina de Paula Braga, responsável por ministrar módulos do curso ao longo da semana. Analista judiciária do TRE-MG, é mestra e doutoranda em Direito Político pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenadora do eixo “Participação de Grupos Minorizados” da Capacitação Nacional das Escolas Judiciárias Eleitorais e integrante da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Justiça Eleitoral.
Jornalista: Andréa Martins Oliveira
#PratodosVerem – Participante acompanha, por meio de um notebook, o curso telepresencial “Eleições em Perspectiva: Gênero, Raça e Etnia no Processo Eleitoral”, promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Na tela, aparecem autoridades e participantes da capacitação em videoconferência, enquanto o palestrante apresenta conteúdo relacionado aos direitos humanos e ao processo eleitoral.
Fonte: TRE – MT
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