A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) realizou, entre terça-feira (08.10) e quinta-feira (10.10), a formação em Educação Ambiental para conselheiros e comunidades do entorno do Parque Estadual Serra Ricardo Franco, em Vila Bela da Santíssima Trindade (a 521 km de Cuiabá).
Participaram do curso representantes da Prefeitura Municipal de Vila Bela da Santíssima Trindade, de comunidades tradicionais quilombolas, dos povos indígenas da região, além de guias de turismo, professores e acadêmicos da Universidade Estadual de Mato Grosso, Polícia Militar e lideranças socioculturais do município.
O objetivo da iniciativa foi sensibilizar os participantes a se tornarem multiplicadores em educação ambiental para a construção de sociedades sustentáveis.
“A didática foi dinâmica e participativa. Aprendi quais são os meus deveres, obrigações, responsabilidades e a forma correta de colocar em prática. Vi como é importante respeitar o parque estadual”, disse a participante Maria Laura Cuellar Lopez.
A secretária de Turismo de Vila Bela da Santíssima Trindade, Rayane Mara Batista, que também participa do conselho consultivo do parque, destacou que o mundo vive uma crise climática ambiental com muita desinformação. “O curso colocou o parque como foco para todas as ações de educação ambiental que possibilita mais conhecimento popular de como podemos cuidar e preservar o meio ambiente como um todo”, apontou.
A superintendente de Educação Ambiental e atendimento ao cidadão da Sema, Juliana Carvalho, frisou que o curso promoveu aprendizagem e compartilhamento de ideias, além de discussões de propostas em educação ambiental a serem desenvolvidas a favor da unidade de conservação.
“Por meio de atividades participativas e dialogadas, os conselheiros refletiram sobre como cada segmento pode contribuir para a conservação da geobiodiversidade do Parque Serra Ricardo Franco, além de discutirem seus direitos e deveres enquanto conselheiros. No segundo módulo, os participantes irão apresentar um projeto de educação ambiental para solucionar um dos problemas ambientais do Parque identificado pelo grupo”, avaliou.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) requereu à Justiça medidas para monitorar a influência da Usina Hidrelétrica (UHE) Manso sobre a vazão do Rio Cuiabá e o ciclo natural de inundação do Pantanal. O objetivo é garantir a execução de estudos previstos em acordo judicial e reunir informações técnicas que permitam avaliar os impactos da operação da usina sobre áreas alagáveis, como as baías de Chacororé e Siá Mariana. Na manifestação apresentada à Vara Especializada do Meio Ambiente, o MPMT destaca que a operação do reservatório de Manso é um dos fatores que precisam ser analisados diante do agravamento da seca na região pantaneira. Estudos citados no processo indicam que a regulação da vazão do Rio Cuiabá pode interferir no ciclo natural de cheias e vazantes, fenômeno essencial para a manutenção dos ecossistemas do Pantanal. O Ministério Público ressalta que a UHE Manso não é apontada como a única responsável pela redução dos níveis de água no bioma. No entanto, defende que sua operação deve ser avaliada em conjunto com outros fatores que afetam o equilíbrio hídrico da região, como assoreamento, intervenções em cursos d’água, alterações na paisagem e eventos climáticos extremos. Entre os pedidos apresentados à Justiça está a cobrança para que o Estado de Mato Grosso e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) informem o andamento dos estudos previstos em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O documento prevê modelagens hidrológicas e hidrodinâmicas, definição de um hidrograma ecológico e simulações de cenários de liberação de vazão suplementar pela UHE Manso. Segundo o MPMT, essas informações são fundamentais para definir estratégias voltadas à recuperação do pulso natural de inundação do Pantanal, processo responsável pela renovação dos ambientes aquáticos e pela manutenção da biodiversidade do bioma. A manifestação também incorpora dados coletados durante a segunda etapa do Projeto Travessia Pantaneira, realizada em julho deste ano. Em audiências públicas, reuniões institucionais e diligências técnicas promovidas em comunidades pantaneiras, moradores, pescadores, ribeirinhos e quilombolas relataram dificuldades relacionadas à escassez de água e aos efeitos da estiagem prolongada. Durante vistoria na Estrada-Parque Transpantaneira, integrantes do projeto identificaram áreas com ressecamento acentuado e alterações no fluxo natural das águas. O relatório técnico produzido pela equipe aponta a necessidade de aprofundar os estudos sobre os fatores que vêm influenciando a disponibilidade hídrica no Pantanal, incluindo a operação da UHE Manso. Outro ponto destacado pelo Ministério Público é a previsão de um novo período de seca associado ao fenômeno El Niño. Diante desse cenário, a instituição defende medidas preventivas e maior agilidade na conclusão dos estudos para subsidiar decisões técnicas relacionadas à gestão dos recursos hídricos do Rio Cuiabá e à operação da usina. O pedido também prevê a apresentação de dados atualizados sobre as vazões afluentes e defluentes da UHE Manso, o nível do reservatório e as condições do Rio Cuiabá, especialmente na região de Barão de Melgaço. Para o Ministério Público, essas informações são essenciais para avaliar os impactos da operação da usina e orientar ações voltadas à preservação do equilíbrio hídrico do Pantanal. A manifestação é assinada pela procuradora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza, coordenadora do Projeto Travessia Pantaneira; pelos promotores de Justiça Joelson de Campos Maciel, titular das 15ª e 16ª Promotorias de Justiça Cíveis de Defesa do Meio Ambiente Natural da Capital; Henrique Schneider Neto, da 1ª Promotoria de Justiça de Santo Antônio de Leverger; Mario Anthero Silveira de Souza Bueno Schober, da 1ª Promotoria de Justiça de Poconé; Adalberto Ferreira de Souza Junior, da 2ª Promotoria de Justiça de Poconé; Liane Amélia Chaves, da 2ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres; e Claudio Angelo Correa Gonzaga, da 1ª Promotoria de Justiça de Itiquira.
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