O vice-governador Otaviano Pivetta afirmou, durante lançamento de editais para concessão de seis lotes de rodovias estaduais, que a iniciativa irá trazer estradas de qualidade para o transporte seguro dos cidadãos mato-grossenses e também o desenvolvimento econômico do Estado.
“As estradas fazem o transporte seguro de nossas crianças para escolas, garantem o acesso aos serviços de saúde, o escoamento da produção agrícola regional e contribuem para o desenvolvimento dos nossos municípios”, afirmou o vice-governador Otaviano Pivetta nesta sexta-feira (29.11).
Segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), a iniciativa prevê um investimento de R$ 8 bilhões para os próximos 30 anos. O leilão ocorrerá no dia 7 de fevereiro de 2025, na Bolsa de Valores de São Paulo.
O vice-governador destacou que o modelo de concessão adotado pelo Governo do Estado segue o exemplo de São Paulo e de diversos países de primeiro mundo, que têm utilizado essa estratégia para modernizar a infraestrutura e promover o desenvolvimento sustentável.
“Estamos convocando o setor privado para colaborar conosco em direção ao progresso de Mato Grosso, oferecendo mais segurança, competitividade e eficiência em nossas estradas para os nossos cidadãos”, destacou Otaviano Pivetta.
Ele também frisou que Mato Grosso é um estado com grandes oportunidades de crescimento. “Nosso estado é moderno e promissor, com grande potencial de crescimento populacional até 2070, segundo o IBGE. O que estamos fazendo aqui é garantir que Mato Grosso se desenvolva de forma sustentável e moderna nos próximos dez anos”, ressaltou.
Também estiveram presentes no evento os deputados estaduais Nininho, Diego Guimarães, Paulo Araújo, Beto Dois a Um e Valmir Moretto, os secretários de Estado de Laice Souza (Comunicação), Alan Porto (Educação), Jordan Espíndola (Gabinete do Governador), e Paulo Faria (Controladoria Geral), além dos prefeitos de Campo Verde, Alexandre Lopes, de Guiratinga, Barga Rosa, e de Primavera do Leste, Leonardo Bortolin.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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