Mato Grosso
Quatro novas escolas inauguradas pelo Governo de MT em 2023 beneficiam mais de 3,5 mil estudantes
Publicado em
19 de dezembro de 2023por
Da RedaçãoA Escola Estadual Ernandy Maurício Baracat de Arruda, em Várzea Grande, foi construída com investimento de mais de R$ 7 milhões e oferece aos 1.200 estudantes um ambiente de qualidade e equipado. Possui 16 salas de aula, laboratórios, biblioteca, refeitório, cozinha moderna, quadra poliesportiva e dependências administrativas.
Karina Sandri, moradora do bairro Canelas, onde a escola está localizada, disse que a unidade era um sonho antigo dos moradores. “A escola ficou muito bem estruturada e equipada. Na minha época não tinha computadores e TVs na sala de aula. Investir em educação é muito importante e beneficia a todos”, afirmou.
A nova estrutura atende, além de estudantes do bairro Canelas, moradores dos bairros Nova Fronteira, Jardim Paula II, Ouro Verde e Paiaguás, desde fevereiro deste ano.
As construções fazem parte do plano Educação 10 anos, que investe na transformação da educação pública do Estado para melhorar a qualidade da infraestrutura educacional e avançar no processo de ensino.
Outra unidade inaugurada neste ano é a Escola Estadual Evangélica Assembleia de Deus, em Barra do Garças, com capacidade de atender até 1.300 estudantes. O espaço construído pelo valor de R$ 5,4 milhões tem 36 ambientes amplos e mobiliários totalmente novos para atender estudantes do 7º ao 8º ano do Ensino Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA).![]()
Para o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, as novas unidades fazem parte de um conjunto de ações, incluídas no Educação 10 anos, que fortalecem o processo de ensino e aprendizagem.
“Além de uma estrutura moderna e funcional, a entrega dessas unidades contempla uma série de vantagens como; tecnologia em sala de aula, mobiliários novos e materiais de qualidade, que fazem parte do conjunto de ações que fortalecem o ensino, e que colocarão o estado entre os melhores do país”, pontuou o secretário.
Além dessas unidades, a Seduc entregou também a Escola Municipal Professor Marcelino Espíndola Dutra, com um investimento de R$ 13.422.797,82 em regime de colaboração com a Prefeitura Municipal de Lucas do Rio Verde. A nova unidade tem 13 salas de aula, ambientes de convivência, sala de professores, administrativo, cozinha, refeitório, almoxarifado, sala maker, auditório, espaço de descanso para os servidores e sala de Atendimento Educacional Especializado.
Mais entregas
No início do mês, o governador em exercício, Otaviano Pivetta, e o secretário Alan Porto, realizaram a entrega da Escola Estadual José Alves Bezerra, em Porto dos Gaúchos. Na construção foram investidos R$ 3,7 milhões, em regime de colaboração entre a Seduc e a prefeitura do município.
Em 2024, a previsão é de entregar 15 novas unidades escolares, com investimentos de mais de R$ 136,3 milhões. Entre as novas unidades estão as cinco unidades escolares projetadas no Sistema Modular de Superestrutura em Pré-Moldados, que leva aproximadamente 180 dias para ser construída, o que agiliza as entregas.
Fonte: Governo MT – MT
Tribunal de Justiça de MT
Mulheres vítimas de violência encontram apoio mútuo para recomeçar graças à Rede de Enfrentamento
Published
47 minutos agoon
5 de agosto de 2026By
Da Redação
Dos cinco tipos de violência contra a mulher (física, psicológica, moral, sexual e patrimonial), L.R.S. afirma ter sofrido “todos da lista e mais alguns”. Dos 9 aos 14 anos de idade, ela chegou a ter que dormir embaixo da cama para escapar das tentativas de abuso por parte do irmão do pai dela, a quem recusa chamar de tio. Já casada, sobreviveu a quatro tentativas de feminicídio por parte do ex-marido. Mas o que a levou a obter uma medida protetiva foi uma situação que ela mesma classifica como “bizarra”. Isso porque o agressor não era alguém com quem tivesse relacionamento afetivo. “Eu era apenas inquilina e ele tentou me estuprar dentro de casa”, resume.
Foi após essa violência que L. procurou o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Sinop (500 km ao norte de Cuiabá) para se cadastrar em programa habitacional, já que não tinha mais condições de morar no imóvel do agressor. “A moça do CRAS me perguntou por que eu estava tão nervosa, porque ela estava me achando muito estranha e ansiosa. Aí eu contei o que tinha acontecido. Ela me orientou a ir na delegacia fazer um boletim de ocorrência e depois voltar ao CRAS, que me encaminhou ao CREAS”, relata.
Desde então, L. tem sido atendida pela Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Sinop, composta por mais de 30 instituições públicas e privadas, dentre elas o Poder Judiciário e o CREAS, por meio da qual ela participa de rodas de conversa com outras mulheres com medida protetiva. “Eu cheguei muito abalada psicologicamente e fisicamente, porque eu sempre tive uma responsabilidade muito grande porque eu sempre fui pai e mãe dos meus filhos. E com mais isso que vem acontecendo dá uma certa travada na mente da gente, uma dificuldade de raciocínio na vida da gente… E aqui eu fui bem recebida, bem orientada”, afirma.
Na roda de conversa mediada por profissional do CREAS, cada uma conta um pouco de si. “A gente se identifica e aquilo vai ajudando tanto a aliviar, quanto a ensinar. Eu aprendo muito, como também ensino muito. O grupo ajuda bastante. Eu estou me sentindo muito bem e não perco uma reunião. Se eles marcam 7h, 6h30 eu já estou na porta. Já estou esperando o próximo encontro”, afirma L.
Ela relata que além do contato no CREAS, as mulheres têm buscado conviver fora daquele espaço, indicando trabalho umas para as outras, dando conselhos, chamando para outras atividades. “É um jeito da gente conviver, da gente se abraçar como se fosse família”.
Por trás da muralha da dúvida, a paz
Em meio a um casamento conturbado, o medo de ficar longe dos quatro filhos falou mais alto do que a coragem para denunciar a violência. Durante uma agressão, o marido chega a quebrar o celular da mulher para impedi-la de chamar por ajuda. O filho do casal, ao ver a situação, corre até a vizinha e pede para ligar pra Polícia. Com um boletim de ocorrência em mãos, é dado prosseguimento à medida protetiva e encaminhamento à Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Sinop.
Assim, A.R.P. passou a fazer parte da roda de conversa entre mulheres vítimas de violência e seus filhos foram encaminhados para atendimentos psicológicos e projetos sociais ligados à Educação, Cultura e Esporte. “Através de todo esse conjunto de projetos, hoje a gente tem apoio para tentar deixar pra trás aquilo que nos feriu. O CREAS, pra mim, foi muito importante porque eu cheguei lá sem rumo, sem entendimento, sem orientação nenhuma, com muito medo e dúvidas sobre o que poderia acontecer a partir do momento da decisão que eu tomei. E o CREAS me orientou sobre os meus direitos porque, no momento em que só havia apontamentos, o CREAS me olhava diferente, sem julgamento”.
Segundo A.R.P., um dos motivos para não ter procurado ajuda antes foi a barreira da dúvida e do medo de não ser acreditada. “Quando se fala em fórum, as pessoas criam uma muralha. ‘Ah, é difícil o acesso. As pessoas não vão acreditar’. Isso surge porque imagina que se as pessoas que estão próximas a você não acreditam, que dirá pessoas que nunca olharam na sua cara? Eu acho que esse é o maior obstáculo para as mulheres tomarem iniciativa porque a dúvida vem através dos que estão ao redor, pessoas do seu sangue”, comenta.
A mãe de família complementa que, por vezes, mulheres vítimas de violência buscam apoio junto às pessoas erradas, e aconselha a quem esteja passando pela mesma situação que ela viveu a deixar a dúvida e o medo para trás e buscar ajuda no local correto. “Muitas vezes, procuramos pessoas que não estão passando a mesma situação que a gente. Então, os conselhos dessas pessoas são sempre pra gente prosseguir, independente se a gente esteja passando pela pior situação possível. Então, procurar ajuda referente a isso é muito importante porque tem profissionais que estão acostumados a orientar sobre o assunto, então eles vão saber te direcionar, eles não vão te obrigar a tomar uma decisão que você não queira, mas eles vão te aconselhar a tomar a melhor decisão”, avalia em relação ao atendimento do CREAS de Sinop.
Dentre tantas decepções com pessoas, o porto seguro na vida de A.R.P foram seus filhos. “Eles são minha fortaleza. Hoje é gratificante saber que meus filhos dormem a noite toda, têm um objetivo de ser diferente e ter um futuro diferente. Isso acalenta o nosso coração. A gente não precisa de muito, a gente só precisa da paz. Hoje eu e minhas crianças vivemos em paz. Não temos muito, mas com Deus se torna e temos a paz, o amor, o aconchego, que é o que a gente procurava”.
Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher
Em Mato Grosso, graças ao trabalho do Poder Judiciário, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), 128 municípios já contam com a sua Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Trata-se do trabalho integrado entre as instituições públicas e privadas ligadas ao atendimento de mulheres em situação de violência, promovendo ações desde a prevenção até o acompanhamento dos casos.
Com uma Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica atuante, composta por mais de 30 instituições públicas e privadas, Sinop é o quarto município do estado em número de medidas protetivas concedidas. Somente de janeiro a maio deste ano, foram 431 medidas protetivas concedidas pelo Poder Judiciário. E a proteção não se limita a isso, conforme explica a juíza Rosângela Zacarkim, titular da 2ª Vara Criminal de Sinop. “Assim que chega o pedido de medida protetiva, no mesmo dia, a gente analisa e encaminha por e-mail para as instituições que compõem a rede, como CREAS, polícias, Ministério Público, Secretaria de Assistência Social do Município e eles entram em contato com as mulheres para que elas recebam o atendimento necessário”.
Dentre esses serviços estão a Patrulha Maria da Penha, realizada pela Polícia Militar, que, em Sinop, visita não só a casa da mulher vítima, mas também do agressor, que passa a ter que morar em outro endereço após a decisão judicial. Outro serviço ocorre no próprio Fórum de Sinop, as mulheres são convidadas a participarem de círculos de construção de paz.
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Autor: Celly Silva e Júnior Silgueiro
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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