Peritos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec-MT) participaram de um treinamento especializado para operação da ferramenta PC-3000 Mobile Pro, voltada à extração e análise de dados em dispositivos móveis. Ao todo, 20 peritos foram capacitados para utilização da nova tecnologia, que amplia a capacidade técnica das análises forenses digitais.
A ferramenta recentemente introduzida no Brasil, foi apresentada durante o Congresso Internacional de Perícia Forense (Interforensic), realizado em Curitiba, e se destaca por permitir a extração de dados mesmo em aparelhos desligados ou com defeito, sendo um diferencial relevante em relação a outras soluções disponíveis.
Além disso, o equipamento utiliza o hardware do computador para realizar processos como a quebra de senha, o que proporciona maior agilidade na obtenção de informações. A tecnologia chega para complementar os recursos já utilizados pela Politec, ampliando as possibilidades de atuação em casos que envolvem dispositivos móveis.
A qualificação reforça a atuação da Gerência de Computação Forense, garantindo ainda mais precisão, eficiência e rigor técnico-científico nas análises periciais. O investimento contínuo em capacitação também fortalece a qualidade dos serviços prestados à sociedade.
De acordo com o gerente de perícias de computação, Max Martins, o treinamento foi essencial para o pleno aproveitamento da ferramenta. “A importância do treinamento foi que, sem ele, não conseguiríamos operar tudo que a ferramenta tem a oferecer. Permitiu entender o seu funcionamento, os pontos positivos e aquilo que ela pode entregar que outras não conseguem”, destacou.
O gerente também informou que a capacitação, ocorrida no período de 10 a 20 de março, aqui mesmo em Cuiabá, faz parte de um cronograma mais amplo de treinamentos na área de computação forense. Ainda nesta semana, uma nova turma participa da formação na ferramenta Axiom, concluindo o ciclo de qualificações previsto para este ano.
Para a utilização completa da nova tecnologia, a Politec também prevê a implantação de um laboratório específico, com estrutura adequada para manuseio avançado de dispositivos, incluindo procedimentos técnicos como soldagem e manutenção de componentes.
A inciativa integra o planejamento institucional para fortalecimento da perícia digital nos próximos anos.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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