Mato Grosso

Polícia Militar reúne mais de três mil atletas na 24ª Corrida Homens do Mato em Cuiabá

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A Polícia Militar de Mato Grosso reuniu mais de três mil atletas durante a 24ª Corrida Homens do Mato, na manhã deste domingo (17.11), em Cuiabá. A competição, que teve largada e chegada a sede do Quartel do Comando Geral teve como tema a luta contra o feminicídio, por meio da campanha “Juntos, somos a voz de quem precisa de ajuda”.

O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Alexandre Corrêa Mendes, parabenizou toda a organização do evento, destacando o apoio do tema do combate à violência doméstica. A primeira-dama do Estado, Virgínia Mendes, foi nomeada como a madrinha da 24ª Corrida Homens do Mato, pelos excelentes serviços prestados à assistência social em todo o Estado.

“A primeira-dama do Estado teve uma grande sacada ao trazer um tema de combate ao feminicídio, para que homens e mulheres pudessem denunciar esse crime tão violento na nossa sociedade, que ocorre dentro de casa. Precisamos apoiar as mulheres para denunciarem esses crimes e principalmente buscar ajuda. Nosso Estado possui todos os meios para garantia do direito e preservação da vida das mulheres”, afirmou o comandante-geral.

De acordo com o coronel Mendes, a corrida Homens do Mato é um dos eventos mais esperados do calendário esportivo em Mato Grosso, pois é uma oportunidade de integrar a sociedade com a Polícia Militar.

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“A corrida Homens do Mato é uma das maiores corridas de Mato Grosso e muito aguardada no nosso calendário esportivo. O esporte traz auto estima, mais vigor físico e queremos aproximar a Polícia Militar com a sociedade, que é uma grande parceira na garantia da ordem e segurança. A corrida já é um sucesso. O que mais importa é essa integração, união de esforços das pessoas para com a nossa instituição”, destacou.

A gerente de Setor Financeiro, Sandra Rosa, de 38 anos, foi a primeira colocada no trajeto de cinco quilômetros. Ela comentou que um dos maiores desafios durante o percurso foi a subida. “O trajeto foi um pouco de subida, mas foi muito bom. Boa organização, muitos pontos de água, tudo tranquilo. Gostei muito do evento e já estou na expectativa para o próximo ano”.

A empresária Gabriela Fagundes, de 50 anos, também enalteceu a organização do evento. “A prova foi maravilhosa, sem erros, água suficiente para todo mundo. Foi tudo muito perfeito. A Polícia Militar está de parabéns pela organização”,

O engenheiro civil Vinicius Mesquita, de 50 anos, comemorou o percurso da prova e com o clima bastante favorável. “Eu achei a prova fantástica, um percurso desafiador, o clima estava legal. Foi muito bom mesmo. Mais uma vez a Polícia Militar fazendo excelente trabalho e promovendo um evento muito organizado para toda família.

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Corrida Homens do Mato Kids

Na tarde deste sábado (16.11), foi realizada a corrida Homens do Mato Kids, que contou com mais de 200 atletas mirins. No evento, diversas unidades especializadas da Polícia Militar como a Cavalaria, Bope, Batalhão Ambiental, Força Tática, Rotam e Raio expuseram um pouco da rotina e dos equipamentos realizados durante o patrulhamento tático e ostensivo. Durante o percurso, repleto de desafios, as crianças puderam passar por rampas, pistas de pneus, se rastejaram na terra, com muita alegria e diversão.

Percurso

A largada e chegada ocorreu na sede do Quartel do Comando Geral, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça no CPA I. O percurso de cinco quilômetros seguiu pela avenida, passando pelo Fórum da Capital até o retorno na Avenida Desembargador Milton Figueiredo Ferreira Mendes.

Já o percurso de dez quilômetros também seguiu pela avenida, passando pelo Fórum da Capital, Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a sede da Justiça do Trabalho, seguindo pela Avenida Dr. Hélio Ribeiro, Rua G até o Quartel do Comando Geral. Houve postos de hidratação e apoio médico a cada 2,5 quilômetros, bem como na chegada e largada da corrida dando total apoio aos competidores.

Fonte: Governo MT – MT

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Tribunal de Justiça de MT

Mulheres vítimas de violência encontram apoio mútuo para recomeçar graças à Rede de Enfrentamento

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Foto horizontal que mostra a silhueta (sombra) de uma mulher vítima de violência doméstica. Ao fundo, aparece um céu azul e as sombras de coqueiros.Dos cinco tipos de violência contra a mulher (física, psicológica, moral, sexual e patrimonial), L.R.S. afirma ter sofrido “todos da lista e mais alguns”. Dos 9 aos 14 anos de idade, ela chegou a ter que dormir embaixo da cama para escapar das tentativas de abuso por parte do irmão do pai dela, a quem recusa chamar de tio. Já casada, sobreviveu a quatro tentativas de feminicídio por parte do ex-marido. Mas o que a levou a obter uma medida protetiva foi uma situação que ela mesma classifica como “bizarra”. Isso porque o agressor não era alguém com quem tivesse relacionamento afetivo. “Eu era apenas inquilina e ele tentou me estuprar dentro de casa”, resume.

Foi após essa violência que L. procurou o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Sinop (500 km ao norte de Cuiabá) para se cadastrar em programa habitacional, já que não tinha mais condições de morar no imóvel do agressor. “A moça do CRAS me perguntou por que eu estava tão nervosa, porque ela estava me achando muito estranha e ansiosa. Aí eu contei o que tinha acontecido. Ela me orientou a ir na delegacia fazer um boletim de ocorrência e depois voltar ao CRAS, que me encaminhou ao CREAS”, relata.

Desde então, L. tem sido atendida pela Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Sinop, composta por mais de 30 instituições públicas e privadas, dentre elas o Poder Judiciário e o CREAS, por meio da qual ela participa de rodas de conversa com outras mulheres com medida protetiva. “Eu cheguei muito abalada psicologicamente e fisicamente, porque eu sempre tive uma responsabilidade muito grande porque eu sempre fui pai e mãe dos meus filhos. E com mais isso que vem acontecendo dá uma certa travada na mente da gente, uma dificuldade de raciocínio na vida da gente… E aqui eu fui bem recebida, bem orientada”, afirma.

Foto horizontal que mostra a fachada do CREAS de Sinop. É uma casa com parede pintada de branco verde e listra amarela, com a placa do Centro de Referência Especializado de Assistência Social. Na parte superior aparecem folhas de árvores.Na roda de conversa mediada por profissional do CREAS, cada uma conta um pouco de si. “A gente se identifica e aquilo vai ajudando tanto a aliviar, quanto a ensinar. Eu aprendo muito, como também ensino muito. O grupo ajuda bastante. Eu estou me sentindo muito bem e não perco uma reunião. Se eles marcam 7h, 6h30 eu já estou na porta. Já estou esperando o próximo encontro”, afirma L.

Ela relata que além do contato no CREAS, as mulheres têm buscado conviver fora daquele espaço, indicando trabalho umas para as outras, dando conselhos, chamando para outras atividades. “É um jeito da gente conviver, da gente se abraçar como se fosse família”.

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Por trás da muralha da dúvida, a paz

Em meio a um casamento conturbado, o medo de ficar longe dos quatro filhos falou mais alto do que a coragem para denunciar a violência. Durante uma agressão, o marido chega a quebrar o celular da mulher para impedi-la de chamar por ajuda. O filho do casal, ao ver a situação, corre até a vizinha e pede para ligar pra Polícia. Com um boletim de ocorrência em mãos, é dado prosseguimento à medida protetiva e encaminhamento à Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Sinop.

Assim, A.R.P. passou a fazer parte da roda de conversa entre mulheres vítimas de violência e seus filhos foram encaminhados para atendimentos psicológicos e projetos sociais ligados à Educação, Cultura e Esporte. “Através de todo esse conjunto de projetos, hoje a gente tem apoio para tentar deixar pra trás aquilo que nos feriu. O CREAS, pra mim, foi muito importante porque eu cheguei lá sem rumo, sem entendimento, sem orientação nenhuma, com muito medo e dúvidas sobre o que poderia acontecer a partir do momento da decisão que eu tomei. E o CREAS me orientou sobre os meus direitos porque, no momento em que só havia apontamentos, o CREAS me olhava diferente, sem julgamento”.

Foto horizontal que mostra uma mulher vítima de violência de costas, abraçando outra mulher, a assistente social que a atende no CREAS de Sinop.Segundo A.R.P., um dos motivos para não ter procurado ajuda antes foi a barreira da dúvida e do medo de não ser acreditada. “Quando se fala em fórum, as pessoas criam uma muralha. ‘Ah, é difícil o acesso. As pessoas não vão acreditar’. Isso surge porque imagina que se as pessoas que estão próximas a você não acreditam, que dirá pessoas que nunca olharam na sua cara? Eu acho que esse é o maior obstáculo para as mulheres tomarem iniciativa porque a dúvida vem através dos que estão ao redor, pessoas do seu sangue”, comenta.

A mãe de família complementa que, por vezes, mulheres vítimas de violência buscam apoio junto às pessoas erradas, e aconselha a quem esteja passando pela mesma situação que ela viveu a deixar a dúvida e o medo para trás e buscar ajuda no local correto. “Muitas vezes, procuramos pessoas que não estão passando a mesma situação que a gente. Então, os conselhos dessas pessoas são sempre pra gente prosseguir, independente se a gente esteja passando pela pior situação possível. Então, procurar ajuda referente a isso é muito importante porque tem profissionais que estão acostumados a orientar sobre o assunto, então eles vão saber te direcionar, eles não vão te obrigar a tomar uma decisão que você não queira, mas eles vão te aconselhar a tomar a melhor decisão”, avalia em relação ao atendimento do CREAS de Sinop.

Dentre tantas decepções com pessoas, o porto seguro na vida de A.R.P foram seus filhos. “Eles são minha fortaleza. Hoje é gratificante saber que meus filhos dormem a noite toda, têm um objetivo de ser diferente e ter um futuro diferente. Isso acalenta o nosso coração. A gente não precisa de muito, a gente só precisa da paz. Hoje eu e minhas crianças vivemos em paz. Não temos muito, mas com Deus se torna e temos a paz, o amor, o aconchego, que é o que a gente procurava”.

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Foto horizontal em plano aberto que mostra a fachada do Fórum de Sinop em uma dia de céu azul ensolarado. A fachada tem estilo neoclássico, com seis colunas dóricas que sustentam a fachada triangular onde está o letreiro escrito Fórum e a balança da Justiça.Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

Em Mato Grosso, graças ao trabalho do Poder Judiciário, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), 128 municípios já contam com a sua Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Trata-se do trabalho integrado entre as instituições públicas e privadas ligadas ao atendimento de mulheres em situação de violência, promovendo ações desde a prevenção até o acompanhamento dos casos.

Com uma Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica atuante, composta por mais de 30 instituições públicas e privadas, Sinop é o quarto município do estado em número de medidas protetivas concedidas. Somente de janeiro a maio deste ano, foram 431 medidas protetivas concedidas pelo Poder Judiciário. E a proteção não se limita a isso, conforme explica a juíza Rosângela Zacarkim, titular da 2ª Vara Criminal de Sinop. “Assim que chega o pedido de medida protetiva, no mesmo dia, a gente analisa e encaminha por e-mail para as instituições que compõem a rede, como CREAS, polícias, Ministério Público, Secretaria de Assistência Social do Município e eles entram em contato com as mulheres para que elas recebam o atendimento necessário”.

Dentre esses serviços estão a Patrulha Maria da Penha, realizada pela Polícia Militar, que, em Sinop, visita não só a casa da mulher vítima, mas também do agressor, que passa a ter que morar em outro endereço após a decisão judicial. Outro serviço ocorre no próprio Fórum de Sinop, as mulheres são convidadas a participarem de círculos de construção de paz.

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Autor: Celly Silva e Júnior Silgueiro

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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