Mato Grosso

Operação Pentágono desarticula atuação interestadual e responsabiliza envolvidos no ataque em Confresa

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Três anos de um trabalho investigativo minucioso, realizado pela Polícia Civil de Mato Grosso, resultaram na deflagração da Operação Pentágono, na última quinta-feira (9.4), que levou à desarticulação da organização criminosa responsável pelo grave roubo à transportadora de valores ocorrido em Confresa, em abril de 2023. A deflagração ocorreu na mesma data em que o crime completou três anos, representando o avanço do trabalho investigativo.

A investigação, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), considerada de alta complexidade, foi realizada com o emprego de técnicas especializadas de inteligência policial, análise de dados, cruzamento de informações e cooperação entre unidades de diferentes estados, o que possibilitou a identificação da estrutura do grupo criminoso, seus integrantes e as funções desempenhadas por cada um.

O ataque à base de una transportadora de valores não foi um caso isolado, mas resultado de uma ação planejada por um grupo criminoso com atuação nacional, ligado a facções criminosas.

O avanço das investigações, iniciadas logo após o ataque, evidenciou que o grupo criminoso possuía atuação interestadual, com ramificações em diversas regiões do país. A atuação coordenada entre as Polícias Civis foi fundamental para o mapeamento da rede criminosa e o cumprimento das ordens judiciais de forma simultânea.

As diligências se estenderam por estados como São Paulo, Maranhão, Pará, Tocantins e Rio Grande do Norte, demonstrando o alcance territorial do grupo e a necessidade de integração entre as forças de segurança para o enfrentamento qualificado ao crime organizado.

Cúpula Financeira

No topo da pirâmide do grupo criminoso, a investigação da GCCO identificou Francivaldo Moreira Pontes, vulgo “Velho Ban”, que atuou na liderança operacional e financeira do ataque a Confresa, determinando ações, arregimentando fuzis e direcionando pagamentos.

Francivaldo era um dos assaltantes de banco mais antigos e procurados do país, com um histórico de violência que remonta a 2007, quando uma quadrilha sob sua liderança atacou São Gotardo (MG), fazendo policiais, um promotor e um juiz reféns. Para manter-se oculto do sistema penitenciário, do qual era foragido desde 2015,

Francivaldo utilizava nomes falsos como Renato Barbosa Sousa, Levi Pereira Gonçalves e Ronaldy Leão da Gama. A investigação rastreou seus passos sob a alcunha de “Levi”, comprovando que ele adquiriu equipamentos táticos no Pará dias antes do crime em Mato Grosso e reuniu-se com outros executores no Maranhão.

O capital ilícito da facção era ocultado por meio de refinado esquema de lavagem de dinheiro envolvendo gado e propriedades rurais.

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A caçada a “Velho Ban” terminou no dia 26 de novembro de 2024, quando, em uma operação de inteligência conjunta entre a GCCO e a Polícia Civil do Pará, o criminoso resistiu à prisão, atirando contra os policiais com um fuzil AK-47, vindo a óbito no confronto.

Ao lado de Francivaldo, no núcleo de comando, figurava E.A.F., o “Pinga”, um criminoso com experiência no “Novo Cangaço”, já acusado pela tentativa de roubo de R$ 90 milhões em Araçatuba (SP), em 2021, ação em que espalhou explosivos e terror na cidade.

“Pinga” estava foragido, utilizando nome falso, estruturando a base logística para o ataque de Confresa a partir de Redenção (PA). Foi preso no Pará no final de 2022, mas o plano delineado por ele continuou em marcha por seus comparsas.

Logística criminosa

A complexidade do atentado em Mato Grosso exigiu uma grande logística.

O núcleo logístico contou com a expertise de F.R.M.F., responsável por gerenciar a frota de veículos blindados e locados para o crime. O histórico criminal chama atenção pela extensão e gravidade dos atos. Atualmente, ele cumpre pena de 172 anos e oito meses de prisão, em razão de condenação após comprovação genética (exame de DNA em uma touca balaclava) de sua participação no assalto à Prosegur, em Santos (SP), em 2016, que subtraiu R$ 12 milhões e resultou na morte de policiais.

O mesmo perfil genético o ligou ao roubo internacional de mais de 11 milhões de dólares em Ciudad del Este, no Paraguai, em 2017, além de ataques a caixas eletrônicos em Atibaia (SP). Durante o crime em Confresa, ele fugiu do cerco policial, sendo capturado posteriormente pela Polícia Civil de São Paulo.

Outro alvo da operação é R.S.F., esposa de outro criminoso notoriamente conhecido por ter planejado, em 2017, a construção de um túnel de 600 metros de comprimento para invadir o cofre do Banco do Brasil, na zona sul de São Paulo, e subtrair R$ 1 bilhão, plano frustrado horas antes pela Polícia Civil do estado.

Herdando o conhecimento criminoso, a investigada atuou ativamente no levantamento de campo para o ataque em Confresa, realizando viagens a Mato Grosso em veículos locados e atuando como interposta pessoa (“laranja”) na ocultação de bens da organização.

Núcleo de Execução

A violência nas ruas de Confresa foi executada por criminosos considerados de altíssima periculosidade, como J.C.M., que se deslocou de São Paulo para Palmas (TO) por via aérea, dias antes do crime, para integrar a tropa de choque que atacou a base militar e a transportadora. Após o roubo frustrado, o criminoso foi neutralizado em intenso confronto com as forças de segurança no estado do Tocantins.

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O aprofundamento das investigações revelou a permeabilidade da quadrilha com as altas esferas de uma facção criminosa, descobrindo-se que o executor morto residia em um apartamento em São Paulo cuja propriedade oculta pertencia a um integrante da facção paulista amplamente conhecido pelas autoridades federais por integrar o núcleo restrito do grupo criminoso responsável por planejar atentados contra a vida de autoridades públicas, incluindo o ex-ministro da Justiça e senador Sergio Moro.

Segundo o delegado titular da GCCO, Gustavo Colognesi Belão, por meio da união da inteligência investigativa cibernética com o trabalho tático de campo, foi possível mapear desde a movimentação financeira ilícita no Maranhão até os abrigos logísticos no Pará e em São Paulo. Para ele, com a deflagração da operação, a Polícia Civil demonstra, de forma inequívoca, que o estado de Mato Grosso não é terreno fértil para esse tipo de crime.

“Não lidamos com criminosos comuns; enfrentamos arquitetos do caos que já sitiaram cidades, construíram túneis para roubar bilhões e planejaram ceifar a vida de autoridades da República. Contudo, a resposta do Estado é implacável. A desarticulação dessa cúpula envia uma mensagem clara às facções: o rastreio do dinheiro e a análise forense rigorosa não deixam impunes aqueles que ousam atentar contra as instituições democráticas e a paz social”, disse o delegado.

Operação Pharus

A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado.

Renorcrim

A operação também faz parte das ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). A rede reúne delegados titulares das unidades especializadas e promotores públicos dos 26 estados e do Distrito Federal e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para traçar estratégias de inteligência para o combate duradouro à criminalidade.

Fonte: Governo MT – MT

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Tribunal de Justiça de MT

Entenda a sua audiência: Saiba como funciona um Tribunal do Júri

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Está no ar mais uma edição da série “Entenda a sua audiência”, iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Laboratório de Inovação – InovaJusMT e da Coordenadoria de Comunicação, que busca aproximar a Justiça da sociedade com a disponibilização de vídeos que explicam o funcionamento dos diversos tipos de audiência judicial. Neste episódio, o tema é “Tribunal do Júri”, que já pode ser conferido no canal do TJMT no Youtube.
A iniciativa utiliza linguagem simples e inteligência artificial para produzir vídeos e cartilhas informativas de fácil compreensão, com o objetivo de disseminar conhecimento sobre os direitos dos cidadãos relativos ao acesso à Justiça, facilitando a experiência da pessoa que vivencia a situação de participar de uma audiência.
Vale destacar que a série Entenda a sua Audiência é uma das duas produções do TJMT finalistas no Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça 2026, promovido pelo Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ), na categoria “Iniciativa de IA”. A premiação reconhece iniciativas de todo o país que fortalecem a comunicação pública, valorizam a transparência institucional e aproximam o Sistema de Justiça da sociedade.
Episódio “Tribunal do Júri”
Neste vídeo, você fica sabendo cada detalhe do funcionamento do Tribunal do Júri, um tipo de julgamento em que a decisão fica nas mãos da sociedade, representada pelos jurados, que são cidadãos comuns, de reputação ilibada.
Previsto na Constituição Federal de 1988, o Tribunal do Júri julga crimes dolosos contra a vida, ou seja, quando a pessoa tem a intenção de matar ou assume o risco de causar a morte, como são os casos de homicídio doloso, feminicídio, vicaricídio, induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, infanticídio, aborto criminoso. A tentativa desses tipos de crimes também pode ser julgada pelo Tribunal do Júri, bem como os crimes conexos.
O vídeo também explica quem são as pessoas que participam do Tribunal do Júri, como o juiz ou juíza, que conduz a sessão de julgamento e fixa a pena, se houver condenação; o (a) promotor (a) de justiça, que representa o Ministério Público e apresenta a acusação; a assistente de acusação, que pode representar a família da vítima, quando houver; o advogado, que faz a defesa do réu ou da ré; o réu ou a ré, que é a pessoa acusada de cometer o crime; as testemunhas, que contam ao júri o que viram, ouviram ou sabem sobre o caso. Por fim, os (as) sete jurados são cidadãos comuns convocados para participar do julgamento.
Até mesmo o roteiro de uma sessão do Tribunal do Júri é explicado no vídeo, desde a convocação de 25 jurados (as), dos quais sete são sorteados para atuarem no julgamento até o proferimento da sentença.
Os direitos e deveres dos jurados também são abordados, como a obrigatoriedade de comparecimento e a garantia da folga no trabalho nos dias de participação na sessão do Tribunal do Júri. O voto dos jurados é secreto e sua imagem deve ser preservada, ou seja, nomes e imagens não podem ser divulgados ao público.

Autor: Celly Silva

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Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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