Em um momento de reflexão e engajamento, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) reuniu, nesta quarta-feira (19), especialistas e sociedade civil para debater políticas de inclusão e enfrentamento ao racismo estrutural, durante evento virtual pelo Dia da Consciência Negra. A iniciativa foi promovida pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, com apoio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT. Na abertura, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira destacou que a data é um chamado à transformação. “O Dia da Consciência Negra não é apenas uma data simbólica, mas um convite à reflexão e à ação. O racismo estrutural ainda é uma realidade e o enfrentamento exige medidas concretas e contínuas”.A primeira palestra, “As políticas de ações afirmativas no serviço público e a importância das comissões de heteroidentificação racial”, foi ministrada pela professora doutora Manuela Arruda dos Santos Nunes da Silva. “As comissões de heteroidentificação são fundamentais para assegurar a efetividade das cotas e evitar fraudes. Elas não apenas validam a autodeclaração, mas também fortalecem a credibilidade das políticas afirmativas”.Em seguida, a professora e ex-vice-prefeita de Cuiabá Jacy Proença apresentou a experiência da capital com políticas municipais para igualdade racial. “Nossa luta é permanente. Não basta ter leis, é preciso garantir continuidade e respeito à memória das ações. A equidade não é ‘mimimi’, é justiça social. Cada avanço é fruto de resistência e compromisso coletivo”.O debate foi mediado pelo promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo, que enfatizou a importância da pauta. “O combate ao racismo e à desigualdade exige políticas públicas consistentes. Assim como enfrentamos os feminicídios com educação e prevenção, precisamos de medidas estruturais para garantir igualdade racial”.Ainda durante o evento, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira lembrou que o Ministério Público de Mato Grosso já tem avançado em ações que busquem garantir igualdade racial. “Em nossa gestão, enquanto procurador-geral, realizamos o primeiro concurso do MPMT com cotas raciais, um passo importante para ampliar a diversidade na instituição. Agora, reforçamos esse compromisso com a proposta de incluir vagas para indígenas nos próximos certames”, afirmou.O procurador se referiu a ofício encaminhado ao Conselho Superior do Ministério Público, que propõe a alteração da Resolução nº 28/2011 para reservar 5% das vagas para candidatos indígenas, além das já previstas para negros. A proposta também prevê mecanismos para garantir efetividade, como vedação de cláusulas de barreira.O evento foi transmitido pelo canal oficial do MPMT no YouTube e pela plataforma Microsoft Teams, reunindo membros, servidores, estagiários e sociedade civil.Assista ao evento completo:
O avanço de ocupações irregulares em áreas públicas situadas nos loteamentos Senador Jonas Pinheiro e Residencial Ilza Therezinha Picoli Pagot foi tema de uma reunião realizada nesta sexta-feira (28) entre o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e a Prefeitura de Cuiabá. O encontro foi conduzido pela promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, titular da 17ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística da Capital, e contou com a participação do Prefeito Abilio Brunini, da Secretária Municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares, e de técnicos da administração municipal. Na ocasião, foram discutidas as medidas adotadas para conter novas invasões e garantir a proteção das áreas.Recentemente, o MPMT notificou o Município de Cuiabá para que, no exercício do poder de polícia administrativa, adotasse providências destinadas à desocupação de duas áreas verdes ocupadas irregularmente. Parte da região afetada está inserida em Área de Preservação Permanente (APP), com a presença de nascente difusa. A atuação ministerial considera o crescimento das ocupações em uma área classificada pela Defesa Civil como de alto risco, exigindo medidas preventivas para impedir novas construções e assegurar a preservação ambiental.Segundo a promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, a atuação conjunta busca assegurar o cumprimento da legislação urbanística e ambiental. A região já havia sido alvo de ações fiscalizatórias anteriormente. Em abril de 2025, foram realizadas demolições de imóveis em construção e sem ocupação. Já na quinta-feira (27), uma nova operação resultou na demolição de 19 edificações desabitadas erguidas irregularmente na área invadida.De acordo com a secretária Municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares, o trabalho da Prefeitura tem sido realizado em consonância com as orientações do Ministério Público. “A ação teve como foco construções sem ocupação identificadas durante o monitoramento da área. Além de famílias em situação de vulnerabilidade, foram encontradas edificações de grande porte e padrão construtivo elevado, evidenciando que parte das ocupações não está relacionada exclusivamente à necessidade de moradia. O Município seguirá adotando medidas para impedir novas invasões e garantir o cumprimento da legislação”, afirmou.A promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa reforçou que o Ministério Público continuará acompanhando o caso e adotando as medidas extrajudiciais e judiciais necessárias para promover a desocupação das áreas irregularmente ocupadas, assegurar a preservação das áreas verdes e proteger os recursos ambientais existentes na região.
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