Voltado ao estímulo do empreendedorismo e à formação de novos profissionais no universo da moda, um dos setores mais dinâmicos da economia criativa, o Laboratório de Moda – LAB Moda É+ – deve abrir vagas gratuitas em março, na Universidade de Cuiabá (Unic), campus Beira Rio, com expectativa de impulsionar a retomada do curso de Tecnologia em Design de Moda na instituição. Idealizado pelo Instituto Elevar em parceria com a Unic, o projeto é viabilizado com recursos do edital MT Criativo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) – Ciclo I, executado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
Na avaliação da superintendente de Economia Criativa da Secel, Keiko Okamura, o laboratório integra uma estratégia mais ampla de desenvolvimento do setor no Estado. “A proposta dos laboratórios do MT Criativo é conectar cultura, economia e moda. Temos um grande potencial em Mato Grosso. A moda dialoga com identidade regional, artesanato e inovação, e pode gerar um ecossistema sustentável de desenvolvimento”, explica.
Mais do que um curso, o LAB Moda É+ nasce como um espaço estruturado de formação, inovação e produção. Instalado em um laboratório que estava desativado há cerca de cinco anos, o projeto recupera a estrutura existente e a transforma em um hub criativo completo, com 36 máquinas de costura, equipamentos de corte e bordado, além de equipe técnica qualificada.
Integrante do Instituto Elevar, a produtora cultural Karine de Miranda Mattos explica que a iniciativa enfrentava limitações estruturais. “A nossa dificuldade era o espaço. Com a parceria com a Unic e a aprovação no edital, conseguimos viabilizar o projeto. A universidade cedeu o espaço e o recurso do edital permite remunerar profissionais, realizar workshops e recuperar as máquinas. Hoje temos um laboratório completo, que estava parado”, destaca.
Segundo ela, o projeto vai além da formação básica. “Não queremos ser apenas um curso de corte e costura. A proposta é trabalhar inovação, tecnologia e toda a cadeia produtiva da moda. Vamos oferecer formação completa, desde criação até marketing, para que os participantes saiam preparados para o mercado”, frisa.
A primeira etapa contará com três cursos iniciais, incluindo modelagem, corte e costura e a técnica de moulage, método de modelagem diretamente no manequim, considerado mais prático e criativo.
A proposta também prevê workshops em áreas estratégicas como branding, precificação, marketing digital e direito da moda, ampliando as possibilidades de inserção profissional. “Hoje, o principal canal de divulgação é o Instagram. Vamos ensinar todo esse processo para que eles saiam daqui prontos para empreender”, completa Karine.
Para a professora Verena Fazolo, que atuou no curso de Design de Moda da Unic antes da interrupção durante a pandemia, o laboratório chega em um momento estratégico para o setor. “O mercado está superaquecido e há uma carência grande de profissionais qualificados. Muitas empresas precisam de modelistas e pessoal de confecção e não encontram. Esse projeto ajuda a suprir essa demanda”, avalia.
Ela também destaca o papel da moda como expressão da identidade regional. “A economia criativa passa por isso. A moda valoriza a identidade local, o clima, a cultura. Mato Grosso tem um potencial único que pode ser explorado pelos novos profissionais”, pontua.
A iniciativa já apresenta reflexos diretos na própria universidade. Integrante da equipe de economia criativa da Secel-MT, Luciana Viegas ressalta que o projeto pode deixar um legado estrutural. “É muito diferente ver no papel e ver na prática. Esse projeto vai beneficiar muita gente e não é algo passageiro. Inclusive, há um movimento para reativação do curso de moda na Unic, já que todo o espaço foi revitalizado”.
A reitora da Unic, Maria Angélica, confirma a perspectiva de retomada. “Provavelmente o curso de tecnólogo em moda deve ser retomado após esta iniciativa. Quando há movimento e interesse, a demanda surge. Esse projeto é nobre e tende a trazer o curso de volta”, destaca.
Além do impacto institucional, o projeto também desperta expectativas entre futuros profissionais. A costureira e designer Júlia Niara vê no laboratório uma oportunidade concreta de crescimento. “Eu pensava em ir fazer faculdade em Maringá, referência na moda, mas agora talvez não precise. Esse projeto abre portas e pode trazer novas oportunidades aqui mesmo em Cuiabá”, avalia.
Com acesso gratuito e estrutura inédita no Estado, o LAB Moda É+ se consolida como uma iniciativa estratégica para democratizar o conhecimento, fortalecer a cadeia produtiva da moda e posicionar Mato Grosso no mapa da economia criativa nacional.
Edital
O edital MT Criativo foi lançado pela Secel-MT com valor superior a R$ 5,7 milhões para fortalecer iniciativas culturais de desenvolvimento e fomento à economia criativa, nas categorias Negócio Criativo e/ou Sociocultural, e Laboratório de Economia Criativa. O edital teve complementação de mais RS 1,2 milhão com a inclusão de mais nove projetos culturais. Para sete projetos de laboratório, foram disponibilizados R$ 2,1 milhões, sendo R$ 300 mil a cada um, incluindo o LAB Moda É+.
O governador Otaviano Pivetta determinou, nesta sexta-feira (22.5), a reabertura do cadastro do Repesca, programa do Governo de Mato Grosso que garante auxílio financeiro a pescadores profissionais afetados pelas regras da Lei do Transporte Zero. A medida será estendida por mais cinco anos.
A decisão foi anunciada durante reunião na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), quando também foi criada uma comissão formada por sete parlamentares estaduais e representantes do Governo do Estado, para rediscutir a lei e construir uma proposta de solução para o setor.
“Tenho respeito pelo povo de Mato Grosso e pelos pescadores. Nós não queremos destruir o que foi feito para proteger os rios, mas também não vamos deixar famílias sendo prejudicadas. Precisamos encontrar equilíbrio e uma solução justa para todos”, afirmou o governador.
Segundo o governador, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) vai reabrir o sistema do Repesca, após aditamento da lei, e ampliar o atendimento nos municípios, incluindo ações junto aos CRAS para facilitar o acesso dos pescadores que ainda não fizeram o cadastro.
O Repesca garante pagamento de auxílio financeiro equivalente a um salário mínimo aos pescadores profissionais habilitados, conforme critérios estabelecidos em lei.
“Quem ainda não conseguiu se cadastrar vai ter uma nova oportunidade. Vamos até essas pessoas, junto com os CRAS dos municípios, para garantir que ninguém fique de fora”, disse Otaviano Pivetta.
O governador destacou que apenas 2.172 pescadores aderiram ao programa até o momento, número considerado baixo diante da demanda estimada no setor.
O deputado Wilson Santos destacou a postura do governador Otaviano Pivetta durante a reunião na Assembleia Legislativa e afirmou que o gesto de ouvir diretamente as demandas dos pescadores reforça o diálogo com a categoria.
“O senhor saiu do seu gabinete, sentou e ouviu as demandas. Isso é algo importante, inédito nesse processo. Em 15 dias vamos apresentar uma proposta. Democracia é isso, é conviver com o contraponto. Para ganhar, ninguém precisa perder. Tenho convicção que o Estado vai olhar com atenção para os pescadores profissionais e buscar uma solução equilibrada para essa categoria”, disse.
A Lei nº 12.197/2023, conhecida como Transporte Zero, foi criada para combater a pesca predatória e preservar os rios de Mato Grosso.
A norma proíbe, por cinco anos a partir de 1º de janeiro de 2024, o transporte, comércio e armazenamento de peixes dos rios do Estado.
Como forma de compensação, pescadores profissionais cadastrados no Repesca e no RGP têm direito a um auxílio de um salário mínimo mensal, desde que comprovem atividade na pesca como principal fonte de renda antes da entrada em vigor da lei.
A lei também prevê ações de qualificação profissional e incentivo a atividades como turismo e aquicultura.
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