A Defesa Civil de Mato Grosso promoveu, nesta quinta-feira (9.4), um minicurso online sobre segurança de barragens, com foco na preparação de coordenadores municipais de Defesa Civil para atuação em situações de emergência e na prevenção de riscos.
A capacitação contou com participação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), por meio da Coordenadoria de Segurança de Barragens (CSB), que atua na fiscalização e gestão técnica das estruturas no estado.
Durante o minicurso, a Defesa Civil estadual apresentou o Plano de Ação de Emergência (PAE), um documento estratégico fundamental para garantir resposta rápida em casos de emergências ou risco de rompimento de barragens.
A capacitação também passou por temas como a coordenação de ações de proteção à população, sistemas de alerta, evacuação, organização de abrigos e comunicação de risco.
O minicurso também ressaltou a importância da integração entre Defesa Civil, instituições privadas, prefeituras e órgãos fiscalizadores para uma resposta eficiente.
“Essa capacitação representa mais um passo importante na execução do nosso planejamento estratégico voltado à preparação dos coordenadores municipais”, ressalta o secretário adjunto de Proteção e Defesa Civil do Estado, coronel BM Marcelo Reveles.
A analista Vanessa Hoki, da Coordenadoria de Segurança de Barragens da Sema, apresentou aos gestores o trabalho de fiscalização e gestão técnica das estruturas realizado pelo órgão ambiental. O setor é responsável pela análise e classificação das barragens, considerando critérios como categoria de risco, dano potencial associado e volume dos reservatórios.
Além da fiscalização, a Coordenadoria da Sema também monitora relatórios de inspeção, revisões periódicas de segurança e o cadastro das barragens em sistemas nacionais, e promove, periodicamente, capacitações e debates técnicos com foco na prevenção e segurança.
Ao todo, 55 coordenadores municipais de Defesa Civil participaram da capacitação.
Fortalecimento da rede estadual
O minicurso faz parte das ações estratégicas da Defesa Civil do Estado para fortalecer a atuação integrada entre os órgãos e a gestão de riscos nos municípios.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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