A cidade de Lucas do Rio Verde sediou, nesta quinta-feira (9.10), a etapa regional da Expedição Silvicultura, projeto que conta com o fomento da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec). O evento reuniu produtores, empresários, pesquisadores e representantes do setor florestal para discutir o desenvolvimento sustentável da silvicultura em diferentes regiões do país e, principalmente, em Mato Grosso.
A Expedição Silvicultura, da empresa Canopy, é uma ação nacional, que tem como objetivo principal o mapeamento das florestas plantadas. A ação percorrerá 14 estados brasileiros, promovendo encontros regionais para mapear o avanço do setor e fortalecer a integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva. O projeto também identificará desafios, compartilhará boas práticas e incentivará políticas públicas que contribuam para o crescimento sustentável da silvicultura no país.
A coordenadora de Desenvolvimento Florestal da Sedec, Larissa Neves, destacou a relevância da iniciativa para o fortalecimento do setor em Mato Grosso.
“A coleta e o levantamento de dados durante a Expedição Silvicultura são fundamentais para que possamos planejar ações assertivas e direcionar políticas públicas que incentivem o crescimento do setor. Mato Grosso tem um enorme potencial e está se consolidando como um novo polo florestal do país, unindo produtividade, inovação e sustentabilidade”, afirmou.
Durante o evento, representantes da iniciativa ressaltaram a importância de unir tecnologia e experiência de campo para ampliar o conhecimento sobre o setor florestal. Nesse contexto, o cofundador e CEO da Canopy, Fábio Gonçalves, explicou que o trabalho busca aprimorar as estimativas e aproximar a expedição dos produtores.
“Nós estamos indo para campo para validar o mapeamento feito por satélite e para poder melhorar as nossas estimativas de produtividade, além de conversar com o produtor florestal, entender quais são as condições dos plantios e os desafios que o produtor está enfrentando no campo. É uma oportunidade de iniciar uma campanha contínua de coleta de dados em campo, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento do setor florestal.”
Durante o encontro, foram debatidos temas como o potencial de Mato Grosso para o cultivo de florestas plantadas, a importância do setor para a diversificação econômica e as oportunidades de investimento na cadeia florestal. O evento também promoveu a troca de experiências entre especialistas e produtores locais, além de apresentar casos de sucesso e inovações tecnológicas voltadas ao segmento.
Ao longo da expedição, serão analisadas diferentes espécies florestais, como eucalipto, pinus, teca, acácia-negra e araucária, além de outras variedades com relevância regional. O levantamento inclui medições de características biofísicas das árvores e o registro de informações relacionadas ao manejo, uso de insumos, adubação e práticas de proteção florestal.
A Expedição Silvicultura segue em andamento até novembro. O percurso começou em Belo Horizonte (MG), no dia 10 de setembro, e já passou por Vitória (ES), Eunápolis (BA) e Lucas do Rio Verde (MT). As próximas etapas ocorrem em Três Lagoas (MS), em 16 de outubro; Botucatu (SP), no dia 22; Curitiba (PR), em 27; Lages (SC), em 31 de outubro; e será concluída em Porto Alegre (RS), no dia 7 de novembro.
A rotina de quem vive da pesca começa cedo, exige paciência e, muitas vezes, enfrenta desafios que vão além das águas dos rios. Em Rondonópolis, pescadores profissionais artesanais que participaram do cadastramento presencial do Repesca compartilharam histórias de trabalho, dificuldades e esperança durante a ação promovida pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT).
O atendimento ocorreu nos dias 17 e 18 de junho, no Ganha Tempo de Rondonópolis, com o objetivo de auxiliar pescadores na realização de novos cadastros e na atualização de informações para acesso ao programa. A iniciativa já passou pelos municípios de Poconé e Santo Antônio de Leverger e seguirá para Cáceres nos dias 22 e 23 de junho.
Foto: Darlene Marques | Setasc-MT
Morador de Rondonópolis, Laércio Dias conhece de perto a realidade de quem depende da pesca para sobreviver. Acostumado a pescar nas águas do Rio Vermelho, ele conta que o atendimento presencial facilitou o processo de cadastramento.
“Ficou muito melhor fazer o cadastro aqui com a ajuda da equipe. Sozinho é difícil, porque a gente nem sempre tem conhecimento para fazer tudo pela internet. Esse auxílio vai ajudar muito. Nós sofremos bastante com as dificuldades da pesca e com as mudanças que aconteceram nos últimos anos. Qualquer ajuda faz diferença dentro de casa”, afirmou.
A pescadora Lucinete Ferreira Batista também carrega uma história construída às margens dos rios da região. Moradora da comunidade Vila Nova, próxima a Juscimeira, ela conta que cresceu convivendo com a pesca e transformou a atividade em complemento essencial para a renda familiar.
Durante muitos anos, Lucinete enfrentou longas jornadas de canoa pelos rios da região. Chegava a permanecer três ou quatro dias pescando para conseguir vender o pescado e garantir recursos para despesas básicas da casa.
Foto: Darlene Marques | Setasc-MT
“Eu subia o rio de canoa e ficava dias pescando para conseguir um dinheirinho. Era assim que eu ajudava a comprar alimento, pagar energia e manter a casa. Minha renda era muito baixa e a pesca sempre ajudou a complementar”, relembrou.
Atualmente morando sozinha e vivendo com recursos limitados, ela acredita que o Repesca poderá trazer mais tranquilidade para o orçamento.
“Vai ajudar bastante. Hoje eu moro sozinha e tenho pouca renda. Tudo que vier para ajudar faz diferença. A pesca sempre foi minha vida e continua sendo minha forma de sobreviver”, disse.
A relação com os rios também faz parte da trajetória de Vanusa de Oliveira. Há mais de 15 anos na atividade, ela e o marido sustentaram a família por meio da pesca artesanal e criaram os filhos às margens dos rios da região.
Segundo Vanusa, a atividade se tornou mais difícil nos últimos anos, exigindo ainda mais esforço dos pescadores para garantir o sustento da família.
Foto: Layse Ávila | Setasc-MT
“No começo era mais fácil. A gente conseguia pescar mais e tirar o sustento da família. Hoje está mais difícil, mas continuamos lutando porque é da pesca que vivemos. Eu e meu marido dependemos disso para sobreviver”, relatou.
Mãe de cinco filhos, ela conta que toda a família foi criada com os recursos obtidos na atividade pesqueira. Atualmente, faz trabalhos temporários quando surgem oportunidades, mas ainda depende da pesca como principal fonte de renda.
“Minhas contas estão atrasadas e os bicos nem sempre aparecem. Muitas vezes passo o dia inteiro no rio para conseguir um peixe e garantir comida dentro de casa. Esse auxílio chega em uma hora importante e vai ajudar muito a nossa família”, afirmou.
O Repesca é destinado aos pescadores profissionais artesanais que exercem a atividade de forma autônoma, individualmente ou em regime de economia familiar, sem vínculo empregatício, e que tenham a pesca como principal meio de subsistência. A iniciativa do Governo de Mato Grosso busca garantir proteção social e apoio financeiro aos trabalhadores impactados pelas mudanças na atividade pesqueira.
Foto: Darlene Marques | Setasc-MT
Para os pescadores atendidos em Rondonópolis, o programa representa mais do que um auxílio financeiro. É o reconhecimento de uma atividade que há gerações garante o sustento de milhares de famílias mato-grossenses e mantém viva uma tradição construída às margens dos rios do Estado.
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