Mato Grosso

Beneficiadas destacam auxílio do Governo de MT a mulheres vítimas de violência como chance de recomeço longe dos agressores

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Separada há cinco meses do ex-companheiro, e com três filhos para cuidar, Beatriz (nome fictício) recebeu nessa quarta-feira (09.08) o cartão SER Família Mulher, por meio do qual receberá o benefício, a título de auxílio moradia, no valor de R$ 600, além de acompanhamento familiar por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc). O Programa SER Família Mulher, idealizado pela primeira-dama Virginia Mendes, visa auxiliar as mulheres vítimas de violência doméstica a terem uma oportunidade de mudança de vida, longe dos agressores.

“Esse cartão vai ajudar com comida, e no meu aluguel. Com esse complemento, vai ajudar bastante, porque só o dinheiro que a gente consegue fazendo faxina não dá, ainda mais quando se é mãe solteira de três filhos. Essa iniciativa do Governo é muito boa, vai ajudar muitas famílias, ajuda as mulheres a tomarem a decisão delas, porque fica pensando em não largar o companheiro, a não seguir com a medida protetiva, por causa da necessidade”, explicou Beatriz.

Ela também fez um agradecimento especial à primeira-dama Virginia Mendes. “Agradeço de coração. Essa ajuda só Deus mesmo para pagar dona Virginia, porque não há dinheiro que pague o que ela está fazendo por nós, foi muito bem-vindo. Estou muito grata mesmo”, completou.

Inicialmente, o Programa SER Família Mulher tem capacidade para atender até 400 mulheres, em seis municípios de Mato Grosso: Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antônio de Leverger, Nossa Senhora do Livramento, Barão de Melgaço e Acorizal. Posteriormente, será estendido para todos os municípios do estado.

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Maria (nome fictício), também beneficiada com o Programa SER Família, mãe de sete filhos, está morando de favor na casa de uma das filhas, e irá usar o benefício do cartão para comprar comida, entre outras coisas.

“A minha filha paga R$ 800 de aluguel, além de água e luz. E com esse cartão eu vou poder ajudar a colocar coisas em casa, porque já estávamos quase sem nada. Na última briga com meu ex-companheiro, o que não foi vendido, ele queimou. Que Deus abençoe a primeira-dama Virginia Mendes, que está fazendo esse projeto, porque está sendo uma grande ajuda não só pra mim, mas pra várias mulheres”, ressaltou.

Para Renata (nome fictício), o benefício do Cartão SER Família Mulher é uma ajuda a mais para que ela possa se fortalecer e lutar pela guarda dos dois filhos. ”O cartão é muito importante, vai me ajudar muito, ainda mais agora que eu separei e estou morando com a minha mãe, minha vida vai começar a apertar, vai ser bem difícil, mas o cartão vai ajudar muito. Vou ajudar nas contas de casa e na alimentação dos filhos”, disse.

Ela contou que se separou há dois meses, depois de ficar casada por 12 anos e sofrer agressão em casa por 11 anos.

“Depois de um ano de casamento, ele passou a ser agressivo, me batia, e eu ficava com medo de contar, até para a minha mãe. Eu mentia que tinha caído, tinha batido no carro, para justificar os roxos, porque tinha muito medo dele, ele me ameaçava demais. Mas foi tanta coisa que eu passei na minha vida que eu cansei, e resolvei reagir, e disse que não queria mais. Mas, até hoje ele me persegue, mas com a medida protetiva ele se afastou um pouco”, explicou.

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Renata explicou que a luta agora é para ficar com a guarda dos dois filhos, com a ajuda da Defensoria Pública. “Nas férias, ele buscou os filhos pra passar as férias e não entregou mais. Já pedi a guarda dos meus filhos. Agora estou aguardando a audiência para definir”, concluiu.

Para ser beneficiada, é preciso que tenha boletim de ocorrência registrado em uma delegacia, medida protetiva contra o agressor, e ter renda de até 1/3 do salário mínimo. As mulheres aptas a receberem o Cartão do benefício serão encaminhadas para a equipe da Setasc por meio das Delegacias da Polícia Judiciária Civil.

O prazo para permanência no Programa SER Família Mulher é de 12 meses. Para mais informações os telefones são (65) 3613-5707, 3613-5722 e 3613-5798

O valor de R$ 600 poderá ser utilizado em qualquer estabelecimento de vendas de produtos alimentícios e também para pagamento do aluguel. Não será aceito em postos de combustíveis e conveniências, nem na compra de bebidas alcoólicas e cigarros.

SER Família Capacita

As mulheres atendidas pelo Programa SER Família Mulher também deverão se capacitar por meio dos cursos gratuitos oferecidos por meio do SER Família Capacita. Elas também serão acompanhadas pela equipe da Setasc.

Fonte: Governo MT – MT

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Tribunal de Justiça de MT

Enfam: Juiz do TJMT apresenta artigo sobre bioética e terminalidade infantil

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Um homem de terno preto e gravata azul posa em pé à direita de uma mesa de escritório preta. No centro da parede branca ao fundo, uma grande TV exibe uma videoconferência com quatro outras pessoas em janelas separadas.A leitura do artigo “O Fim da Vida em Pediatria e a Bioética: Parâmetros Ético-Jurídicos para as Decisões sobre a Terminalidade Infantil” convida à reflexão sobre um dos temas mais sensíveis enfrentados pela sociedade contemporânea: os limites éticos e jurídicos das decisões médicas envolvendo crianças em estado de terminalidade.

O trabalho é de autoria do juiz de Direito Anderson Fernandes Vieira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), e analisa os desafios impostos pelos avanços da medicina à luz da dignidade humana, da proteção integral da criança e dos direitos fundamentais.

No estudo, fruto do trabalho de conclusão de sua especialização pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (Enfam), o magistrado investiga os parâmetros capazes de orientar a tomada de decisões em casos sem perspectiva de cura. O debate foca no melhor interesse da criança e no cumprimento dos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e da Constituição Federal.

“A proposta do artigo não é defender a eutanásia ou a antecipação da morte, mas discutir critérios ético-jurídicos para situações excepcionais. Nesses cenários, os avanços da medicina ampliam a capacidade de prolongar a vida e geram conflitos que vão além do aspecto clínico, exigindo uma construção compartilhada entre família, equipe de saúde e o Judiciário, sempre valorizando os cuidados paliativos e a dignidade humana até o fim da vida”, destacou o juiz.

A produção acadêmica representa o resultado final da especialização em Bioética, Justiça e Direitos Humanos, promovida pela Enfam. Leia aqui o artigo completo.

https://esmagis-mc.tjmt.jus.br/esmagis-arquivos-prod/cms/2026_08_07_Artigo_da_pos_Bioetica_38035ef931.pdf

Conclusão da especialização

O juiz Anderson Vieira concluiu oficialmente o curso nesta quinta-feira (6 de agosto), após a defesa e aprovação do artigo científico. Segundo ele, a oportunidade marcou um importante ciclo de formação continuada voltado ao aperfeiçoamento da atividade jurisdicional. “Há um ano e meio, a Enfam abriu inscrições para uma pós-graduação em Bioética, Justiça e Direitos Humanos, com vaga para um juiz de cada estado, além de juízes federais e servidores da Justiça Federal. Eu fui o escolhido do TJMT e acabei de fazer a defesa final do artigo aqui na Enfam”, relatou.

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A especialização foi ofertada pela Enfam por meio de processo seletivo nacional e reuniu magistrados e servidores de diferentes instituições do Judiciário brasileiro. Para o magistrado, o curso permitiu aprofundar os estudos em um tema que ganha relevância crescente diante dos avanços tecnológicos e científicos na área da saúde. “A especialização representou uma oportunidade de aprofundar estudos em um tema de grande relevância para o Direito contemporâneo, especialmente diante dos desafios éticos e jurídicos decorrentes dos avanços da medicina”, destacou.

Homem de terno azul e barba por fazer sentado em plateia. Ao fundo, dois homens mais velhos de camisa e gravata, desfocados. Vieira assinalou que, ao longo do curso, procurou desenvolver uma pesquisa que dialogasse com questões concretas enfrentadas pela sociedade e pelo Poder Judiciário, contribuindo para a construção de decisões cada vez mais fundamentadas, humanas e comprometidas com a proteção dos direitos fundamentais.

Ele ressalta que os avanços da medicina ampliaram significativamente a capacidade de prolongar a vida, mas também passaram a exigir respostas jurídicas para situações extremamente delicadas, sobretudo quando envolvem crianças em estado de terminalidade. “Nesses casos, surgem conflitos que vão muito além da medicina, envolvendo a dignidade da pessoa humana, a proteção integral da criança, a atuação da família, da equipe de saúde e, em determinadas situações, do próprio Poder Judiciário.”

Segundo o magistrado, o artigo buscou identificar parâmetros éticos e jurídicos capazes de orientar essas decisões dentro do ordenamento jurídico brasileiro, sempre priorizando a proteção integral da criança e seu melhor interesse. A pesquisa defende a importância dos cuidados paliativos, do diálogo entre os envolvidos e da preservação da dignidade humana em todas as etapas do tratamento.

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Ao concluir a formação, Anderson Vieira reafirmou a importância da qualificação permanente da magistratura para enfrentar questões cada vez mais complexas da sociedade contemporânea. “Concluir essa especialização representa mais um passo no compromisso permanente com o aperfeiçoamento da atividade jurisdicional. Acredito que a formação continuada fortalece a magistratura, amplia a capacidade de enfrentar temas complexos com responsabilidade e sensibilidade e contribui para uma prestação jurisdicional cada vez mais qualificada, técnica e comprometida com a efetivação dos direitos fundamentais”, concluiu.

A aprovação do trabalho e a conclusão da especialização representam mais uma etapa na trajetória acadêmica do magistrado, que atualmente é mestrando em Direitos Fundamentais e Democracia, no Programa de Pós-Graduação em Direito do Centro Universitário Autônomo do Brasil.

Outras produções acadêmicas

Os interessados em conhecer outras produções acadêmicas desenvolvidas por magistrados e magistradas de Mato Grosso podem acessar o acervo disponibilizado pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT). O espaço reúne artigos e trabalhos voltados ao debate de temas jurídicos contemporâneos, à difusão do conhecimento jurídico e ao aprimoramento da atividade jurisdicional.

Clique neste link para acessá-lo.

https://esmagis.tjmt.jus.br/pagina/60d4833bc9e8ac001b2485a6

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Lígia Saito

Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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