Cuiabá

Audiência Pública na Câmara de Cuiabá destaca importância da visibilidade trans

Publicado em

06/05/2024
Audiência Pública na Câmara de Cuiabá destaca importância da visibilidade trans
Ativistas da comunidade LGBTQIA+ e autoridades mato-grossenses se reuniram para debater a Visibilidade Trans e os desafios enfrentados pela comunidade na última sexta-feira (3), na Câmara Municipal de Cuiabá. Proposta pela vereadora Edna Sampaio (PT), a audiência contou com a presença de lideranças&nbsp trans em Mato Grosso, incluindo Julian Tacanã, coordenador estadual do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat) e Josy Taylor, presidente da Associação das Travestis de Mato Grosso (Asttramt).
A audiência foi aberta pela artista Josy Campos e, durante o evento, foram discutidos os pontos do Estatuto LGBTQIA+, proposto pela vereadora Edna Sampaio, que abordam especificamente as demandas das pessoas trans, incluindo acesso à saúde adequada, educação e políticas de inserção no mercado de trabalho.&nbsp
Após a apresentação, Edna fez um apelo à comunidade para que haja mobilização em prol da aprovação do projeto de lei e abriu o espaço para contribuições.&nbsp
“Este projeto está em tramitação desde 2023 e tenho retirado sistematicamente devido à resistência dos vereadores e de alguns membros da Comissão de Direitos Humanos”, destacou Edna.&nbsp
O estatuto proposto visa garantir direitos às pessoas trans e travestis, ressaltando a necessidade de políticas públicas específicas para essa comunidade.&nbsp
“Por isso, convoco as lideranças e organizações da comunidade LGBTQIA+ a se mobilizarem e acompanharem de perto a retomada da votação do projeto, garantindo sua presença na Câmara Municipal para pressionar os vereadores pela aprovação, assim como foi necessário para aprovar esta audiência. Precisamos ocupar espaços que são nossos”, afirma Edna.
Marco Histórico
Segundo Julian, coordenador do Ibrat-MT, a audiência representa um marco histórico. “É o primeiro lugar que a gente está hoje, no estado de Mato Grosso, conseguindo trazer a pauta específica da população trans e travesti para debater e apresentar as nossas demandas. É muito fundamental esse espaço porque no estado de Mato Grosso, assim como no Brasil como um todo, a gente não tem acesso a políticas públicas”.&nbsp
“Quando a gente pega acesso a políticas públicas e os direitos da população trans e travestis, isso se dá por meio do judiciário. A gente não tem acessos às casas legislativas nos municípios, nos estados e no Congresso Nacional que possibilitem a criação de projetos de leis que potencializam a vida da população trans e travestis”, explica Julian.
Para Josy Taylor, é fundamental que audiências como essa aconteçam mais vezes. “Assim como a Edna sempre abraçou nossa causa e nos apoiou, é fundamental que mais parlamentares apoiem a nossa causa e deem voz e visibilidade para as pessoas trans. Nós existimos e Mato Grosso é o estado que mais mata pessoas LGBTQIA+”.
“Este momento marca a quebra de uma barreira. A porta estava fechada para vocês aqui. Mas ela não está mais fechada. Ela foi aberta por este Mandato, que não me pertence, pertence a vocês, pertence àqueles que querem construir a força da luta. Nós precisamos pensar na política como um instrumento de luta coletiva e precisamos combater a política como uma perpetuação a todo custo dos privilégios que os cargos públicos oferecem aos seus mandatários”, declara Edna.
1ª Marcha da Visibilidade Trans
Josy Taylor, Julian Tacanã e as demais lideranças presentes convidam a população a participar da 1ª Marcha da Visibilidade Trans, que será realizada no dia 17 de maio, com concentração na Praça Alencastro a partir das 15h. Os manifestantes descerão até a rua 13 de junho, depois até a Praça Ipiranga e voltarão para a Alencastro.
“A marcha é para mostrar a nossa visibilidade, porque a gente precisa de uma saúde adequada, de educação, de emprego. Eu acho que seria muito importante que a comunidade nos abraçasse e que participasse da nossa marcha também. É um passo importante para mostrarmos que existimos, que merecemos respeito e igualdade de direitos. É um momento de unir forças para um futuro mais justo”, declara Josy.
Autoridades presentes
Estiveram presentes na audiência o presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso e membro do Mandato Coletivo, Clóvis Arantes, a coordenadora estadual das Mães Pela Diversidade, Anessa Pinheiro, a secretária adjunta municipal da Mulher, Elis Prates, a defensora pública do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) Olzanir Carrijo.
Também estiveram presentes o Promotor de Justiça, representando o Ministério Público, Henrique Schneider, o secretário do Gabinete Estadual de Combate a Crimes de Homofobia (GECCH), Ricardo Bueno, a representante do DCE da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Augusta Cesária e o presidente do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual,&nbsp Valdomiro Arruda.
Letícia Corrêa/Assessoria de Imprensa

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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Cuiabá

Justiça reconhece avanços da Prefeitura e mantém contas sem bloqueio de R$ 15 milhões

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A atuação da Procuradoria Geral do Município garantiu uma decisão favorável à Prefeitura de Cuiabá e evitou o bloqueio de R$ 15 milhões das contas municipais, medida que seria prejudicial ao planejamento e à execução das políticas públicas da administração. Em decisão proferida nesta terça-feira (4), pelo juiz Emerson Luis Pereira Cajango, da Vara Especializada do Meio Ambiente de Cuiabá, a Justiça reconheceu que o Município apresentou elementos que demonstram os esforços empreendidos na política de proteção e bem-estar animal e que, antes de qualquer medida de constrição de recursos públicos, é necessária a produção de novas provas.

“O Município sempre atuou com responsabilidade e transparência, demonstrando nos autos que vem cumprindo seu dever constitucional de promover a política pública de bem-estar animal, investindo na estruturação dos serviços, na manutenção do atendimento veterinário e na melhoria contínua das unidades. A decisão da Justiça prestigia esses esforços da administração municipal e reafirma que medidas tão severas quanto o bloqueio de recursos públicos exigem provas técnicas consistentes e respeito ao devido processo legal”, afirmou o procurador-geral do Município, Luiz Antônio.

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Ao analisar o pedido do Ministério Público, o magistrado observou que a própria vistoria realizada pelo Juizado Especial Volante Ambiental (Juvam), em abril deste ano, registrou condições adequadas de limpeza, alimentação, manejo dos animais, disponibilidade de medicamentos e acompanhamento veterinário na unidade municipal.

A Procuradoria também apresentou documentos comprovando o funcionamento do Programa Reação Animal 24 Horas, a escala permanente de médicos veterinários, o atendimento prestado por clínicas credenciadas, as condições do abrigo municipal e a execução dos recursos do Fundo Municipal de Bem-Estar Animal (Funbea).

Embora o Ministério Público tenha reiterado o pedido de bloqueio dos recursos, alegando descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o juiz entendeu que ainda existem controvérsias sobre os fatos mais recentes e que não há elementos técnicos suficientes para justificar, neste momento, a indisponibilidade dos R$ 15 milhões.

Na decisão, o magistrado destacou que eventual bloqueio de recursos públicos deve observar os princípios da proporcionalidade e da menor onerosidade, ressaltando que o pedido do Ministério Público foi apresentado de forma genérica, sem um plano detalhado sobre a destinação imediata do valor pretendido.

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Por isso, o juiz determinou que a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) encaminhem, em até dez dias, os relatórios, laudos, registros fotográficos e demais documentos produzidos durante as diligências realizadas no fim de julho.

Já o Ministério Público terá prazo de 15 dias para apresentar um plano emergencial detalhando como os R$ 15 milhões seriam aplicados caso o bloqueio venha a ser autorizado futuramente, indicando prioridades, estimativas de custos e mecanismos de fiscalização da utilização dos recursos.

Ao final, o magistrado encaminhou o processo ao Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) Ambiental para tentativa de conciliação entre as partes, buscando uma solução consensual para o cumprimento das obrigações previstas no TAC.

Com isso, o pedido de bloqueio das contas da Prefeitura permanece indeferido neste momento e somente poderá ser reavaliado após a conclusão da instrução probatória e a análise dos novos elementos técnicos determinados pela Justiça.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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