BRASIL
Saúde e nutrição com Clayton Camargos: transplante de cocô
Publicado em
5 de setembro de 2024por
Da Redação

O fator “nojento” de fazer um transplante de cocô não incomoda muitos os pacientes que estão aflitos para sanar suas opressões dolorosas decorrentes da saúde intestinal.
Transplante de microbiota fecal é o nome oficial do tratamento, que envolve selecionar cocô de uma fonte “saudável” e transplantá-lo para o cólon de alguém com uma doença intestinal. Podemos fazer isso por meio de cápsulas ou procedimentos mais invasivos, como a colonoscopia.
A ideia é que, ao transplantar cocô saudável para um intestino não saudável, podemos aliviar certas doenças, mas até agora, nossas esperanças estão à frente dos dados.
Recentemente, assisti um documentário da Netflix “Hack Your Health: The Secrets of Your Gut”, no qual uma mulher com sintomas intestinais crônicos faz suas próprias pílulas de cocô. No filme, ela afirma que coletou amostras do namorado e do irmão.
Minha opinião: não tente fazer isso em casa!
O efeito colateral mais comum após transplantes fecais é o desconforto abdominal, ocorrendo em 13 a 30% dos pacientes, no entanto, complicações sérias não são raras: uma revisão publicada na PLOS One mostrou que a morte ocorreu em 3,5% e infecção em 2,5% dos pacientes – embora, para ser claro, a maioria desses eventos não foi considerada relacionada ao tratamento em si e provavelmente porque as pessoas incluídas nesses ensaios estavam muito doentes para participar das pesquisas.
Clique aqui para acessar o estudo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27529553/
Distúrbios gastrointestinais crônicos, como síndrome do intestino irritável e dispepsia funcional, podem afetar drasticamente a capacidade de viver a vida, aproveitar a comida e evacuar confortavelmente. A necessidade de melhores tratamentos é tão extrema que existem indivíduos dispostos a correr riscos desnecessários e voar às cegas com transplantes fecais na crença equivocada de que serão curados. Mas mesmo um pequeno risco de óbito ou infecção grave é razão suficiente para que nenhum de nós tente isso por conta própria.
Até agora, os dados sobre transplantes fecais têm sido consistentemente fortes para apenas uma condição: certos casos de uma infecção intestinal rara, mas muito importante, chamada Clostridium difficile.
De outra parte, pesquisas estão em andamento para verificar se os transplantes fecais podem auxiliar no tratamento de condições como doença inflamatória intestinal, depressão, obesidade e muito mais.
Em um estudo seminal publicado no periódico Nature, pesquisadores transplantaram o microbioma intestinal de camundongos obesos e magros para grupos saudáveis que tinham uma dieta normal. Quando os animais saudáveis receberam um transplante fecal de um obeso, eles rapidamente ganharam mais gordura corporal do que aqueles que receberam transplantes de um doador magro. As descobertas sugerem que há uma forte conexão entre a saúde intestinal e a obesidade.
Clique aqui para acessar o estudo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17183312/
O microbioma – isto é, a coleção de informações genômicas relacionadas aos trilhões de micróbios que habitam nossos intestinos – é uma área de pesquisa alvissareira. Estudos nos deram pistas sobre o quão crítico é o papel que ele desempenha nas doenças e na saúde humanas, incluindo no metabolismo, na doença de Parkinson, na ansiedade e no câncer colorretal.
Mas ainda há muito que não sabemos sobre os riscos de longo prazo do transporte de amostras de um microbioma para outro.
De certa forma, o microbioma humano é como um jardim, onde a luz solar, a sombra, a água e os nutrientes do solo afetam se você prosperará ervas daninhas ou belas flores.
À medida que os alimentos descem pelo seu trato gastrointestinal, diferentes bactérias processam as sobras e criam subprodutos variados. Estes variam dependendo do que comemos, dando a você ervas daninhas ou flores. E eles podem ter um grande impacto em nossa saúde.
Por exemplo, os ácidos graxos de cadeia curta são um exemplo bem conhecido de um desses subprodutos bacterianos benéficos envolvidos em nosso metabolismo e sistema imunológico. Eles são produzidos com mais frequência por bactérias encontradas entre pessoas que comem uma dieta rica em fibras, vegetais e peixes.
Sabemos que o microbioma é frequentemente alterado em distúrbios como a síndrome do intestino irritável – e a diversidade microbiana reduzida está associada a sintomas intestinais agravados. Entretanto, uma meta-análise de 2019 de vários ensaios clínicos randomizados não mostrou benefícios do transplante fecal para esses pacientes.
Clique aqui para acessar o estudo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30908299/
Um dos motivos é que não há uma única anormalidade microbiana presente em todos os portadores de síndrome do intestino irritável. Segundo, ainda estamos aprendendo quais papéis cada uma das espécies microbianas desempenha em nossos corpos e como elas interagem com as influências hormonais, alimentares e neuronais específicas dentro de cada hospedeiro único.
Resumindo, ainda não temos certeza de qual combinação de condições ambientais, incluindo os micróbios, dará ervas daninhas ou flores a qualquer indivíduo. As bactérias que podemos pensar que são “saudáveis” podem ser típicas apenas para certas populações, e as que cremos como “não saudáveis” podem não ser tão prejudicial em outras.
Embora o transplante fecal possa não ser a resposta hoje, está claro que a maioria de nós precisa fazer algo para impulsionar nosso microbioma. O que eu recomendo primeiro é comer mais alimentos ricos em fibras, sobretudo as solúveis – encontradas prioritariamente nas frutas. Uma alternativa, utilizar um suplemento diário de Psyliun. Essas duas recomendações não só são apoiadas por dados rigorosos, mas também não têm praticamente nenhum risco.
Nosso microbioma ama fibras! Mas é provável que você seja como a grande maioria que não está consumindo as quantidades necessárias. Recomenda-se que as mulheres consumam 25 g e os homens cerca de 38 g de fibras diariamente.
Um estudo intrigante publicado na Nature, em 2016, mostrou que, com cada geração consumindo sucessiva e progressivamente uma dieta pobre em fibras, a microbiota intestinal se transformou. Eventualmente, as gerações subsequentes perderam enormes grupos de micróbios que não puderam ser totalmente recuperados, mesmo quando mudaram sua dieta para ingerir consistentemente alto teor de fibras.
Clique aqui para acessar o estudo: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4850918/
Comer alimentos integrais e reduzir itens ultraprocessados deve ser o objetivo de todos nós – e adotar a dieta mediterrânea é um lugar perfeito para começar.
Conforme retrocitado, o Psyliun também pode ajudar. É uma fibra solúvel feita da casca de sementes que pode aumentar a produção de ácidos graxos de cadeia curta. O Psyliun também é um metamorfo que responde em tempo real às necessidades intestinais: ele fornece volume às fezes quando você tem diarreia, mas também pode reter água, o que amolece seu cocô quando você está constipado. Por essas razões, é ótimo para sintomas que oscilam desde síndrome do intestino irritável até incontinência fecal.
Em geral, meus pacientes consideram o pó mais fácil de ajustar em uma dose que funcione para eles. Eu geralmente oriento de 10 g até 30 g por dia, divididos entre uma dose matinal e noturna. Comece com uma dose baixa e aumente conforme necessário.
Hoje, não há como compreender a conexão cérebro-intestino sem pensar no microbioma. Se você sofre de problemas gastrointestinais crônicos, pode se beneficiar de consultar um nutricionista com formação em motilidade intestinal. Seu trabalho se concentra no eixo cérebro-intestino-microbioma, e será provável que sugira tratamentos que outros profissionais ainda não consideraram devido à especialização do campo de atuação.
Informação é prevenção. Você tem alguma dúvida sobre saúde, alimentação e nutrição? Envie um e-mail para [email protected] e poderei responder sua pergunta futuramente. Nenhum conteúdo desta coluna, independentemente da data, deve ser usado como substituto de uma consulta com um profissional de saúde qualificado e devidamente registrado no seu Conselho de Categoria correspondente.

Clayton Camargos é sanitarista pós-graduado pela Escola Nacional de Saúde Pública – ENSP/Fiocruz. Desde 2002, ex-gerente da Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade (CNRAC) do Ministério da Saúde. Subsecretário de Planejamento em Saúde (SUPLAN) da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Consultor técnico para Coordenação-Geral de Fomento à Pesquisa Em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde. Coordenador Nacional de Promoção da Saúde (COPROM) da Diretoria de Serviços (DISER) da Fundação de Seguridade Social. Docente das graduações de Medicina, Nutrição e Educação Física, e coordenador dos estágios supervisionados em nutrição clínica e em nutrição esportiva do Departamento de Nutrição, e diretor do curso sequencial de Vigilância Sanitária da Universidade Católica de Brasília (UCB). Atualmente é proprietário da clínica Metafísicos.
CRN-1 2970.
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Fonte: Nacional
BRASIL
Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia
Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado
Published
3 semanas agoon
15 de maio de 2026By
Da Redação
O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.
O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.
A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.
Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.
O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.
Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.
Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.
“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.
Entenda o caso
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.
Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.
A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.
Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.
Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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