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Rascunho de um golpe

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O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay
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O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay

A consolidação de que realmente houve uma tentativa de golpe de Estado nos dá, em todos nós democratas, uma tristeza envergonhada e uma preocupação consciente com o presente e o futuro do Brasil. Quando alertávamos de que havia uma rebelião em curso, a regra era que fôssemos tratados como alarmistas. No fundo, até nós mesmos torcíamos para que estivéssemos errados na análise dos sinais da barbárie.

Hoje, não existe espaço para nenhuma dúvida. O golpe só não foi efetivado pelo fato de o então Presidente da República ser um cidadão obtuso, tosco e sem nenhum verniz intelectual ou liderança nos círculos fechados da inteligência nacional. Desprezado pela cúpula das Forças Armadas, que sentia profunda vergonha dos vexames diários promovidos por esse indigente intelectual, e pelos que têm capacidade mínima de analisar os fatos, aqui e no exterior. Mas esse fascista impregnou e cooptou milhões de seguidores país afora. E o risco ainda persiste. Lembrando-nos de Mário Quintana, “O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente ”.

Por isso, é importante acompanharmos, com seriedade e atentamente, o que ocorre neste momento no Brasil. O movimento punitivista da Lava Jato foi um dos esteios do governo Bolsonaro. É sintomático que a derrota nas urnas do projeto autoritário coincida com o debacle dos líderes lavajatistas. Os chefes da força-tarefa de Curitiba estão bebendo parte do veneno que destilaram. A cassação do Deltan, a provável cassação do Moro, a séria e meticulosa inspeção extraordinária na 13ª Vara Federal de Curitiba e no TRF4, promovida pelo competente e corajoso ministro Salomão, corregedor do CNJ, dão-nos esperanças de dias melhores e com ares democráticos no Poder Judiciário. E tudo isso ocorre quando o TSE julga a inelegibilidade do Bolsonaro e a CPI dos Atos Antidemocráticos começa a funcionar.

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Para o Brasil avançar e alcançar a paz social, é imprescindível que a justiça seja feita, com a punição dos golpistas, dos terroristas, dos dinheiristas e dos aproveitadores sem escrúpulos. Isso passa pelo princípio básico da República: todos são iguais perante a lei. Do general ao grande empresário e aos membros do inatingível Poder Judiciário, todos, enfim, que tiverem contas a prestar serão responsabilizados. Se não por um imperativo de justiça, vamos assim agir por inteligência emocional.

Com as milhões de viúvas do bolsonarismo indóceis e acuadas, inclusive na grande mídia, existe um fascismo latente e um risco de retrocesso civilizatório. Na verdade, os 4 anos de barbárie institucionalizada destruíram parte do arcabouço democrático construído ao longo de décadas de conquistas humanistas. Por isso, a preocupação com o presente e o futuro do país. Nessa quadra com contornos dramáticos, o Brasil tem que ter a necessária coragem e a imensa responsabilidade de não proteger os que, ainda ontem, planejavam e urdiam a ruptura institucional, com a implementação da Ditadura militar. É assustador e deprimente ler os planos que estavam em avançado estágio, inclusive com o sempre luxuoso apoio de juristas de plantão, que trocam o respeito pelo poder.

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A subleitura do artigo 142 da Constituição — para dizer que as Forças Armadas seriam um Poder moderador —, a implementação do Estado de sítio, o afastamento de ministros do Supremo, a imposição de um interventor com poderes absolutos e a anulação da eleição legítima do Lula, dentre outros estupros constitucionais, visavam garrotear as liberdades e implementar as trevas e o terror. Isso não é um filme de 1968. Foi ontem. É hoje. Daquela época, só quero de volta o grito que tantas vezes ecoei nas ruas: “o povo unido jamais será vencido” . Vamos resistir!

Lembrando-nos de Sophia de Mello Breyner: “A memória longínqua de uma pátria eterna mas perdida e não sabemos se é passado ou futuro onde a perdemos” .

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay

Fonte: Nacional

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Mato Grosso Horse Show consolida Estado como protagonista nacional do cavalo Quarto de Milha

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O Mato Grosso Horse Show, em sua primeira edição, se consolida como um dos principais eventos do país dedicados ao cavalo Quarto de Milha. A programação começou na quarta-feira (27) e termina nesta quinta-feira (28), no Aeroporto Bom Futuro, em Cuiabá, reunindo criadores de todo o Brasil para um leilão exclusivo com 56 lotes. O encerramento contará com um show especial do cantor Xand Avião.

Segundo os organizadores, esta edição atingiu um patamar inédito ao apresentar uma tropa de altíssimo nível. Mais de 70% dos animais ofertados são de linhagens importadas, reforçando a qualidade técnica do Horse Show. “A gente conseguiu reunir aqui a melhor tropa em nível mundial em um único leilão. É um marco para o nosso Estado”, destacou Dudu Campos.

A realização tem projetado Mato Grosso como referência nacional no mercado do cavalo. “Esse leilão traz, de fato, Mato Grosso como protagonista do cenário nacional. Além de atrair investidores de outros estados, fomenta os criadores daqui e incentiva o surgimento de novos nomes no setor”, acrescentou Eduardo.

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O mercado do cavalo movimenta cerca de R$ 30 bilhões por ano no Brasil, sendo o Quarto de Milha a raça mais comercializada e fomentada no País.

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