BRASIL
O som das águas e da ancestralidade na arte de Osvaldo Gaia chega a Brasília
Publicado em
7 de setembro de 2024por
Da Redação

Na noite desta sexta-feira (6), a Referência Galeria de Arte se transformou em um portal para a ancestralidade e os saberes ribeirinhos da Amazônia . A abertura da exposição Gapoiando em águas ribeiras , do artista visual Osvaldo Gaia, trouxe ao público de Brasília a oportunidade de mergulhar nas tradições e vivências dos povos caboclos e indígenas da região amazônica. Sob curadoria de Paulo Vega Jr., o evento, que ocorreu das 17h às 21h, contou com uma visita guiada que cativou os presentes.
Osvaldo Gaia, em sua primeira mostra individual na capital federal, apresentou instalações, esculturas e objetos que evocam o cotidiano da pesca e a relação de profundo respeito com a natureza. O termo gapoiando , que dá nome à exposição, é usado pelos caboclos amazônicos para descrever o ato de espantar peixes no igapó, técnica que Gaia usa como metáfora para revelar os saberes escondidos sob a superfície da água.
“Cada peça é um fragmento das memórias que carrego da minha infância no Pará. É como se eu estivesse tateando esses saberes, tentando transmitir a complexidade e a delicadeza dessa relação entre o homem e a natureza” , explicou o artista.
Entre as obras mais impactantes está Mariscando no remanso das escamas , uma instalação de piso que utiliza madeira de demolição, chumbo de tarrafa e linha, simbolizando o curral de pesca. “Essa obra remete à construção coletiva dos currais de pesca, onde as famílias e comunidades se unem para garantir o sustento. É um ciclo de vida e de renovação” , comentou Gaia.

Já Garateia , uma instalação suspensa, brinca com anzóis de madeira e uma armadilha de espera, enquanto Descanso das Chumbadas evoca a paciência e o cuidado dos pescadores com seus apetrechos.
O curador Paulo Vega Jr. ressaltou a força simbólica do trabalho de Gaia, que transcende a materialidade das obras e se aprofunda nas conexões afetivas com o passado. “Os trabalhos que o artista apresenta na Referência podem ser vistos pela lente da síntese. Sua produção parte de experiências e situações reais, transformando essas vivências em um amálgama de elementos tangíveis e intangíveis, da memória à concretude” , afirmou Vega Jr.
Ele também destacou a complexidade paradoxal da poética de Gaia: “A impermanência e a transitoriedade permeiam o trabalho dele de forma curiosa, pois é quase impossível materializar algo que, por natureza, está sempre em transformação. Mas Gaia evoca isso brilhantemente.”

A exposição continua até o dia 5 de outubro e oferece uma oportunidade única para o público brasiliense se conectar com a Amazônia por meio da arte de Osvaldo Gaia, que, com sensibilidade, transforma suas memórias em um legado visual que nos convida a refletir sobre a interação entre o homem e o meio ambiente.
Confira mais cliques do evento pelas lentes de Vanessa castro:
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Fonte: Nacional
BRASIL
Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia
Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado
Published
2 meses agoon
15 de maio de 2026By
Da Redação
O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.
O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.
A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.
Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.
O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.
Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.
Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.
“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.
Entenda o caso
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.
Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.
A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.
Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.
Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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