BRASIL

O que é o Foro de São Paulo, cúpula que tem Lula entre os fundadores

Publicado em

Presidente Luiz Inàcio Lula da Silva no Foro de São Paulo
Valter Campanato/Agência Brasil – 29/06/2023

Presidente Luiz Inàcio Lula da Silva no Foro de São Paulo

Terminou neste domingo (2) o 26° encontro do Foro de São Paulo. Com a participação do presidente Lula, o encontro em Brasília teve início na quinta-feira passada e contou com a presença de 270 representantes de 57 organizações sociais.

Fundado em 1990 por meio de um convite do Partido dos Trabalhadores (PT) a partidos da América Latina e do Caribe para discutir a situação internacional após a queda do Muro de Berlim, na Alemanha, as ditaduras militares no mundo e o colapso da União Soviética, o fórum tem mais efeito simbólico do que ações concretas. Entretanto, a cúpula é usada por conservadores e militantes de extrema-direita para a disseminação de teorias da conspiração.

O Foro foi constituído em uma articulação política entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o então líder de Cuba, Fidel Castro. O nome “Foro de São Paulo” foi dado após a primeira reunião ter sido sediada na capital paulista.

Objetivos do Foro

Segundo o primeiro texto da cúpula, feito na década de 90, os objetivos do Foro de São Paulo são “avançar com propostas de unidade de ação consensuais na luta anti-imperialista e popular”, e “promover intercâmbios especializados em torno dos problemas econômicos, políticos, sociais e culturais” da região.

Leia Também:  Conexões Espirituais Reveladas: A Parceria Poderosa entre Val Couto e Tânia de Iansã

Em documento de 2017, o Foro atualizou seus valores e princípios, colocando os seguintes aspectos como guia:

  • Democracia e autodeterminação
  • Anti-imperialista e antineoliberal
  • Integração regional e soberania
  • Unidade e solidariedade

Segundo o cientista político e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Leandro Consentino, “o Foro de São Paulo é um espaço muito mais de interlocução do que de ação, mas ele é tido como um bicho papão pela oposição atual, como se tivesse poder para organizar alguma medida comunista ou radical da esquerda”.


Lula no Foro de São Paulo

Durante o 26° encontro da cúpula na última semana, Lula disse que América do Sul viveu o melhor momento em 500 anos entre 2002 e 2010, quando somente políticos da esquerda estavam no poder. O chefe do Executivo disse ainda que ser chamado de “comunista” e de “socialista” muitas vezes é motivo de “orgulho”.

“Foi a vitória na Argentina, no Chile, no Brasil, na Venezuela, no Equador. Foi a vitória, inclusive, de pessoas mais progressistas nos outros países que estiveram do nosso lado. Além da vitória do nosso companheiro [Hugo] Chávez na Venezuela. Nós vivemos um período de muita expansão, de conquista social e de participação política no nosso continente”, disse Lula.

Leia Também:  Haddad pede pacto entre Poderes após decisão de Pacheco

“Eu não creio que tenha havido um outro momento histórico em que a sociedade da América do Sul e da América Latina teve tantas conquistas e tantas políticas de inclusão social como tiverem nesse período de 2000 a 2010, 2012, até 2015, quando fizeram o impeachment da Dilma”, acrescentou o presidente.

De acordo com Leandro Consentino, ao participar do evento e dar esse tipo de declaração, Lula endossa o discurso da oposição, que fala que essa organização pode ser de fato poderosa e que teria capacidade de implementar uma ditadura comunista.

“O Lula dar essas declarações é um recibo e dá forças para a oposição, por mais que a organização não tenha esse objetivo”, acrescenta Consentino ao iG.

Participantes

No Brasil, as legendas que fazem parte do Foro são: o Partido dos Trabalhadores; o Partido Democrático Trabalhista (PDT); o Partido Comunista do Brasil (PCdoB); e o Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Na América do Sul e na América Latina são: o Partido Comunista de Cuba, que tem como filiado o presidente Miguel Díaz-Canel; a Frente Sandinista de Liberação Nacional, do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega; o Partido Socialista Unido de Venezuela, que tem como integrante o presidente Nicolás Maduro; e o Movimento ao Socialismo, do presidente da Bolívia, Luis Arce.

Fonte: Nacional

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

BRASIL

Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

Published

on

O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

Leia Também:  Lula anuncia aplicação de R$ 15,5 bi em obras na Dutra e na Rio-Santos

Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

Leia Também:  Avião da FAB para resgate de brasileiros em Gaza decola para o Egito

O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA