BRASIL
“Não cheguei aqui à toa”, diz vice-presidente do TCDF, André Clemente
Publicado em
31 de julho de 2024por
Da Redação
O vice-presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal ( TCDF) , André Clemente , afirmou que a sua aprovação e posse na Corte de Contas “não foi à toa” e que contou com a participação de vários personagens da política, como a do governador Ibaneis Rocha (MDB) e de vários deputados distritais, os quais asseguraram a indicação dele para o cargo vitalício.
Mesmo com a “disputa” natural nos bastidores, o ex-secretário de Economia da gestão emedebista garante não nutrir mágoas por aquelas figuras que, notadamente, tentaram impedir a indicação para a disputada cadeira.
“As pessoas que estão ocupadas com o seu trabalho, com os seus projetos de servir ao próximo, e elas não têm tempo para carregar pedras, para carregar problemas. E quanto mais leve você estiver, mais longe você vai. Então, eu não tenho mágoa de ninguém, não tenho problema com ninguém. Lógico que as disputas acontecem. O que as pessoas têm que entender é que eu não cheguei ali à toa, do dia para a noite. Foram 34 anos de carreira e 20 anos de projeto. Eu tive paciência. Outros passaram na minha frente. Então, aquele momento chegou e Deus quis que eu ali estivesse. Trabalhei e fiz por onde. O governador me honrou com essa indicação e os parlamentares também. Tive 22 votos favoráveis, dos 24, na sabatina”, lembrou.
Durante entrevista exclusiva ao GPS|Brasília , André Clemente esteve com sua fiel escudeira, a pequena Gaya, uma Lulu da Pomerânia branca que costuma acompanhá-lo em diversas agendas. Segundo o conselheiro, a presença da pet reforça a necessidade do fortalecimento de políticas públicas em benefício dos animais de estimação.
“Depois da pandemia que assolou o mundo, eu me aproximei novamente dos pets como uma forma de até manter essa unidade mental, né? Naquele momento de muito trabalho, de grande isolamento. E de lá para cá, realmente, o relacionamento, a paixão pelos animais, por essa causa animal aumentou”, confirmou.
De tão convicto com a causa, Clemente chegou a adotar o Bento, um filhote sem raça definida e resgatado nas enchentes do Rio Grande do Sul. O conselheiro revelou que chegou a sonhar com o pequeno cachorrinho antes mesmo de conviver com ele no seu apartamento no Sudoeste.
“Uma noite antes, eu tinha sonhado com ele. Quando ele apareceu, aí eu reconheci. Falei do sonho e entrei em contato com a ONG, até que ele veio. Por meio do avião da FAB [Força Aérea Brasileira], ele chegou em Brasília e tem sido um presente pra mim. E isso já tem quase dois meses que ele é o quarto pet na minha casa”, emendou.
O conselheiro também afirmou que usará as prerrogativas do cargo para defender as políticas públicas em pro das causas animais, especialmente dos pets domésticos.
” O controle externo não trabalha só fiscalizando, só apontando o dedo, só multando. Tratando de processo, ele trabalha preventivamente também, concomitantemente. O que é isso? Uma política pública não está funcionando bem? Chamam-se os interlocutores, ouve-se a população, a sociedade civil organizada, vê o que é que falta para aquilo funcionar melhor e fazemos determinações, chamamos para uma mesa de consenso. Enfim, fazer conciliações, acordos, fiscalizações, determinações, se for preciso”, continuou.
André Clemente foi o relator do processo que identificou “falhas” na gestão da Organização Não Governamental (ONG) Salve a Si, comandada pelo ativista Henrique França, uma das, até então, mais respeitadas pelo trabalho de auxílio na recuperação de dependentes químicos. Contudo, o resultado apontou uma série de problemas, como o uso de pacientes, inclusive, para construção de bens pessoais de dirigentes, e não em prol da instituição.
“Vou falar em termos gerais para não entrar no caso específico do processo, porque como julgador e eu tenho que falar só nos autos. É muito importante a presença do Estado, auxiliar na gestão, na fiscalização, na prestação de contas. O Estado, e eu fui cobrador de impostos, secretário de fazenda durante alguns governos, e o Estado não pode ficar longe muito tempo, tem que ficar perto, controlando, fiscalizando, ajudando, para que não aconteçam desvios… Essas situações muitas vezes não são nem por má fé, não são para serem dolosas. É simplesmente por uma questão de gestão, de desorganização. Essas entidades prestam um grande serviço à população do Distrito Federal e auxiliam o Estado no atendimento de crianças, de idosos, de pessoas com deficiência, de dependentes químicos. Então, tem que ter um cuidado especial com essas entidades”, disse.
Durante a entrevista, o vice-presidente do TCDF também fez uma avaliação dos sucessores na Secretaria de Economia, opinou sobre posicionamentos administrativos e ainda recordou sobre um dos momentos de maior acerto enquanto ocupou cargos públicos na estrutura do Distrito Federal
“O fato de ter acreditado em uma campanha eleitoral, num governo que não tinha chance nenhuma, que ninguém esperava e, de repente, você virar aquela chave, você ver que realmente era a melhor proposta e que deu certo… As entregas que foram feitas no momento de grave pandemia no Distrito Federal. Nos piores momentos de Brasília, nós tivemos os melhores resultados. Então, isso, para mim, é muito gratificante: ter contribuído para este governo dessa forma. Ou seja: ter feito aquilo que eu tinha a obrigação de fazer”, finalizou.
Assista:
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Fonte: Nacional
BRASIL
Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia
Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado
Published
1 mês agoon
15 de maio de 2026By
Da Redação
O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.
O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.
A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.
Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.
O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.
Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.
Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.
“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.
Entenda o caso
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.
Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.
A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.
Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.
Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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