BRASIL
Movimento “woke” no Brasil
Publicado em
26 de julho de 2024por
Da Redação
Já vimos sobre o woke, sua origem e polêmicas nos EUA, onde o termo e o movimento se formaram. Mas o Brasil não passou ao largo dessas questões. Aqui, é fato, não se fala em movimento, mas em movimento “politicamente correto”, cujos contornos são basicamente os mesmos do woke (que, inclusive, se utiliza do politicamente correto em suas manifestações).
O grande problema do politicamente correto é a presunção, por parte de seus defensores, de uma superioridade moral originária. Como se trata de algo também vinculado ao pensamento progressista, ao pensamento de esquerda, logo se vê que tal postura acaba se manifestando também na política, tanto em termos ideológicos como partidários.
Talvez o ponto de cisão tenha sido, na política, a eleição de 2014. Na ocasião, por ocasião da campanha, o hoje presidente Lula defendeu estar existindo um embate “pobre contra rico” e parece ter surgido ali uma postura verificada naquela e nas eleições subsequentes: não se busca cooptar o eleitor de outro candidato, mas desqualificar a sua escolha.
O que isso tem a ver com o politicamente correto? Tem a ver porque, tal como nesta estrutura de “patrulha ideológica” típica do woke e do politicamente correto, o dissidente deve ser criticado ao ponto de não mais ser tratado como humano. A desumanização da divergência toma espaço, então, de modo claro.
E claro que isso terá efeitos em outros campos sociais. Claro que sim. Na universidade, pode-se correr o risco de selecionar professores ou projetos de pesquisa “sensíveis” a certas ideias, e recusar outros simplesmente por não se alinharem a isso.
Também nas artes, campo naturalmente fértil à diversidade, as regras do politicamente correto marcam presença, seja para escalar atores, determinar diretrizes publicitárias, escolher roteiros, impor determinadas versões de eventos históricos, dentre outros pontos.
Também na publicidade se podem detectar determinadas diretrizes alinhadas com uma dada linha de pensamento. Ainda pior é a tentativa de se reescrever obras literárias, quase centenárias, como foi o caso de Monteiro Lobato. Um dos maiores escritores brasileiros, com obra escrita há quase 80 anos, vem sendo acusado por alguns de racismo. Objetivamente, o escritor Marcelo Coelho, em 2021, declarou que “pode ser chato saber disso, mas Monteiro Lobato era de um racismo delirante”.
A questão é: e se ele for mesmo racista? Mais: sua obra seria uma simples homenagem ao racismo, ou é muito mais do que isso? A resposta é intuitiva. Sem contar que Lobato deve ser analisado em seu tempo, seu contexto, sua sociedade. Essa tentativa de deixar Lobato “limpinho” é uma das faces do politicamente correto. E uma face mais do que contestável. O escritor e filósofo Gustavo Bastos comenta o seguinte sobre o movimento woke e o politicamente correto:
“O maniqueísmo do movimento tende a entender os próprios valores como absolutos, inquestionáveis, e a hipersensibilidade é uma característica que leva a estas ondas de cancelamentos e de controle quase delirantes da linguagem (…) o Movimento Woke quando se torna deturpado e exagerado, perde o contato com a realidade mais elementar, de que há gradações na realidade e de que nem tudo é condenável ao menor deslize”.
Para quem quiser acessar mais material meu e de outros pesquisadores, deixo aqui o link do Instituto Convicção, do qual faço parte.
Fonte: Nacional
BRASIL
Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia
Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado
Published
4 semanas agoon
15 de maio de 2026By
Da Redação
O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.
O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.
A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.
Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.
O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.
Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.
Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.
“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.
Entenda o caso
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.
Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.
A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.
Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.
Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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