BRASIL
Mar de plástico: desafios ambientais em Noronha, São Pedro e São Paulo
Publicado em
7 de março de 2024por
Da Redação
Nem mesmo os chamados refúgios ambientais, que são protegidos por leis de preservação, escapam da contaminação por plástico, seja na forma visível, com a presença de objetos, ou na forma quase imperceptível através da preocupante incidencia do microplástico.
Depois de integrar um estudo global sobre esse subproduto do petróleo em recifes de corais profundos, abrangendo 84 ecosistemas nos oceanos Índico, Pacífico e Atlântico, o pesquisador Hudson Pinheiro agora traz uma análise recortada do impacto em Fernando de Noronha, São Pedro e São Paulo. Apesar de áreas distantes da costa e muito bem preservadas, sofrem com esse tipo de contaminação.
Pesca fantasma
A pesquisa revela resultados alarmantes. Apesar dos esforços de conscientização e controle da pesca artesanal, 75% dos resíduos encontrados nos recifes de corais profundos nesses santuários brasileiros têm origem no manejo, como cordas, redes e linhas.
“Esses equipamentos, quando abandonados, descartados ou perdidos no mar, continuam a pescar e causar danos aos ambientes recifais, um fenômeno conhecido como pesca fantasma. Como esses materiais podem levar centenas de anos para se decompor, comprometem a saúde dos recifes de corais e ameaçam todo o equilíbrio da vida marinha associada a esses ecossistemas”, explica o brasileiro Hudson Pinheiro, um dos coordenadores do estudo acadêmico sobre a poluição plástica nos oceanos, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e do Centro de Biologia Marinha da USP.
Os 25% restantes são provenientes de detritos gerados pela indústria de consumo, como garrafas plásticas e embalagens de alimentos.
“A administração do arquipélago tem buscado eliminar o uso de descartáveis, coletando plásticos de uso único já no aeroporto”, ressalta o cientista que reconhece que o setor de alimentos tem muito a contribuir com o ecossistema, evitando o uso de matérias-primas prejudiciais ao meio ambiente na produção de embalagens.
Em 2023, representantes de 175 países chegaram a um pré-acordo para definir os termos de um tratado global para reduzir a poluição plástica no mundo, durante uma reunião na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em Paris. O texto final do projeto deve ser concluído ao longo deste ano.
“Dados impressionantes indicam, por exemplo, que os recifes profundos são ainda mais afetados do que os recifes rasos, que estão mais próximos da fonte de poluição”, diz Janaína. “Tudo isso reforça a importância de uma mobilização global contra a poluição plástica nos oceanos, como proposto pela ONU. O Brasil deve se posicionar para que um acordo ambicioso seja implementado por todos”, enfatiza Janaína Bumbeer, doutora em ecologia e conservação e gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário.
Fernando de Noronha
Reconhecido como Patrimônio Natural Mundial da Humanidade pela Unesco, o arquipélago de Fernando de Noronha é considerado por pesquisadores e especialistas como um dos principais santuários ecológicos do planeta. Localizado no litoral de Pernambuco, o território abriga mais de 500 espécies marinhas, algumas das quais em risco de extinção como: tartarugas, golfinhos, tubarões e uma infinidade de peixes coloridos que enfeitam os recifes de coral.
Além disso, é um importante local de reprodução para aves marinhas, como os albatrozes, que encontram abrigo em suas falésias íngremes. A batalha da administração e moradores da ilha contra a poluição plástica é contínua e exige uma abordagem holística que envolva não apenas medidas locais, mas também a cooperação internacional e a implementação de políticas globais de conservação marinha.
São Pedro e São Paulo
O arquipélago de São Pedro e São Paulo é um conjunto de ilhotas rochosas que emergem de águas profundas e remotas do Oceano Atlântico a meio caminho entre as costas do Brasil e da África. Elas formam um dos ecossistemas mais isolados do planeta.
Essas ilhas são conhecidas por sua importância científica e ecológica, servindo como refúgio para uma variedade de espécies marinhas e aves migratórias. Apesar de sua pequena extensão territorial e acesso restrito, o arquipélago enfrenta desafios significativos, incluindo a contaminação por poluição plástica, que representa uma ameaça à vida marinha e à integridade dos delicados habitats submarinos.
Devido à sua localização remota e difícil acesso, São Pedro e São Paulo têm sido objeto de estudos científicos sobre a biodiversidade marinha e os efeitos das mudanças climáticas nos oceanos. O acesso é restrito a cientistas e pesquisadores que visitam a área para estudos e monitoramento da vida marinha e dos ecossistemas submarinos.
Fonte: Nacional
BRASIL
Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia
Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado
Published
3 semanas agoon
15 de maio de 2026By
Da Redação
O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.
O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.
A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.
Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.
O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.
Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.
Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.
“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.
Entenda o caso
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.
Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.
A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.
Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.
Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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