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Kim defende vacina contra o crack como alternativa para Cracolândia

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Deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP), pré-candidato à prefeitura de São Paulo
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados – 19.6.19

Deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP), pré-candidato à prefeitura de São Paulo

O deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) defendeu o uso de vacina contra o crack para reduzir o número de dependentes químicos na região da Cracolândia , no centro de São Paulo. A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao iG .

O imunizante é desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e teve resultado positivo em testes pré-clínicos. Os pesquisadores devem iniciar os testes em humanos ainda neste ano.

“Primeiro ponto, vacina. Esse é um ponto central que eu tenho batido muito. A vacina contra o crack, a vacina contra a cocaína fica pronta no ano que vem. O prefeito Ricardo Nunes, de maneira vergonhosa, destinou, salvo engano, R$ 3 milhões. Esse valor, para o prefeito da cidade de São Paulo, não é absolutamente nada. Se eu fosse prefeito hoje, eu daria todo o dinheiro necessário para que a pesquisa fosse desenvolvida, porque esse é o problema central da cidade de São Paulo. Nós precisamos investir na vacina contra o crack e precisamos vacinar todos aqueles que estão na Cracolândia”, declarou Kim.

“Outro ponto é a internação compulsória para quem não tem mais condições. Cerca de 49% da Cracolândia está lá há mais de 10 anos. Quem não tem mais condições mentais de tomar decisões por si próprio precisa ser internado compulsoriamente. Não existe o direito humano de você destruir a própria vida usando uma droga. Não existe o direito humano de você degradar, destruir, depredar, furtar, roubar o centro de São Paulo, seus comerciantes e os seus moradores. Então, a internação compulsória, para quem não tem mais condições de tomar decisão por si próprio, é a solução a ser tomada”, concluiu, ao citar a necessidade da retirada dos dependentes da região central.

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A Cracolândia tem se tornado dor de cabeça para prefeitos e governadores que assumem São Paulo. Nos últimos anos, a concentração de dependentes químicos tem aumentado na região da Santa Cecília e provocando sensação de insegurança entre os moradores após os registros de roubos e furtos na região.

Outro fator que incomoda é a migração dos dependentes. Antes, eles se concentravam na Rua Helvetia, mas mudaram para a praça Princesa Isabel. Após uma operação da prefeitura, os dependentes passaram a vagar pela região central e voltar a se concentrar próximo à Avenida Rio Branco.

Para Kim Kataguiri, a prefeitura peca ao não incluir câmeras com reconhecimento facial para prender procurados e traficantes que atuam na região. Ele ainda defende maior autonomia da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para combater o crime na região.

“A criminalidade é ronda ostensiva. É câmera com reconhecimento facial. [É preciso] a presença ostensiva de rondas da polícia militar e da polícia civil. A polícia civil precisa estar lá porque a gente tem um problema estrutural na nossa polícia, que é um problema a ser resolvido a nível federal, e que infelizmente a gente não consegue resolver no curto prazo. O policial militar que vê um crime, pega um crime em flagrante, ele não pode colher depoimento da vítima, ele não pode colher depoimento de testemunha, a vítima precisa aceitar ir até uma delegacia para fazer um B.O. para depois não dar em nada”, declarou.

“Então, a gente precisaria, no mundo ideal, que houvesse um ciclo completo de polícia. Mas isso, infelizmente, não existe. Se não existe, o que a gente faz para solucionar? Podemos colocar bases da polícia civil já no lugar, para não precisar deslocar a vítima para um local distante para fazer um B.O”.

Moradores em abrigos

Kim Kataguiri ainda defendeu que animais sejam aceitos por abrigos municipais para atender moradores de rua. Segundo ele, esse seria um dos motivos para que os moradores evitem os locais de atendimento da prefeitura e optem por vagar pelas principais ruas da capital.

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“Parte da Cracolândia é morador de rua. E morador de rua precisa de assistência social. Você precisa escutar, porque hoje tem vaga em abrigo que não é utilizada. Vaga em abrigo no centro, vaga em abrigo próximo da Cracolândia. O morador de rua não é escutado. Ele quer levar o seu animal de estimação e ficar com o seu animal de estimação. Hoje você tem dois tipos de abrigos nesse sentido na cidade de São Paulo. Aquele que aceita o animal de estimação, mas separa ele do dono, e aquele que não aceita. Todos precisam aceitar. Olha, minha proposta, no primeiro dia de prefeitura, todos os abrigos vão aceitar animais de estimação e vão ter estrutura para o animal de estimação ficar junto com o morador de rua”, declarou.

O deputado disse pretender mudar o método de acolhimento, para que passem a ser considerados os horários dos próprios moradores de rua.

“E flexibilidade em relação ao horário também. O tempo, para mim, para você, nós marcamos essa entrevista: teve um horário, a gente se encontrou nesse horário, a gente vai dormir no horário, a gente acorda no horário, tem despertador. O morador de rua não tem essa sensação de tempo, porque a realidade que ele vive é outra, não é uma realidade baseada no relógio. Então a gente não pode ter esse rigor de horário que você tem nos abrigos hoje da prefeitura, porque isso espanta o morador. Não necessariamente ele quer ir dormir no horário que a prefeitura quer que ele vá dormir, e ele não quer acordar no horário que a prefeitura quer que ele acorde. Você precisa adaptar”.

Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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