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Eleições em São Paulo: próximo prefeito herdará maior caixa da história

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Boulos, Nunes, Tabata, Marçal e Datena são candidatos à prefeitura da capital paulista
Montagem/Reprodução

Boulos, Nunes, Tabata, Marçal e Datena são candidatos à prefeitura da capital paulista

O próximo prefeito da cidade de São Paulo vai herdar o maior orçamento da história, com R$ 119 bilhões disponíveis no caixa. As informações são da Pesquisa de Qualidade do Serviço Público, da Agenda Pública.

O motivo para os cofres abarrotados é a renegociação da dívida da cidade com a União , em 2016, quando a capital trocou o índice de inflação que corrigia sua dívida.

Antes, era o IGP-DI (Índice Geral de Preços- Disponibilidade Interna) mais juros de 9% ao ano. Depois, se tornou o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e juros de 4% ao ano.

Dessa forma, a dívida despencou de R$ 138,8 bilhões, em 2015, para R$ 68,7 bilhões no ano seguinte, em valores corrigidos pela inflação.

“[A diferença] Equivale a dez anos de investimentos da cidade de São Paulo”, afirmou o então prefeito Fernando Haddad (PT).

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Estima-se que a dívida foi reduzida em 86% nos últimos 12 anos: em 2012, o valor chegou a R$ 156 bilhões (corrigido pela inflação atual) e, em abril deste ano, atingiu R$ 22 bilhões.

O valor do caixa foi de R$ 11,2 bilhões em 2012 para R$ 26,7 bilhões em junho deste ano. Em 2022, o valor chegou a atingir R$ 33, 8 bilhões.

Desde 2012, o orçamento total da capital paulista cresceu 42%. Passou de R$ 78,6 bilhões para R$ 111,8 bilhões em 2024, e deve alcançar o recorde de R$ 119 bilhões até o fim de 2024.

Renegociações recentes impactaram na redução da dívida

Outra renegociação importante para o caixa da cidade foi realizada por Ricardo Nunes (MDB) em 2022. Naquele ano, a administração da cidade cedeu o Campo de Marte, um aeroporto para helicópteros e aviões de pequeno porte, para o governo federal, que ofereceu em troca R$ 24 bilhões abatidos da dívida com a União.

A reforma da Previdência municipal também ajudou a reduzir o endividamento. Ao cobrar 14% de contribuição dos aposentados que recebem mais de um salário mínimo, a gestão diminuiu a dívida em R$ 5, 6 bilhões.

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Em nota, a gestão de Ricardo Nunes também ressalta a revisão da legislação tributária municipal, “amplo programa de desestatizações e concessões que soma R$ 2,1 bilhões de arrecadação em outorgas”.

Pesquisa

“Investigamos educação, saúde, proteção social, desenvolvimento econômico, mobilidade e gestão da qualidade em 26 capitais”, diz Sergio Andrade, cientista político e diretor da Agenda Pública, ao Uol.

A partir de dados oficiais, a pesquisa avaliou os indicadores de desempenho, oferta e efetividade desses serviços. Em seguida, ouviu 3.000 pessoas das dez maiores capitais em outubro de 2023 a partir de amostras de gênero, idade e classe social do Pnad 2023 e Censo 2010. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou menos.

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Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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