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Aborto e armas são temas que mais dividem brasileiros, diz Datafolha

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Acesso a armas de fogo causa discordância entre a população
Tomaz Silva/Agência Brasil – 09/05/2019

Acesso a armas de fogo causa discordância entre a população

Os dois temas que mais polarizam os brasileiros são o acesso a armas de fogo e o direito ao aborto, de acordo com pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (1º) pelo jornal Folha de S. Paulo.

Apesar de se dividirem nesses temas, os entrevistados concordam em temas contraditórios. No geral, o brasileiro defende a aceitação da homossexualidade, mas é contra o casamento gay, assim como concorda que negros têm menos acesso ao mercado de trabalho, mas acha que hoje em dia se vê racismo em tudo.

Aborto

A respeito do aborto, há divisão. 44% dos ouvidos acham que a mulher deve ter direito a decidir sobre o aborto – cerca de 25% concordam totalmente e 20% concordam parcialmente.

Do outro lado, 52% são contrários ao direito da mulher decidir sobre o aborto, sendo 39% certamente contrários e 13% em partes.

A concordância com o direito das mulheres é maior entre jovens de 16 a 24 anos (61%), os mais escolarizados (59%) e eleitores de Lula no segundo turno de 2022 (54%). Do outro lado, o apoio cai entre evangélicos (30%), eleitores de Bolsonaro (35%) e os mais pobres (39%).

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Armas

No que diz respeito ao acesso a armas de fogo, 50% são favoráveis (33% totalmente e 17% parcialmente), enquanto 48% são contra (37% muito e 11% em partes).

Entre eleitores de Bolsonaro, 67% são favoráveis à liberação das armas, contra 62% dos lulistas contrários.

Certezas brasileiras

A pesquisa mostra que há alguns assuntos nos quais a maioria dos brasileiros concordam, mesmo que eles sejam bastante contraditórios entre si.

Por exemplo, 78% da população brasileira acredita que negros têm menos acesso a empregos do que brancos, mas, ao mesmo tempo, 75% concordam com a frase “hoje em dia, as pessoas veem racismo em tudo”.

O mesmo contraste é percebido em outro recorte. Ao mesmo tempo em que 75% das pessoas se dizem favoráveis à aceitação da homossexualidade, 72% concordam com a ideia de que família só é composta por homem e mulher.

A fé também é outro tema que gera concordância entre os brasileiros. Para 84% dos entrevistados, “a igreja deve fazer parte do projeto de vida das pessoas”.

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A maior taxa de concordância encontrada na pesquisa foi acerca do apoio a mulheres em cargos de liderança, com 94%. A admissão do aquecimento global alcança 90% dos brasileiros.

Por outro lado, 78% das pessoas acham que a vacinação em si e nos filhos é uma decisão pessoal, enquanto 72% acham que leis ambientais devem ser mais flexíveis para favorecer o agronegócio.

A pesquisa Datafolha entrevistou 2.010 pessoas em 112 cidades entre os dias 12 e 14 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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