BRASIL
Aborto: brasileiras buscam a Argentina para interromper a gravidez
Publicado em
20 de junho de 2024por
Da Redação
A Argentina se tornou uma referência para mulheres brasileiras que querem realizar o aborto de forma segura e legal, já que o procedimento é legalizado no país desde 2021.
A lei argentina permite a interrupção da gravidez até a 14ª semana, em casos de violência sexual e quando a saúde integral – ou seja, em termos físicos e psicológicos – da gestante está em risco.
Além disso, a comercialização do abortivo misoprostol é legalizada no país. Com isso, é possível realizar um aborto autogestionado com o medicamento adquirido em farmácias mediante receita médica.
De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, muitas brasileiras realizam o procedimento no país vizinho para ter mais segurança. Lá, o aborto é realizado em clínicas e hospitais, com o acompanhamento de equipe médica.
A clínica escolhida por duas mulheres ouvidas pelo jornal foi a Musa, localizada em Rosário, província de Santa Fé, local pioneiro no direito ao aborto. Segundo a matéria, desde a legalização, a clínica já atendeu mais de 1.140 mulheres – destas, 301 eram do Brasil, o que faz das brasileiras quase 90% das estrangeiras que procuram a unidade.
Segundo dados do projeto Mirar, em quase três anos, as mortes relacionadas ao aborto caíram 43% no país. A gravidez na adolescência foi reduzida em mais de 40% – principalmente devido à educação sexual integral.
Venda ilegal no Brasil
No Brasil, o misoprostol, conhecido como Cytotec, é comercializado ilegalmente. A venda do medicamento no país é realizada por grupos de apoio a mulheres, que indicam a quantidade de comprimidos conforme a idade gestacional das clientes. O preço vai de R$ 800 a R$ 2.100, e o remédio chega escondido em embalagens de maquiagem.
Relatos
Uma jovem, identificada como “M”, engravidou aos 21 anos do namorado, segundo a Folha. Como a gestação não era uma opção para o casal, os dois embarcaram para a Argentina para realizar a interrupção da gravidez.
A mulher chegou grávida de 11 semanas e 4 dias em Rosário, na província de Santa Fé, local pioneiro no direito ao aborto. Ela foi enquadrada na interrupção voluntária da gravidez, assegurada até as 14 semanas, que garante à mulher o direito ao procedimento sem precisar se justificar.
O aborto foi feito em uma clínica privada por meio da aspiração manual intrauterina, que dura cerca de 20 minutos. Na equipe estava Bárbara Paiva, uma médica brasileira que se tornou referência para as conterrâneas que vão à Argentina realizar o aborto.
Finalizado o procedimento, M foi aconselhada pela equipe a implantar o DIU (dispositivo intrauterino) para prevenir uma nova gravidez, o que poderia ser feito ali mesmo. Ela aceitou, e após cerca de 15 minutos, saiu do consultório de mãos dadas com o namorado após agradecer as profissionais.
Outra mulher, de 43 anos, identificada como “G”, mãe de quatro filhos, quis interromper a quinta gravidez, que significava um alto risco para a sua saúde. Aconselhada a realizar o procedimento, mas sem conseguir uma ajuda efetiva da própria médica, ela tentou os medicamentos abortivos, mas sem sucesso.
Com isso, ela teve de optar pela clínica Musa, na Argentina.
“Eu amo ser mãe, passei praticamente toda a minha vida adulta exercendo esse papel. Mas não queria deixar meus quatro filhos órfãos”, disse.
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Fonte: Nacional
BRASIL
Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia
Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado
Published
4 semanas agoon
15 de maio de 2026By
Da Redação
O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.
O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.
A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.
Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.
O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.
Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.
Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.
“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.
Entenda o caso
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.
Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.
A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.
Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.
Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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